Sicredi Sul Sudeste cresce com expansão digital e física

Por Roberta Mello

Marcio Port destaca que a responsabilidade social está no DNA cooperativo
Presente em municípios de todos os tamanhos e com grande força em regiões onde o agronegócio é mais pujante, o Sicredi não parou de crescer nem com a pandemia. O volume de operações de crédito e de operações financeiras cresceu em 2021 acima da média anual verificada na última década (20%). De 2020 a 2021, o sistema fundado em Nova Petrópolis, na Serra Gaúcha, registrou crescimento recorde entre 30% e 40% nas 38 cooperativas que o compõem. O número de associados no Estado também aumentou e já se aproxima de 2 milhões. O vice-presidente da Central Sicredi Sul Sudeste, Márcio Port, lembra que o Sicredi está presente em 94% dos 497 municípios gaúchos. "Em 25% dos municípios do Rio Grande do Sul, o Sicredi é a única instituição financeira presente", destaca Port. 
Jornal do Comércio - Que desafios o Sicredi vem enfrentando com essa pandemia? Como o sistema e o setor de cooperativismo de crédito estão lidando?
Márcio Port - Desde o início da pandemia falamos bastante sobre a questão do estímulo à economia local. Esse foi o ponto de preocupação desde o início da pandemia pois sabemos que os empregos e a sobrevivência das empresas menores são fundamentais para quando tivermos a retomada da economia. Sabemos que a economia começa a parar a partir das grandes cidades e vai chegando nas pequenas cidades também e, quando tivermos a retomada, é muito provável que as grandes cidades sejam as últimas a aquecer em termos econômicos. O Sicredi atuou fortemente na distribuição das linhas de crédito emergenciais, como o Pronampe. Também mantivemos nossa preocupação com a agricultura familiar.
Jornal do Comércio - Tudo isso teve que ocorrer virtualmente?
Márcio Port - Mesmo no momento em que as cooperativas tiveram que ter um número menor de pessoas nas agências atendendo ao público, mantivemos um contingente bastante grande de colaboradores atendendo das suas casas. Isso deu muito certo. Agora, tem sido natural os associados continuarem em contato remoto. A tecnologia ajudou a permanecer próximos dos associados e já vimos que veio para ficar. Tem muita gente que nunca tinha usado antes um aplicativo de celular para fazer movimentações e hoje não quer saber de outro modelo.
Jornal do Comércio - Vocês mantêm o interesse em lançar agências físicas?
Port - Tudo o que estava previsto foi mantido, tanto no ano passado quanto neste ano. Eventualmente, alguma inauguração foi postergada, mas mais por conta da falta de matéria-prima ou de mão de obra, mas não pelo fato de o Sicredi não ter interesse. A estratégia de expansão física continua, até porque temos percebido que os grandes bancos têm se retirado de muitas localidades - e não só de municípios pequenos. Temos explorado esses vazios em termos de atendimento financeiro. É claro que o atendimento é de uma forma diferente do que era anos atrás. Hoje, os espaços físicos são muito mais voltados a relacionamento e negócios do que para pagar um boleto, por exemplo. Mudou o tipo de agência para o que chamamos de atendimento físico-digital,o que impactou também no leiaute das unidades.
Jornal do Comércio - Quantas agências foram inauguradas no último ano e quantas o Sicredi pretende inaugurar ainda em 2021 no RS e em outros estados?
Port - No Rio Grande do Sul, foram 10 agências inauguradas em 2020 e cinco em 2021 até maio. A previsão de inaugurações até dezembro deste ano é de 13 novas agências. Já no Brasil, foram 150 novos pontos físicos em 2020 e esperamos ultrapassar essa marca e chegar a 170 novas agências até o final de 2021. Entre janeiro e maio já lançamos 80 unidades.
Jornal do Comércio - Crescer ainda mais fora do RS é um objetivo?
