Benefício emergencial tem baixa procura por empresas no RS

Empresa que reduzir jornada ou suspender contratos pode aderir

Por Patrícia Comunello

Renan Andrade atua com formaturas e recorreu de novo ao programa
No 1º de maio, Dia do Trabalhador, quatro dos seis funcionários da R&A Produções, que atua com formaturas em Porto Alegre, tiveram suspensão do contrato. O dono da empresa, Renan Andrade, não teve escolha, se não aderir, pelo segundo ano, ao Programa Emergencial para Preservação do Emprego e da Renda, que prevê pagamento do benefício emergencial (BEm). Os outros dois empregados da R&A tiveram redução de jornada.
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Especialistas apontam demora na reedição da medida

"As empresas e as pessoas estavam desesperadas. Desde outubro de 2020, havia a promessa de prorrogação em janeiro, o que veio apenas agora", diz a advogada trabalhista Kerlen Costa, do escritório Scalzilli Althaus, sobre a demora na volta do programa. "O problema é que as MPs podem ter vindo muito tarde e podem ser inócuas para muitos segmentos", adverte Kerlen, indicando aquelas atividades que ainda não voltaram. 
O consultor jurídico da Fecomércio-RS, Flavio Obino Filho, que assessora diversos sindicatos patronais, também acredita que a espera possa afugentar potenciais candidatos que entrariam meses atrás. "Na fase aguda da pandemia, eles não tiveram alternativa e empregos foram destruídos." No RS, sindicatos de trabalhadores e patronais firmaram convenções e acordos coletivos com empresas para redução de jornada e salário e suspensão de contratos, que reduziram a remuneração. Muitos desses mecanismos devem ser ajustados agora, diz o consultor da Fecomércio-RS, pois as condições são mais vantajosas aos empregados. A revisão deve ser feita nesta semana.