Comércio gaúcho registra queda em janeiro, enquanto Brasil tem leve alta

Supermercados e combustíveis tiveram altas maiores frente a janeiro de 2021

Por Patrícia Comunello

Supermercados e combustíveis tiveram altas maiores frente a 2021
O comércio gaúcho teve leve queda no volume de vendas em janeiro frente a dezembro de 2021. Segundo a Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, divulgada nesta quinta-feira (10), o varejo geral caiu 0,2% na largada do ano. No País, houve alta de 0,8% no confronto mensal anterior. A coluna tinha dado a informação de que teria havido leve alta no setor no Estado e corrigiu o dado.
O Estado havia registrado queda de 1% em dezembro frente a novembro. No país, o desempenho também tido sido negativo, com -1,9%. 
"Há um descasamento (do varejo gaúcho) em relação ao desempenho nacional", assinala o economista-chefe da CDL porto Alegre, Oscar Frank, ao comentar os dados.
"Acredito que esses termômetros, como as vendas do comércio, já estejam capturando os impactos da estiagem da safra de grãos aqui no RS", opina Frank, destacando que é uma possibilidade de influência que precisa ser melhor acompanhada. A previsão é de quebra de mais de 40% na safra de verão frente à colheita de 2021.
"Outra questão que vale ser mencionada: certamente, o efeito da variante Ômicron pesou negativamente, tanto para o Brasil como o Estado, impedindo que os resultados fossem melhores", avalia o economista-chefe.  
Frente a janeiro de 2021, o desempenho regional foi melhor. No começo do ano passado, o momento era mais afetado pela pandemia. O setor teve aumento de 5%, com as maiores elevações, considerando os mais demandados, de 4,8% em combustíveis e lubrificantes, e de 4,1% em hipermercados, supermercados, produtos alimentícios bebidas e fumo.
Apenas hipermercados e supermercados tiveram elevação de 4,8%, mas em 12 meses a queda é de 4,8%, já efeito de recuo em vendas, inflação e perda de renda de consumidores.
Tecidos, vestuário e calçados tiveram queda de 7,2%, depois de terem avançado 10,5% em dezembro em relação ao mesmo mês de 2020. Em 12 meses, o avanço é de 23,2%, na busca por recompor períodos deprimidos em vendas.
Móveis e eletrodomésticos mostram também dificuldades de elevar vendas, com volume -0,5% menor. Em 12 meses, a queda é de 4,3%. Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação vieram com queda de 30%. O desempenho negativo em 12 meses acumula perda de 17%.
Já os setores que vêm surfando na crise seguem ostentando crescimento - artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos têm alta de 17,3% no mês e de 16,8% em 12 meses. Outros artigos de uso pessoal e doméstico mantêm aumento no volume, com 9,7% mais que janeiro de 2021 e 32,4% ante janeiro do ano passado.
Já no varejo ampliado, que reúne a venda de veículos, motocicletas, partes e peças e material de construção, as vendas tiveram leva queda no volume comercializado, de 0,5% em janeiro frente ao mesmo mês do ano anterior.
Em 12 meses, o acumulado é de alta de 4,8%, mostrando o efeito do retorno de vendas de automóveis, após as paradas de plantas fabris, e a manutenção do bom desempenho de materiais.
Veículos registram forte queda de 15,2% no mês no confronto com janeiro de 2021, e elevação de 9,1% nos 12 meses. Segmento de construção também ficou no negativo, de recuo de 12,6%. Em 12 meses, a alta é de 3,6%.
Frank atenta para um detalhe mostrado pelos números do varejo ampliado no Estado. "O patamar das vendas é o menor desde março de 2021, quando houve uma explosão de internações e mortes por Covid-19", confronta o economista.  

Como foram os segmentos do varejo no País

No panorama do Brasil, o varejo ampliado teve queda de 0,3% em relação a dezembro. A média móvel foi de 0,2%. Em relação a janeiro de 2021, o varejo ampliado caiu 1,5%, sexto resultado negativo consecutivo. O acumulado em 12 meses registrou crescimento de 4,6%. Veículos, motos, partes e peças tiveram queda de 1,9% e material de Construção, de -0,3%.
No detalhamento nacional, os setores que tiveram queda foram tecidos, vestuário e calçados (-3,9%), livros, jornais, revistas e papelaria (-2%), móveis e eletrodomésticos (-0,6%), combustíveis e lubrificantes (-0,4%) e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,1%).
Por outro lado, as elevações foram verificadas em equipamentos e material para escritório informática e comunicação (0,3%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (3,8%) e de outros artigos de uso pessoal e doméstico (9,4%) tiveram resultados positivos.