HVO surge como alternativa eficiente e de uso mais rápido
O biocombustível HVO (hidrogenaled vegetable oil, óleo vegetal hidrogenado em português) surge como uma das alternativas mais eficientes e disponíveis no curto prazo. O combustível feito a partir de óleo vegetal, hidrogênio e gordura animal pode ser utilizado nos atuais motores sem qualquer necessidade de alteração no sistema mecânico do veículo. "Outro benefício é que, mesmo misturado com outros combustíveis fósseis, não perde a sua eficiência, o que flexibiliza a produção. O biodiesel já é uma realidade e o HVO é uma oportunidade para consolidar o Brasil como maior produtor de biocombustíveis no mundo", salientou o presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), Erasmo Carlos Battistella. Sua principal vantagem é a redução significativa de emissões e material particulado.
Com mais de 50 indústrias de biodiesel no Brasil, além da forte agricultura do País, Batistella ressaltou que atualmente é possível alcançar alta produtividade desse combustível. Entretanto, a falta de regulamentação é apontada como o principal entrave e, antes de 2023, não há previsão para que seja comercializado no mercado brasileiro.
O dirigente participou recentemente de reunião na Agência Nacional do Petróleo (ANP) para iniciar debates de como o Brasil poderá introduzir o diesel renovável HVO de forma a regular seu uso no futuro. O biocombustível já vem sendo testado na Europa e em outros países. Defendeu que a partir da construção de um marco regulatório sobre como produzir e utilizar o HVO, como já acontece para o biodiesel e etanol, o Brasil poderá ter condições de produzir o combustível em larga escala daqui a três ou quatro anos.
O presidente da Aprobio lembrou sobre o investimento que sua empresa, a ECB Group, de Passo Fundo, anunciou em setembro no valor de US$ 800 milhões para a construção de uma usina de combustíveis renováveis no Paraguai. O projeto Ômega Green será a primeira planta dedicada a combustíveis renováveis de segunda geração do Hemisfério Sul. Ela também será a primeira usina para a produção de HVO na região da América do Sul. Sua capacidade de produção é estimada em 80 bilhões de litros por ano.
A refinaria será localizada a cerca de 45 quilômetros da capital Assunção, na cidade de Villeta, e também fará a produção de SPK, querosene renovável para uso na aviação. A projeção é que a usina comece a ser construída no primeiro semestre de 2020 e concluída em 30 meses. "Escolhemos o Paraguai por ter condições econômicas mais favoráveis neste momento e onde a energia custa um terço do que temos no Brasil. A logística também é estratégica, pois a planta é pensada para exportações à Europa, ao Canadá e aos Estados Unidos. Com um custo menor, é mais fácil ser competitivo e exportar", reforçou.
Diferentes fontes de matéria-prima
O HVO é um combustível renovável que pode ser produzido a partir de óleos vegetais, como de palma, de soja, de girassol ou de aparas de madeira, gorduras residuais (óleo de cozinha) e animais. Ao colocar os óleos em contato com hidrogênio sob alta pressão, é criado o combustível líquido HVO. Esse processo artificial garante qualidade consistente e, diferente do biodiesel, o produto básico não determina a qualidade do combustível. Atualmente, Escandinávia, Holanda e Cingapura são importantes países produtores de HVO.