Mascarados do Kiss trazem o fim de uma jornada triunfal em show em Porto Alegre

Banda lendária do rock pesado, o Kiss traz sua turnê de despedida a Porto Alegre nesta terça-feira (26)

Por Igor Natusch

Banda lendária do rock pesado, o Kiss traz sua turnê de despedida a Porto Alegre nesta terça-feira, às 21h, na Arena do Grêmio
Todas as grandes histórias chegam ao fim. No universo do rock, poucas trajetórias conquistaram tanto e chegaram tão longe quanto a dos mascarados do Kiss - e Porto Alegre terá a chance de assistir, nesta terça-feira (26), um dos atos finais de uma jornada inesquecível. A apresentação da End of the Road Tour acontece a partir das 21h, na Arena do Grêmio (Av. Padre Leopoldo Brentano, 110).
A abertura da noite fica a cargo da Hit the Noise. Ainda há ingressos disponíveis, a partir de R$ 176,00, pelo site Uhuu. Entradas adquiridas para as datas anteriores, adiadas em decorrência da pandemia, seguem válidas para o espetáculo de terça-feira.
Certamente não é fácil, após 45 anos de carreira, pendurar as plataformas e as armaduras, deixar de lado a maquiagem e abandonar as turnês exitosas pelas mais diferentes partes do mundo. Mas a verdade é que Paul Stanley (voz e guitarra) e Gene Simmons (voz e baixo), hoje acompanhados por Eric Singer (bateria) e Tommy Thayer (guitarra) vão poder sair de cena com a certeza do dever cumprido. De certo modo, a banda criada em Nova York (EUA) em 1973 redefiniu boa parte dos conceitos que envolvem o som pesado, em especial no que se refere ao aspecto visual. Incorporando personagens como Starchild (o Filho das Estrelas, papel de Stanley) e The Demon (O Demônio, encarnado por Simmons), a maquiagem pesada e os figurinos extravagantes mexeram com a imaginação de milhões de fãs - algo potencializado pelos muitos efeitos de palco, que fizeram os músicos voarem, levitarem, explodirem em chamas e se moverem em 3D nas mais de quatro décadas que se seguiram.
Ao lado de Ace Frehley (guitarrista, que usava a alcunha Spaceman, Homem do Espaço) e Pete Criss (que pilotava as baquetas como The Catman, o Homem-Gato), Stanley e Simmons formaram um quarteto que alcançou imenso sucesso nos anos 1970, com hits como Black Diamond, Beth, Detroit Rock City, I Was Made for Lovin' You e Rock and Roll All Nite, entre muitos outros. Foi com essa formação, em uma turnê de reunião, que a banda se apresentou pela primeira vez em Porto Alegre, em 1999, em show no Hipódromo do Cristal. A segunda visita à Capital aconteceu em 2012, na turnê do álbum Monster, já com os mesmos músicos que agora retornam ao Estado.
O ocaso da formação clássica, marcado por desavenças entre os músicos, foi o sinal para a banda norte-americana buscar a reinvenção. O grupo tirou as máscaras nos anos 1980, e seguiu experimentando sucesso, com faixas como I Love it Loud e a balada Forever. Chegou a ter também uma fase mais raivosa e alternativa, em discos como Revenge (1992) e, em especial, Carnival of Souls (1997). Mudanças que nunca abalaram a fidelidade dos fãs, conhecidos como Kiss Army - uma multidão de fanáticos que segue a banda onde quer que ela vá e coleciona os infindáveis itens de merchandise, que vão de camisetas e action figures até preservativos, caixões (daqueles para enterro, mesmo) e máquinas de pinball.
O sucesso segue acompanhando a banda até hoje, mas o tempo não anda para trás, e a decisão dos líderes do Kiss é de retirar-se dos palcos enquanto ainda conseguem fazer um show de alto nível. Autoproclamados como "a banda mais quente do mundo", o Kiss garante que, desta vez, não há jogada de marketing envolvida: a End of the Road é, de fato, o fim da estrada para o grupo. 
"Não me entenda mal, eles são todos ótimos, mas se você colocar Mick Jagger, Bruno Mars ou Beyoncé dentro das minhas roupas, com plataformas de oito polegadas, botas de dragão que pesam cada uma tanto quanto uma bola de boliche, couro e armadura... Aí você tem que cuspir fogo e voar pelo ar por duas horas. Eles desmaiariam em meia hora", diz Simmons, em uma entrevista publicada recentemente pelo site Blabbermouth. "Nós somos a banda mais trabalhadora que existe, e temos orgulho disso. Mas você tem que ter algum orgulho, não ficar (na estrada) tempo demais."