Reaproveitamento é essencial para a sustentabilidade

Por Eduardo Torres

Na BRF de Ivoti, todos os resíduos viram fonte para geração de energia
Uma das principais lições da mudança sustentável na indústria é a de que tudo pode ser reprocessado e ter novas finalidades, reduzindo os impactos ambientais, muitas vezes, em mais de um setor produtivo. É o que tem sido feito a partir da produção de pet food na unidade da BRF em Ivoti. Ali, todos os resíduos da fábrica, que antes eram destinados a aterros sanitários, agora são coprocessados e viram matéria-prima para a geração de energia na produção de cimento.
"Não é uma ação anual ou pontual, trata-se de um ciclo completo. Existem aterros licenciados, mas este é um processo que precisa ser revertido em economia circular. A primeira atitude que tivemos foi ouvir todos os setores envolvidos na produção e no ambiente em que está a nossa fábrica para compreender o que, na nossa produção, mais gerava riscos ao planeta e poderia ser mudado. É um projeto construído com todos os conceitos da sustentabilidade plena", afirma a diretora de sustentabilidade, Mariana Modesto.
O projeto que mudou o destino dos resíduos não recicláveis da fábrica iniciou em abril deste ano. Desde então, uma transportadora envia até 6 toneladas de resíduos por mês para uma empresa de Capela de Santana. Lá, materiais como os EPIs usados na fábrica, fitilhos, sacos plásticos sujos e oriundos da produção, que antes eram levados para aterros, são coprocessados e formam um blend com outros materiais. Uma massa que gera energia em uma fábrica de produção de cimento da região.
De acordo com Mariana, além do corte nos gastos que antes existiam para a manutenção dos resíduos em aterros, houve uma economia imediata de 30% no transporte.
"Além disso, gera valor agregado àquele produto, que movimenta outra cadeia produtiva a partir do coprocessamento, deixando de consumir fontes de energia não renováveis e reduzindo emissões. Esta lucratividade não é tão simples de mensurar, mas é visível. Nossa experiência tem sido levada a outras plantas da BRF", valoriza a diretora.
O destino dos resíduos não foi definido de maneira aleatória. Conforme a analista de meio ambiente Iona Souza Lemmertz, toda a relação da empresa com fornecedores e parceiros atualmente passa por uma auditoria ambiental, na qual são avaliadas a estrutura, a capacidade técnica de processar os resíduos de maneira sustentável e também a destinação a partir do coprocessamento, já que, por se tratar de uma indústria alimentícia, não seria possível para a planta de pet food reaproveitar em sua planta os resíduos processados.
"Este projeto é uma das etapas do nosso plano de sustentabilidade, e não é o ponto final. Porque o nosso objetivo é cada vez reduzir mais este volume de resíduos a serem coprocessados e aumentar o percentual de recicláveis, que garantem ainda maior movimentação de toda uma cadeia produtiva", avalia Iona.
Estes materiais são destinados a cooperativas locais, que tendem a ser muito mais acionadas nos próximos anos. É que a empresa tem a meta de chegar até 2025 com 100% das embalagens de insumos e dos produtos finais da indústria de pet food recicláveis ou biodegradáveis.