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Mercado demanda por expansão de 40% no rebanho de ovinos do Rio Grande do Sul
Alta procura por carne de cordeiro no mercado interno e elevação dos valores pagos pela lã animam o setor
O Rio Grande do Sul foi desbancado do posto histórico de maior produtor nacional de ovinos pela Bahia. Com apenas 3,2 milhões de animais, quantia insuficiente para atender ao mercado interno de carne de cordeiro, o Estado ocupa, agora, uma fatia bastante inferior ao real potencial exigido para a atividade. Por isso, entidades representativas, câmaras setoriais e governo trabalham, juntos, para elevar em até 40% o rebanho gaúcho nos próximos anos, com a meta de atingir algo próximo de 4,5 milhões de ovinos. O desafio é dado pela crescente demanda e também pela retomada dos preços pagos pela lã.
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Novos patamares da lã voltam a empolgar criadores
No cenário atual, até mesmo a lã voltou a empolgar os criadores de ovino. O presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), Edemundo Gressler, considera que o momento "está muito agradável" e com "bons valores" pagos ao produtor.
Segundo Gressler, há uma retomada sólida, com as lãs finas de qualidade negociadas acima de US$ 6 (cerca de R$ 24,00) o quilo. Para as de finura média, os preços estão na faixa de US$ 4 (cerca de R$ 16,00).
Gressler adianta que o rebanho gaúcho provê, em média, 3,5 kg de lã por cabeça. Isso determina um potencial de produção na ordem de 11 mil toneladas. No entanto, oficialmente, segundo dados da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), o Estado produz somente 8,8 mil toneladas.
O presidente da Arco lembra que mais de 50% da lã gaúcha está dentro dos padrões de média finura. "O nosso produtor está engajado, principalmente, no cuidado de que a lã. Não se trata apenas de uma simples tosquia. A lã tem que ser tratada como uma verdadeira colheita", aconselha.
O produtor Paulo Roberto Arocha, da Cabanha Infantada, em Santo Antônio das Missões, comprova que os preços referenciais estão em alta. Arocha afirma que já obteve, no ano passado, o valor de US$ 7 (cerca de R$ 28,00) por quilo de lã de média finura. A expectativa é que os preços batam a marca de US$ 10 (cerca de R$ 40,00). Arocha é criador das raças Merino Australiano e também mantém plantel de Hampshire Down e Ille de France para corte e consumo próprio.
Governo vai lançar programa estadual de incentivo ao setor
Com 182,8 mil abates e 8,8 mil toneladas de lã, a ovinocultura gaúcha gera um Valor Bruto da Produção (VBP) de somente R$ 80,6 milhões. O desempenho, quando comparado com outros pares da agropecuária, dá o tamanho do potencial ainda inexplorado e atestam os indicativos que expõem as raízes da ineficiência produtiva no Estado. Os dados foram levantados pela Radiografia da Agropecuária 2019, lançada pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), na quarta-feira, durante a Expointer.
Do total de ovinos em criação no Estado, 41,28% é destinado a atividades de corte; 20,09%, para lã; e 38,45%, de criação mista. Com base no cenário, o diretor do Departamento de Política Agrícola da Seapdr, Ivan Bonetti, antecipa a criação de programa estadual de incentivo.
A ideia nasceu de uma reivindicação da câmara setorial da ovinocultura e prevê ações sanitárias, de estímulo ao consumo e selos regionais de qualidade.
Um grupo de trabalho será criado para definir os objetivos, mas o foco prioritário deverá ser a ovinocultura de corte. Uma das metas é, justamente, a ampliação dos rebanhos para atender ao mercado. Para isso, serão realizadas campanhas institucionais de incentivo ao consumo.