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Porto Alegre, sexta-feira, 30 de agosto de 2019.
Dia da Conscientização sobre a Esclerose Múltipla.

Jornal do Comércio

Notícia da edição impressa de 30/08/2019.
Alterada em 30/08 às 12h01min
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Mercado demanda por expansão de 40% no rebanho de ovinos do Rio Grande do Sul

Estado perdeu posto de maior criador da espécie para a Bahia, segundo o IBGE

Estado perdeu posto de maior criador da espécie para a Bahia, segundo o IBGE


/CLAITON DORNELLES/JC
Rafael Vigna
O Rio Grande do Sul foi desbancado do posto histórico de maior produtor nacional de ovinos pela Bahia. Com apenas 3,2 milhões de animais, quantia insuficiente para atender ao mercado interno de carne de cordeiro, o Estado ocupa, agora, uma fatia bastante inferior ao real potencial exigido para a atividade. Por isso, entidades representativas, câmaras setoriais e governo trabalham, juntos, para elevar em até 40% o rebanho gaúcho nos próximos anos, com a meta de atingir algo próximo de 4,5 milhões de ovinos. O desafio é dado pela crescente demanda e também pela retomada dos preços pagos pela lã.
Na década de 1970, época áurea dos ovinos de lã, por exemplo, o rebanho nacional batia a marca de 18 milhões de cabeças - 11,3 milhões, ou mais de 60% dos animais, estavam nas propriedades rurais do Estado. Com a inversão da demanda e a criação de corte ganhando maior relevância sobre a de lã, a Bahia elevou seus índices produtivos em 48% e, atualmente, ponteia a lista dos principais criadores, saindo de apenas 2,5 milhões de cabeças, em 1997, para 3,7 milhões, em 2017.
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De 1977 a 2017, o rebanho ovino oscilou em todo o País. Caiu ao longo das décadas de 1980 e 1990, quando a perda ultrapassou a casa de 4 milhões de animais. A partir dos anos 2000, houve um processo de retomada dos antigos patamares, e, hoje, o País conta com 17,9 milhões de ovinos. Por outro lado, o Rio Grande do Sul decresceu em mais de 70% o nível de seus rebanhos no período de 40 anos e segue patinando, justamente em um momento considerado positivo para o setor.
Uma das explicações para o comportamento é a chamada taxa de assinalação (cordeiros que sobrevivem até serem desmamados). De acordo com dados da Secretaria da Agricultura, no Estado, a taxa é inferior a 60%. Isso significa que, de cada 10 cordeiros, seis não sobrevivem até gerarem riquezas em carne e lãs. Em países de referência, como a Nova Zelândia, o índice pode superar os 120%, em razão da possibilidade de geminação em ovelhas.
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A motivação para as baixas taxas gaúchas passa por predadores naturais e abigeato, e, mais recentemente, incluem a ação de cães asselvajados que ingressam nas fazendas com caçadores clandestinos e são esquecidos nas propriedades. Mas o principal peso na equação ainda é o tratamento cultural dispensado aos rebanhos, geralmente considerados uma atividade de subsistência das unidades rurais. Esse aspecto faz com que, muitas vezes, os potenciais de mercado sejam desprezado pelos criadores que mantêm a ovinocultura como atividade secundária ou terciária das propriedades.
Para se ter uma ideia, o preço médio pago pela carcaça na indústria está na casa de R$ 24,90 o quilo. Além disso, o baixo custo de produção (em um hectare é possível criar até 10 ovinos) e a possibilidade de diversificar as atividades no campo (ovinos podem auxiliar na quebra de alguns ciclos de verminoses em propriedades que também possuem equinos e bovinos) são alguns dos atrativos que deixam de ser usufruídos em melhor escala.

Novos patamares da lã voltam a empolgar criadores

Expointer 2019
Ovinos - Merino
Momento está bons valores pagos ao produtor de ovinos
LUIZA PRADO/JC
No cenário atual, até mesmo a lã voltou a empolgar os criadores de ovino. O presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), Edemundo Gressler, considera que o momento "está muito agradável" e com "bons valores" pagos ao produtor.
Segundo Gressler, há uma retomada sólida, com as lãs finas de qualidade negociadas acima de US$ 6 (cerca de R$ 24,00) o quilo. Para as de finura média, os preços estão na faixa de US$ 4 (cerca de R$ 16,00).
Gressler adianta que o rebanho gaúcho provê, em média, 3,5 kg de lã por cabeça. Isso determina um potencial de produção na ordem de 11 mil toneladas. No entanto, oficialmente, segundo dados da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), o Estado produz somente 8,8 mil toneladas.
O presidente da Arco lembra que mais de 50% da lã gaúcha está dentro dos padrões de média finura. "O nosso produtor está engajado, principalmente, no cuidado de que a lã. Não se trata apenas de uma simples tosquia. A lã tem que ser tratada como uma verdadeira colheita", aconselha.
O produtor Paulo Roberto Arocha, da Cabanha Infantada, em Santo Antônio das Missões, comprova que os preços referenciais estão em alta. Arocha afirma que já obteve, no ano passado, o valor de US$ 7 (cerca de R$ 28,00) por quilo de lã de média finura. A expectativa é que os preços batam a marca de US$ 10 (cerca de R$ 40,00). Arocha é criador das raças Merino Australiano e também mantém plantel de Hampshire Down e Ille de France para corte e consumo próprio.

Governo vai lançar programa estadual de incentivo ao setor

Com 182,8 mil abates e 8,8 mil toneladas de lã, a ovinocultura gaúcha gera um Valor Bruto da Produção (VBP) de somente R$ 80,6 milhões. O desempenho, quando comparado com outros pares da agropecuária, dá o tamanho do potencial ainda inexplorado e atestam os indicativos que expõem as raízes da ineficiência produtiva no Estado. Os dados foram levantados pela Radiografia da Agropecuária 2019, lançada pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), na quarta-feira, durante a Expointer.
Do total de ovinos em criação no Estado, 41,28% é destinado a atividades de corte; 20,09%, para lã; e 38,45%, de criação mista. Com base no cenário, o diretor do Departamento de Política Agrícola da Seapdr, Ivan Bonetti, antecipa a criação de programa estadual de incentivo.
A ideia nasceu de uma reivindicação da câmara setorial da ovinocultura e prevê ações sanitárias, de estímulo ao consumo e selos regionais de qualidade.
Um grupo de trabalho será criado para definir os objetivos, mas o foco prioritário deverá ser a ovinocultura de corte. Uma das metas é, justamente, a ampliação dos rebanhos para atender ao mercado. Para isso, serão realizadas campanhas institucionais de incentivo ao consumo.
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