Fronteira gaúcha teme ocorrência de novos incêndios com avanço de focos de fogo da Argentina

Em São Borja, focos de fogo se espalharam ao longo do acesso à cidade neste domingo (20)

Por Cristine Pires

Incêndio em São Borja em 20 de janeiro de 2022
Não bastasse os Equipamentos de uma propriedade foram atingidos pelo fogo em São Borja. Eduardo Moreira Belmonte/Divulgação/JC
Graças à mobilização do Corpo de Bombeiros, com a ajuda da comunidade, empresas, Polícia Rodoviária Federal, Exército, Brigada Militar e da prefeitura, o fogo foi controlado no fim do dia. “Também foi fundamental a ajuda das empresas de aviação agrícola e dos pilotos que responderam ao nosso chamado e se dispuseram a ajudar no combate às chamas”, ressalta Bonotto, que também é presidente da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs).
No caso de São Borja, além do enfrentamento aos focos de incêndio, o município precisa lidar também com os reflexos dos estragos no país vizinho. A fumaça das queimadas faz com a fuligem chegue aos municípios da fronteira, cobrindo carros e residências. A população tem reclamado de efeitos como a piora da qualidade do ar e também ardência nos olhos.
Mais de 800 mil hectares já foram dizimados na província de Corrientes, informa Bonotto. Segundo o prefeito, o fogo vem se alastrando rapidamente em função da peculiaridade da província argentina, formada por grandes áreas de densa vegetação – que estão secas em função da estiagem – e por plantações de pinus e eucaliptos, espécies que contêm uma resina natural que serve de combustível para espalhar o fogo.
Desde sábado, efetivos e equipamentos cedidos pelos municípios gaúchos de Santa Cruz do Sul, Canoas, Santo Ângelo e São Luiz Gonzaga estão em São Tomé – cidade mais atingida pelos incêndios – para ajudar o combate ao fogo. A ajuda veio em resposta ao pedido formalizado por Bonotto na sexta-feira passada (18) junto aos governos federal e estadual com base no apelo que recebeu do intendente de Santo Tomé, José Augusto Suaid Cortes, e do governador de Corrientes, Gustavo Valdés.
“A conscientização da população é fundamental neste momento”, alerta o prefeito de São Borja. Os cuidados devem ser redobrados para evitar qualquer foco de fogo ao longo das áreas castigadas pela estiagem. Uma bituca de cigarro ou a queima de lixo, por exemplo, podem fazer um grande estrago. O uso racional da água também é outro fator de extrema importância para garantir o abastecimento e o combate a incêndios. Para se ter uma ideia, neste domingo, vários caminhões-pipa foram destacados pela prefeitura de São Borja para ajudar no controle do fogo.