Bolsonaro muda cartilha de Guedes

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Gastos com saúde ficarão fora do teto, diz Paulo Guedes
Com a economia em crise, e faltando menos de seis meses para a eleição presidencial, o presidente Jair Bolsonaro (PL) vai mudando a cartilha do ministro da Economia, Paulo Guedes, e busca ações que possam mudar a complicada situação econômica do País. Bolsonaro, em ritmo de eleições, já criou, em cinco meses, um programa de transferência de renda parecido com a Bolsa Família, reduziu impostos sobre carros e eletrodomésticos e até perdoou dívidas de estudantes com o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
Ações eleitorais
Segundo economistas, o presidente Bolsonaro, contrariando o próprio discurso de corte de gastos, já comprometeu pelo menos R$ 40 bilhões do orçamento de 2022 com ações que são temporárias, válidas principalmente durante o ano eleitoral. O objetivo é claro, agradar o eleitorado do atual presidente. Com isso, vai abandonando a cartilha de Paulo Guedes (foto) e segue por caminhos diversos para alcançar a rampa do Planalto, na reeleição.
Caminho difícil
Bolsonaro tem um sério problema para limpar o caminho para a reeleição. A situação da economia, dizem a maioria dos analistas econômicos, será definitiva para o resultado das eleições de outubro. O teatro Petrobras continua lançando novos espetáculos com o governo querendo transferir para terceiros a responsabilidade do preço dos combustíveis. Bolsonaro tentou intervir, não conseguiu, mas continua buscando argumentos para se defender junto ao eleitor.
Conversa para os incautos
"Sou contra o aumento dos combustíveis, não tenho nada a ver com isso e tenho feito tudo o que posso para acabar com isso. Até mudei o presidente da empresa", repete Bolsonaro. Conversa para os incautos antes do pleito. O presidente da República sabe que não pode interferir, mas continua no discurso sem conteúdo que o eleitor não absorve mais, pois hoje ele vive o tempo real das redes sociais, da internet, é bem informado, apesar das fake news.
Alimentação, transporte
O problema fica mais complicado para o presidente da República, que quer a reeleição. É que a alimentação, o transporte, a saúde, todos têm vínculo forte com o preço dos combustíveis, e isso, não vai bem. Nos alimentos, por exemplo, o Brasil bate recordes de produção de grãos, 270 milhões de toneladas, mas do outro lado, temos um produtor endividado. Os preços nos supermercados, reclamam donas de casa, não dá para comprar pela alta dos preços.
Preço da energia
O preço da energia elétrica está fora do alcance que o consumidor pode pagar. No Nordeste, por exemplo, onde o presidente Bolsonaro quer ocupar um espaço maior porque Lula é forte, o preço da conta de luz teve um reajuste de quase 20%. Já no Ceará, a situação é ainda pior, o aumento chega a quase 30%. A encrenca toda é que, com os preços da energia mais cara, os pequenos negócios, principalmente, não têm chance de prosperar.
Cesta básica
Para concluir, um salário-mínimo paga hoje uma cesta básica e sobram menos de R$ 100,00, mostram cálculos de especialistas como Natuza Nery. A inflação disparou no governo Jair Bolsonaro.