Port - Hoje, o Sicredi já está presente em 94% dos municípios do RS. Em 96 dos 497 municípios gaúchos somos a única instituição financeira presente, ou seja, uma em cada cinco cidades gaúchas só tem Sicredi. Em âmbito nacional, são 200 municípios em que só tem Sicredi. Hoje, estamos presentes em 1500 municípios brasileiros. A origem do Sicredi é o agronegócio e por conta disso somos muito fortes no interior. Desde 2003, as cooperativas começaram a atuar de forma mais forte em municípios urbanos também. Isso começou há 18 anos com essa expansão nas grandes cidades. Temos uma cobertura muito boa no Brasil, mas queremos ampliar, sem dúvida. 
Jornal do Comércio - Os critérios ESG estão cada vez mais valorizados. As cooperativas saem na frente ao pensar além do lucro e promover o desenvolvimento das comunidades?
Port - A responsabilidade social está no DNA do cooperativismo como um todo. Está na origem. Ao reconhecer que isso está no DNA do Sicredi, aderimos ao pacto global da ONU e aos Objetivos de Desenvolvimento Social (ODS) e também falamos muito sobre os critérios ESG. Isso tudo está muito presente no nosso dia a dia. Talvez o nosso desafio seja mostrar nosso impacto nas pessoas e nas entidades. Os produtos de uma cooperativa de crédito são os mesmos de outras instituições financeiras. Mas o que fazemos no dia a dia, com a margem financeira gerada a partir de cada produto e serviço, é diferente. Em vez de ir para a mão dos grandes banqueiros, ela fica na comunidade. 
Jornal do Comércio - O Sicredi foi um dos responsáveis por garantir o acesso às linhas de crédito emergenciais e, assim, contribuiu para que a crise não fosse ainda mais grave. Como vê o cenário de oferta de credito no Brasil? A instituição pretende seguir ofertando linhas especiais?
Port - As linhas emergenciais são bastante importantes e foram ainda mais nesse último um ano e meio. No RS, tivemos mais de R$ 700 milhões liberados em 17 mil operações. Mais de 90% dos municípios gaúchos receberam recursos do Pronampe através do Sicredi e 80% dos valores liberados pelo Sicredi foram concedidos para cidades com até 100 mil habitantes. A procura foi muito grande entre pequenos estabelecimentos. Dados do Banco Central indicam que 20% de todo o Pronampe do Brasil foi liberado por cooperativas de crédito. Mesmo assim, fomos além do Pronampe e das outras linhas emergenciais do governo. As cooperativas também criaram linhas de crédito próprias. No RS, são 38 cooperativas do Sicredi e cada uma moldou as linhas de acordo com as necessidades da sua região, muitas vezes reduzindo as taxas de juros a patamares bem próximos às linhas do governo. Até porque os recursos públicos disponibilizados não foram suficientes. Por isso, nossas linhas próprias devem se manter.
Jornal do Comércio - Há alguma linha que os associados vêm se interessando mais e que vem se destacando no Sicredi?
Port - Quando falamos em pessoa física, percebemos um aumento crescente em linhas para instalação de sistemas de geração de energia solar. Como as pessoas têm passado bastante tempo em casa ou equilibrando casa e trabalho, vemos mais gente preocupada em contar com energia solar. Ainda mais agora, que estamos em contexto de discussão de aumento na tarifa, esse modelo é demandado. Crescemos 47% em financiamento de energia solar no RS em 2020. O Sicredi financiou 40% de todas as instalações de energia solar feitas no Estado.
Jornal do Comércio - As perspectivas de crescimento do Sicredi são boas, portanto? Estão otimistas em relação ao futuro?
Port - Sim, estamos otimistas. O agronegócio vive um bom momento, principalmente no setor de grãos, e as pessoas estão mais abertas a consumir, em grande parte graças ao avanço da vacinação. Nós crescemos junto com a sociedade. Pesquisa mostra que municípios em que há uma cooperativa de crédito tendem a aumentar em mais de 5% a renda per capita, em 6% o número de vagas de emprego e em 15% o número de estabelecimentos comerciais.

Sicredi

Total de associados RS:
1,97 milhão

Resultado distribuído aos associados: R$ 251,6 milhões
Crédito rural: R$ 8,4 bilhões
No Brasil, são 2 mil agências