Selic deve ter novo aumento após reunião do Copom

A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) ocorre amanhã e quarta-feira

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A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) ocorre amanhã e quarta-feira. Ao fim do segundo dia, o comitê compartilhará sua decisão a respeito da taxa Selic, se optou por aumentá-la, diminuí-la ou mantê-la em seu atual patamar, de 10,75% ao ano. Bancos têm projetado aumento da taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), em 2022 e 2023, diante da inflação com o choque de oferta gerado pelo conflito Rússia-Ucrânia. Mas, a estimativa é a de que o Banco Central reduzirá o ritmo de aperto na reunião, com uma alta de 1 ponto percentual da taxa básica de juros, para 11,75%.
Também é previsto que a Selic chegará ao final deste ano em 13,25%, ante uma estimativa anterior de 12,75%, com a expectativa de altas maiores do que o previsto antes para maio e junho, de 0,75% em cada reunião. As projeções para inflação foram elevadas para 7% em 2022, de 6,2% antes, quando a avaliação é que o aumento de preços de alimentos e gasolina mais do que compensarão a redução do Imposto de Produtos Industrializados (IPI).
Analistas financeiros julgam que, dadas as grandes incertezas no cenário e o fato de o Brasil já estar adiantado em seu aperto monetário, idealmente seria mais apropriada uma estratégia de altas graduais ao longo de um período consistente de tempo.
Também é esperado, mas tão somente por poucos financistas de bancos, que a Selic mantenha o patamar de 11,75% até o fim de 2022, com um ciclo gradual de cortes somente em 2023, levando a taxa a 8,0% no encerramento do próximo ano. Outros apostam que, em maio, a Selic irá a 12,25%. Isso para o BC coordenar bem a expectativa de inflação e garantir que, principalmente no ano que vem, fique dentro da meta.
A previsão de uma inflação de 4% no fim de 2022 está descartada, uma vez que diversos vetores, internos e externos, devem colocar o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acima desse nível, como o preço internacional do petróleo e o impacto das chuvas nas safras de grãos, além da retomada da economia após a atual onda de Ômicron.
O cenário pessimista prevê o início do ciclo de cortes da Selic em 2023, com uma taxa de 8,25% no fim do período. Somente com um cenário mais favorável de inflação e atividade, o BC teria espaço para encerrar o ciclo em maio de 2022. Os dados, no entanto, são desanimadores, ainda mais com a alta dos combustíveis e do gás de cozinha. Com os problemas internacionais consequentes da guerra da Rússia contra a Ucrânia, fica difícil manter projeções positivas.