Publicada em 25 de Setembro de 2020 às 03:00

Década de 1990 registrou salto da mecanização

Máquinas e suas tecnologias que facilitam a rotina no campo são chamarizes em todas as edições

Máquinas e suas tecnologias que facilitam a rotina no campo são chamarizes em todas as edições


/ALEXANDRO AULER/arquivo/JC
Thiago Copetti, do Rio de Janeiro, especial para o JC
Quando as exposições de animais eram realizadas ainda no Parque do Menino Deus, na Capital, as máquinas agrícolas já estavam lá, timidamente, como um complemento bem menos vistoso da mostra pecuária. Mesmo porque a mecanização da agricultura ainda engatinhava nos anos 1970. Quando a feira migrou para Esteio, o setor chegou a conquistar um espaço próprio, mas ainda muito pequeno, próximo de onde hoje se localiza o Pavilhão Internacional. Ocupava uma rua apenas, escondida entre as grandes estrelas da festa, os animais.
"Gastávamos muito e os clientes não chegavam ao nosso estande, porque era muita gente e as pessoas acabavam não nos encontrando no meio da multidão. O pessoal da área de máquinas agrícolas ia desistir da Expointer, isso já em 2000. Foi aí que eu consegui uma área maior. Posso dizer que as máquinas agrícolas iam desaparecer do parque", recorda Claudio Bier, presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers)
Veio a primeira década deste século e começou a era das grandes colheitadeiras, plantadeiras e tratores moderno, com o começo da revolução tecnológica que cresceu a passos largos a partir da chamada agricultura de precisão, e a aceleração do setor sobre os campos gaúchos, literalmente. A área destinada às montadoras e fabricantes de implementos foi um espaço mais ao fundo do parque, onde havia uma plantação de arroz, que não tinha função na exposição e não trazia renda alguma. O setor então aterrou e urbanizou o local. Ainda assim, padeceu com falta de infraestrutura e alagamentos por muito tempo.
"Em 2001 tivemos muitas dificuldades de levar nossos associados para lá. Eles não acreditavam que daria certo. Era descampado e tinha o problema de ser lavoura de arroz, ou seja, ficava muito alagado. Todo mundo chegava lá e se assustava. Tivemos que apelar para amigos e parceiros para que fossem. Eu, evidentemente, levei a minha empresa, porque tinha que acreditar no processo, e foram algumas outras junto", recorda Bier.
No segundo ano dentro da grande área temática das máquinas, assegura o presidente do Simers, o interesse por marcar presença no espaço ganhou velocidade, os motores aceleraram e, no terceiro ano, já tinha "até gente brigando para aumentar suas áreas", assegura Bier. Para conter a água que cada chuva um pouco mais forte fazia transbordar pelos fundos, com enchentes frequentes, o Simers investiu em diques e na drenagem do local, amenizando os prejuízos com as intempéries.
"E aí começou o sucesso que ocorre até hoje. O Simers fez um grande estacionamento no portão 13. Nossas vendas começaram a melhorar muito e acabamos nos tornando a maior venda na Expointer. Na última feira, o faturamento do setor representou mais de 90% do total", comemora o empresário.
O estouro nas vendas começou em 2001, cresceu em 2002 e, de acordo com Bier, foi a níveis históricos em 2003. Em 2019, a última edição presencial, a área somou cerca de 130 expositores. Entre os desafios mais recentes, Bier recorda de um grande temporal que, em janeiro de 2015, destruiu o parque e praticamente todos os pavilhões do setor. Mesmo acostumados com muito barro e alagamentos no local - como todos que frequentam o parque -, um "furacão" passou pelo local, ainda no início do ano, colocando em risco a feira.
"Foi no primeiro ano do governo de José Ivo Sartori (2015-2018). Passou um furacão ali e dizimou o parque. Não iria sair a Expointer. O governador então nos chamou no Palácio e perguntou se nós abraçaríamos a remontagem de todo o parque. Se não fosse o Simers, poderia não ter saído a Expointer em 2015", diz Bier.
Chega o ano 2020 e, com a pandemia, pela primeira vez em 50 anos, portanto, as máquinas não avançaram com toda sua imponência e potência sobre Esteio. Ainda que o Simers tenha organizado uma primeira etapa da Expointer Digital, e siga com o evento virtual até 4 de outubro, a participação é totalmente virtual. "Mas as perdas são grandes", lamenta Bier.
"A Expointer é a maior feira da América Latina. Claro que nos reinventamos e fizemos a Expointer digital. Tivemos até sucesso, porque foram mais de 42 mil acessos de 27 países diferentes, e gente de todo o Brasil comprando equipamento. Mas como toda a primeira experiência, tivemos grande dificuldade. O novo assusta", finaliza o presidente do Simers.
