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RS tem o maior número de internados em UTIs em 56 dias
Em meio à pressão na rede de saúde, Estado corre risco de perder até 742 leitos intensivos exclusivo para o novo coronavírus
A escalada de contaminações pelo novo coronavírus já começa a pressionar a rede de saúde do Rio Grande do Sul. Na sexta-feira, o Estado tinha o maior número de pacientes confirmados para a Covid-19 em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) dos últimos 56 dias.
Fruto de uma "onda perfeita" - chegada e disseminação da variante Ômicron, que é consideravelmente mais contagiosa do que as identificadas anteriormente, somada ao período de verão, com praias lotadas e as pessoas respeitando menos os tradicionais protocolos de segurança sanitária - o crescimento rápido nas hospitalizações fez o Gabinete de Crise do governo do Estado emitir Alertas para 12 das 21 regiões Covid do RS na quarta-feira passada.
Conforme o painel de monitoramento da Secretaria Estadual da Saúde (SES-RS), o RS tinha 347 pessoas internadas em estado grave na sexta-feira. Na quinta-feira, o total era de 329. Os números são os maiores registrados desde o dia 26 de novembro, quando 356 gaúchos e gaúchas estavam em UTIs no RS em razão da pandemia.
Desde o início de dezembro, quando eram 333 os internados em UTIs, até o começo de janeiro, as internações em leitos intensivos caíram vertiginosamente, chegando a 145 pacientes no dia 4 de janeiro - uma redução de 56,4% em um mês e três dias.
Entretanto, a curva de internações tomou um caminho diverso no dia 5 de janeiro. A partir dali, os novos casos diários já cresciam em ritmo acelerado e o consequente aumento no número de internados também.
Conforme os órgãos públicos de saúde, os não vacinados são os que estão, em sua grande maioria, indo parar em hospitais com a onda da variante Ômicron. Em Porto Alegre, por exemplo, o risco de internação em leito de UTI de uma pessoa com esquema vacinal incompleto é 16,4 vezes maior do que o de uma pessoa com vacinação completa, segundo os dados do Sivep/Gripe, do Ministério da Saúde, analisados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
Nos 17 dias até a sexta-feira, o RS teve uma alta de 139,3% nas hospitalizações em UTI por Covid-19 - com uma média de 11,8 novas pessoas por dia. Em meio a esse cenário de pressão cada vez maior, o governo federal adiou para março o fechamento de leitos de UTI específicos para o tratamento da doença no Brasil. O custeio diário desses leitos é de R$ 1,6 mil. No RS, são 1.057 leitos Covid.
Paralelamente às internações em leitos intensivos, a rede hospitalar gaúcha também se vê pressionada pela quantidade de pacientes que chegam nas recepções dos hospitais necessitando de leitos clínicos. No dia 1º de janeiro de 2022, eram 142 pacientes internados em enfermarias. Passados 20 dias, o número aumentou mais de seis vezes. Na sexta-feira, eram 862 pessoas. Em comparação ao total registrado no primeiro dia do ano, o aumento é de 507%. Desde o dia 22 de julho de 2021, o RS não tinha tantas pessoas necessitando de atendimento médico hospitalar clínico por causa do coronavírus.