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Navio com fertilizante importado poderá furar fila nos portos brasileiros
Intenção é principalmente reduzir os custos da importação, além de facilitar o acesso aos fertilizantes
O governo federal prepara uma mudança nas regras portuárias para permitir que os navios carregados de fertilizantes tenham prioridade na hora de atracar nos portos brasileiros para descarregar, num momento em que o abastecimentos desses produtos é colocada em dúvida em razão da guerra na Ucrânia.
Pelo plano anunciado no dia 18, essas embarcações poderão, se necessário, ter preferência no desembarque, furando a fila que em alguns portos dura em média quatro ou cinco dias. A intenção é principalmente reduzir os custos da importação, além de facilitar o acesso aos fertilizantes.
A estratégia foi anunciada pelo secretário Nacional de Portos e Transportes Aquaviários, Diogo Poloni, que coordenou o encontro em Brasília, que ocorre regularmente com os gestores dos portos.
Desta vez, a reunião contou também com representantes do Ministério da Agricultura e de associações das indústrias de fertilizantes, com participações presenciais e virtuais.
"O Ministério da Infraestrutura trabalha em um plano para que cargas de fertilizantes tenham prioridade no embarque e no desembarque dos cargueiros como forma de agilizar a logística do produto. Isso requer que os portos revejam seus regulamentos de exploração e editem portarias para eleger os carregamentos prioritários, já que existem regras para recepção de navios", diz o ministério, em nota divulgada na tarde desta sexta.
Na nota, o ministério chama a atenção para o fato de que a política emergencial irá no sentido contrário à prática corrente dos principais portos do mundo, segundo a qual quem chegou primeiro desembarca em primeiro lugar, exceto no caso dos navios de passageiros.
"Para isso ocorrer, uma das possibilidades é que os portos revejam seus regulamentos e editem portarias para eleger a carga de fertilizantes prioridade. A estratégia já foi usada anteriormente com navios de combustíveis na crise hídrica, durante a pandemia."
Empresas não acreditam em falta de insumo para a safra
Na feira Intermodal, encerrada em São Paulo no dia 17 de março, em São Paulo, que reuniu transportadoras, agências marítimas, fabricantes de fertilizantes e administradores de portos, o comentário era que as principais empresas do setor tinham a avaliação de que não faltará fertilizantes para a safra que começará a ser plantada em setembro. Os problemas poderão começar a partir daí, conforme o andamento da guerra.
Uma dessas empresas que teriam feito essa análise é a estatal norueguesa Yara Fertilizantes, que poderia ampliar suas remessas vindas do Canadá.
Procurada , a Yara Fertilizantes disse que não iria se manifestar sobre o ritmo das importações e perspectivas para os próximos meses.
Já a Mosaic Fertilizantes, representante da mineradora norte-americana Mosaic para distribuição no mercado brasileiro, afirmou por meio de nota que trabalha para honrar todas as encomendas anteriores ao início da guerra.
"[A Mosaic Fertilizantes] reconhece, porém, que o cenário é delicado, gera volatilidade dos preços e pesa no custo de produção e, consequentemente, na rentabilidade dos nossos produtores [rurais]", prossegue a nota.
Desembarque do produto não deverá ser represado, afirmam dirigentes dos portos
Na avaliação do superintendente dos portos do Rio Grande do Sul, Fernando Estima, que também é superintendente do porto de Rio Grande, será necessário equilibrar a estratégia à necessidade de manter o ritmo das exportações brasileiras, em especial as do agronegócio. "A ideia é não deixar represar nenhum navio com esses insumos, tentando não colocá-los em filas de espera para agilizar o desembarque e não causar mais custo nesses produtos. Mas será preciso tomar cuidado para, ao priorizar os fertilizantes, não deixar de lado as exportações de arroz, de soja e outros itens, para termos equilíbrio", diz Estima.
Para Luiz Fernando Garcia da Silva, presidente do porto de Paranaguá (PR), o setor de logística, importadoras e fabricantes de fertilizantes que usam os insumos importados, vivem uma fase de preocupação, ainda que as informações vindas da Rússia sejam por ora favoráveis. "Ainda não sentimos os efeitos da guerra. Recentemente tivemos a informação por importadores de que os embarques seguem ocorrendo normalmente nos portos russos", afirma.
Segundo Silva, em Paranaguá, o movimento de desembarque tem aumentado também em razão da antecipação das compras. "Em janeiro e fevereiro, tivemos recorde na chegada de fertilizantes, com aumento de 28% em relação ao ano passado. As vendas futuras ficaram paralisadas, e agora foram retomadas, porém com aumentos de 35% no preço", afirma.
No porto de Itaqui (MA), o desembarque segue normal. Foram recebidas 540 mil toneladas desde o início do ano, de janeiro até o dia 17 de março, com 10% desse volume vindo da Rússia. "O volume da Rússia não atingiu o patamar de 2021, mas, como ainda estamos no início do ano, isso poderá ser alcançado nos próximos meses", afirma Jaílson Luz, diretor de operações do porto maranhense.