Quando as exposições de animais eram realizadas ainda no Parque do Menino Deus, na Capital, as máquinas agrícolas já estavam lá, timidamente, como um complemento bem menos vistoso da mostra pecuária. Mesmo porque a mecanização da agricultura ainda engatinhava nos anos 1970. Quando a feira migrou para Esteio, o setor chegou a conquistar um espaço próprio, mas ainda muito pequeno, próximo de onde hoje se localiza o Pavilhão Internacional. Ocupava uma rua apenas, escondida entre as grandes estrelas da festa, os animais.
"Gastávamos muito e os clientes não chegavam ao nosso estande, porque era muita gente e as pessoas acabavam não nos encontrando no meio da multidão. O pessoal da área de máquinas agrícolas ia desistir da Expointer, isso já em 2000. Foi aí que eu consegui uma área maior. Posso dizer que as máquinas agrícolas iam desaparecer do parque", recorda Claudio Bier, presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers)
Veio a primeira década deste século e começou a era das grandes colheitadeiras, plantadeiras e tratores moderno, com o começo da revolução tecnológica que cresceu a passos largos a partir da chamada agricultura de precisão, e a aceleração do setor sobre os campos gaúchos, literalmente. A área destinada às montadoras e fabricantes de implementos foi um espaço mais ao fundo do parque, onde havia uma plantação de arroz, que não tinha função na exposição e não trazia renda alguma. O setor então aterrou e urbanizou o local. Ainda assim, padeceu com falta de infraestrutura e alagamentos por muito tempo.
"Em 2001 tivemos muitas dificuldades de levar nossos associados para lá. Eles não acreditavam que daria certo. Era descampado e tinha o problema de ser lavoura de arroz, ou seja, ficava muito alagado. Todo mundo chegava lá e se assustava. Tivemos que apelar para amigos e parceiros para que fossem. Eu, evidentemente, levei a minha empresa, porque tinha que acreditar no processo, e foram algumas outras junto", recorda Bier.
No segundo ano dentro da grande área temática das máquinas, assegura o presidente do Simers, o interesse por marcar presença no espaço ganhou velocidade, os motores aceleraram e, no terceiro ano, já tinha "até gente brigando para aumentar suas áreas", assegura Bier. Para conter a água que cada chuva um pouco mais forte fazia transbordar pelos fundos, com enchentes frequentes, o Simers investiu em diques e na drenagem do local, amenizando os prejuízos com as intempéries.
"E aí começou o sucesso que ocorre até hoje. O Simers fez um grande estacionamento no portão 13. Nossas vendas começaram a melhorar muito e acabamos nos tornando a maior venda na Expointer. Na última feira, o faturamento do setor representou mais de 90% do total", comemora o empresário.
O estouro nas vendas começou em 2001, cresceu em 2002 e, de acordo com Bier, foi a níveis históricos em 2003. Em 2019, a última edição presencial, a área somou cerca de 130 expositores. Entre os desafios mais recentes, Bier recorda de um grande temporal que, em janeiro de 2015, destruiu o parque e praticamente todos os pavilhões do setor. Mesmo acostumados com muito barro e alagamentos no local - como todos que frequentam o parque -, um "furacão" passou pelo local, ainda no início do ano, colocando em risco a feira.
"Foi no primeiro ano do governo de José Ivo Sartori (2015-2018). Passou um furacão ali e dizimou o parque. Não iria sair a Expointer. O governador então nos chamou no Palácio e perguntou se nós abraçaríamos a remontagem de todo o parque. Se não fosse o Simers, poderia não ter saído a Expointer em 2015", diz Bier.
Chega o ano 2020 e, com a pandemia, pela primeira vez em 50 anos, portanto, as máquinas não avançaram com toda sua imponência e potência sobre Esteio. Ainda que o Simers tenha organizado uma primeira etapa da Expointer Digital, e siga com o evento virtual até 4 de outubro, a participação é totalmente virtual. "Mas as perdas são grandes", lamenta Bier.
"A Expointer é a maior feira da América Latina. Claro que nos reinventamos e fizemos a Expointer digital. Tivemos até sucesso, porque foram mais de 42 mil acessos de 27 países diferentes, e gente de todo o Brasil comprando equipamento. Mas como toda a primeira experiência, tivemos grande dificuldade. O novo assusta", finaliza o presidente do Simers.
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