Arthur de Faria busca apoio coletivo para livro sobre música popular da Capital

Compositor e jornalista lançou financiamento coletivo no Catarse, que fica aberto até início de maio

Por Adriana Lampert

Compositor e jornalista lançou financiamento coletivo no Catarse
Resultado de extensa pesquisa realizada durante 30 anos, o primeiro volume do livro Porto Alegre: uma biografia musical, do compositor e jornalista Arthur de Faria, deve chegar às prateleiras em agosto. Para viabilizar a publicação, o autor lançou, no último dia 22, um financiamento coletivo na plataforma Catarse. A campanha ocorre em parceria com a Arquipélago Editorial e tem como meta arrecadar R$ 32,5 mil até a primeira semana de maio.
O crowdfunding tem como objetivo garantir a preparação e a revisão do texto, que já está escrito, bem como a finalização do projeto gráfico, diagramação e impressão do volume. Quem colaborar com a campanha receberá diferentes recompensas, como exemplares exclusivos da obra em capa dura, além de audições musicais comentadas com o próprio Arthur de Faria nas modalidades presencial e online. “Depois da campanha, o livro poderá ser encontrado em algumas livrarias, mas em acabamento brochura. Em capa dura, só terá quem está com a gente desde agora”, destaca o pianista.
Autor também de Elis – uma biografia musical, neste novo livro o jornalista se detém na história da música popular feita em Porto Alegre desde a chegada dos açorianos até o final da Era do Rádio, no início dos anos de 1960. “Uma das épocas que teve bastante produção musical na cidade foi impulsionada pela gravadora Casa A Eléctrica (Casa Elétrica), que atuou em Porto Alegre durante os anos de 1913 a 1924 e lançou mais de mil discos”, destaca o jornalista.
Ao pontuar que a Era do Rádio, além de importante, “foi incrível”, Arthur cita exemplos do mercado que se criou nos veículos do gênero durante este período: “A Rádio Farroupilha tinha 106 músicos contratados, que se revezavam tocando música popular nos horários nobres, todas as noites e finais de semana”, ilustra. Também a Rádio Gaúcha se utilizava destes horários para tocar música popular ao vivo, executada por uma orquestra, no estilo big band, com 40 músicos.
O livro resgata a memória de grandes nomes desta cena – alguns hoje esquecidos pelo público em geral – como o violonista, bandolinista e poeta Octávio Dutra (que se destacou entre 1900 e 1930) e o pianista e compositor Paulo Coelho (que brilhou nos anos 1920 a 1940). “Fora os (artistas) que se mudaram para outros estados e acabaram imensamente reconhecidos em todo o território nacional, como Chiquinho do Acordeom, Edu da Gaita e Radamés Gnattali”, enumera o autor. O músico e jornalista adianta, que deve lançar a biografia deste último, com a publicação de um livro específico, a exemplo do que fez com a pesquisa sobre a trajetória de Elis Regina.
“A produção musical de Porto Alegre era intensa neste período. Além destes exemplos, tinha mais gente fazendo um monte de coisas”, destaca Arthur de Faria. Ele organizou os capítulos do livro por época e gênero. “Até o século XIX, a valsa, a polca e o samba foram os gêneros predominantes. Sendo mais exato, esses estilos tiveram destaque dos anos 1750 até 1950.”
No total, são quase 300 páginas de história neste primeiro volume, calcula o jornalista. O trabalho em torno desta obra ocorreu paralelamente à sua carreira musical. Foram centenas de entrevistas realizadas, centenas de livros devorados e muita pesquisa em arquivo de jornal, além, é claro, da escuta atenta de muitos discos da época.
“Embora eu tenha feito um doutorado na área (cuja tese, sobre Lupicínio Rodrigues, eu defendo na primeira quinzena de abril), busco escrever o mais coloquial possível, de forma que qualquer pessoa possa entender”, comenta o autor. Ele recorda que começou a escrever o livro sobre a música popular de Porto Alegre ainda nos anos de 1990, mais especificamente em meados de 1998. “Na época, fiz um livrinho pequeno para ser distribuído em empresas (sem edição comercial) – que tinha, inclusive, um disco encartado – sobre os 100 anos de música no Rio Grande do Sul.”
Além deste material, o jornalista ainda produziu uma série de cinco capítulos para a TVE (em parceria com Rene Goya e Daniel Dode) sobre os 100 anos de música em Porto Alegre. “Quando vi, tinha 1,8 mil páginas escritas. Também, pudera: foram mais de três décadas revirando arquivos, entrevistando pessoas e ouvindo tudo o que se produziu de música nos 250 anos da cidade”. Arthur destaca que a escolha de publicar o primeiro volume desta saga em 2022 é justamente uma forma de homenagear Porto Alegre, que comemora dois séculos e meio de existência.
A edição e revisão do texto deste primeiro volume é do escritor Luis Augusto Fisher. Porto Alegre: uma biografia musical ainda vai apresentar uma grande quantidade de imagens de época, garimpadas em arquivos de jornal e acervos pessoais. O layout da capa e o projeto gráfico são da designer Paola Manica e sua equipe na Brand & Book.
A obra integra uma série de sete livros que Arthur de Faria pretende assinar, contando a história da música popular na cidade. Além deste primeiro volume e de Elis: uma biografia musical, o jornalista irá lançar ainda Lupicínio – Uma biografia musical, com publicação prevista para o final do ano, e outros quatro: uma biografia do compositor e maestro Radamés Gnattali, dois novos volumes sobre a história da música popular de Porto Alegre, um volume sobre a história da música regional feita na Capital e, por último (mas não necessariamente nesta ordem), a história do rock em Porto Alegre.
Enquanto esse material vai para o forno, Faria, que soma em sua carreira de músico 28 discos lançados e 53 trilhas para teatro e cinema, se prepara para lançar, em maio, o primeiro disco “inteiro” com a banda de câmara Tum Toin Foin. “Neste mesmo mês, vou estrear com a Ospa um concerto para trombone e orquestra e, no segundo semestre, um musical em São Paulo”, anima-se.