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Sulgás investirá R$ 50 milhões em 2022 e ampliará rede em 60 quilômetros
Com planos de aportar R$ 294 milhões nos próximos cinco anos, sendo R$ 50 milhões apenas em 2022, a Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul (Sulgás) deve aumentar em 60 quilômetros a sua rede de gasodutos neste ano. Além disso, a empresa pretende fazer nesse ano novas contratações de biometano (biogás purificado). A companhia, após ter reajustado suas tarifas em janeiro (aumento médio de 27%) para repor o custo de aquisição de gás natural com a Petrobras, também passará agora por um processo que contempla as margens da própria distribuidora. O presidente do grupo, Carlos Camargo de Colón, informa que esse procedimento está sendo submetido à Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (Agergs).
Empresas&Negócios - Qual o plano de investimentos da Sulgás?
Carlos Camargo de Colón - Serão R$ 294 milhões, de 2022 a 2026. Mas, esse plano todo ano é revisado, ele não é estático, o que eu consigo olhar melhor é o plano de investimento que tenho para 2022, esse sim está fechado, serão ao redor de R$ 50 milhões.
E&N - Esses R$ 50 milhões para este ano, onde a Sulgás pretende aportar esses recursos?
Cólon - Nas cidades de Alvorada, Viamão, Cachoeirinha, Campo Bom, Canoas, Caxias do Sul, Farroupilha, Garibaldi, Gramado, Gravataí, Novo Hamburgo, Porto Alegre, São Leopoldo, Sapiranga, Uruguaiana e Lajeado.
E&N - Em que obras estará o foco dos aportes em 2022?
Cólon - Expansão de rede, ao redor de 60 quilômetros (hoje a malha de gasodutos da empresa tem 1.355 quilômetros). Mas, em Lajeado é um conceito novo, que a gente chama de rede local. Monta-se uma rede local, porém ela não estará, em um primeiro momento, ligada ao gasoduto, será abastecida por carretas que levarão o gás natural comprimido (GNC).
E&N - Quando a infraestrutura em Lajeado deverá estar operando?
Cólon - Nossa estimativa é que esteja operando no meio do ano. A malha isolada em Lajeado será de cerca de seis quilômetros.
E&N - A intenção, mais adiante, é alimentar Lajeado por gasoduto ou continuar com a rede isolada abastecida por GNC?
Cólon - Em um primeiro momento, é o GNC e o segundo momento dependerá de quanto o consumo crescerá. O conceito da rede local é fomentar o consumo em uma certa região para chegar ao patamar que justifique a criação de gasoduto. Vamos ver como isso se desenvolve, mas a expectativa nossa é que tudo seja ligado por gasoduto, é muito mais eficiente.
E&N - Há planos para expandir a experiência de Lajeado com uma rede local para outros municípios?
Cólon - Tem um projeto para Santa Cruz do Sul e estamos explorando outras áreas também.
E&N - Essa iniciativa para Santa Cruz do Sul é ainda para esse ano?
Cólon - Não, para 2023 ou 2024.
E&N - Em janeiro, foi praticado um reajuste médio das tarifas de 27% devido ao aumento que a Petrobras impôs ao gás natural que fornece para a Sulgás. Não haverá também um reajuste para remuneração dos custos da Sulgás?
Colón - Tem dois, tem a questão do reajuste da nossa margem e a do custo da molécula (do gás). Poderiam ter sido feitos simultaneamente ou separados. Nesse momento, dada à magnitude do aumento do custo da molécula, a gente achou mais prudente entregar separados (os pedidos de reajustes), para se manter uma análise muito simples e não se correr riscos de algum atraso, dada alguma análise mais complexa exigida pela Agergs.
E&N - Quando deve sair o reajuste da margem da Sulgás?
Cólon - Nós entramos com o pedido na Agergs (em janeiro) e temos que esperar a agência fazer sua análise.
E&N - Não tem uma data fixa?
Cólon - Não tem. Como a Agergs começou a regular a Sulgás somente a partir do ano passado, está sendo um aprendizado para os dois lados. Uma coisa é o reajuste de molécula, que é uma conta simples: preço do petróleo, dólar e inflação. Aqui (no reajuste dos serviços da distribuidora) é preciso analisar uma série de outros fatores como custos e volumes, não sei quanto tempo vai levar.
E&N - É possível revelar qual o percentual pleiteado pela Sulgás para o seu reajuste de margem?
Cólon - Não, nesse momento ainda não.
E&N - Quando foi feita a proposta do reajuste médio de 27% da molécula do gás para janeiro também se previa uma redução de 2,6% em agosto, essa sugestão permanece?
Cólon - A ideia é essa, mas como envolve preço de petróleo e câmbio, temos que ver como isso anda no meio do ano.
E&N - Recentemente, a Sulgás firmou com a SebigasCótica um contrato de fornecimento de biometano (oriundo de matéria orgânica e de menor impacto ambiental que o gás fóssil). O que prevê esse acordo?
Cólon - Era uma iniciativa que a Sulgás fazia tempo que queria deslanchar. São 15 mil metros cúbicos diários em uma primeira etapa (a contar de 2024), com potencial para 30 mil metros cúbicos. Tem uma boa obra de infraestrutura para ser feita ligando (a produção do biometano) aos clientes no polo petroquímico (de Triunfo). No início, o biometano vai entrar no gasoduto e se misturar com o outro gás (fóssil). Ainda estamos trabalhando em como fazer o marketing do produto e comercializá-lo separado.
E&N - A empresa pretende fazer novos contratos de biometano?
Cólon - Nós adoraríamos aumentar mais a participação de biometano. Já estamos analisando um outro projeto de biometano que espero tenhamos um contrato ainda este ano, com um volume maior do que os 15 mil metros cúbicos.
E&N - No início deste ano, a Compass Gás & Energia assumiu o controle da Sulgás que antes era exercido pelo governo gaúcho. Há diferença da gestão como empresa privada em relação a como era quando pública?
Cólon - Tem. Mas tem no bom sentido de a gente começar a poder ser mais dinâmicos em processos que já andavam bem. Muito da burocracia existente a gente está conseguindo enxugar. Não que a burocracia naquele tempo como estatal era errada, porque ali a gente tem todo um interesse público. Contudo, agora como privada, temos menos restrições, o que nos deixa mais ágeis. Esse ano será de um processo de transição interna, de pegar procedimentos antigos, olhar o que funciona e o que pode ser feito melhor.
E&N - O que faz a empresa privada ser mais ágil que uma pública?
Cólon - O período para a gente poder contratar alguém de uma maneira baseada puramente no que é melhor para o negócio se faz em um espaço de tempo mais curto. Algo que antes poderia demorar seis meses para se fazer uma licitação do começo ao fim, agora se pode fazer em metade do tempo.
E&N - Hoje, o único fornecedor de gás para a Sulgás é a Petrobras. Com a abertura do mercado desse combustível, a empresa tentará firmar contrato com novos fornecedores?
Cólon - Nós não estamos só com um fornecedor por opção. No ano passado, fizemos uma segunda chamada pública para a contratação de gás e em ambas chamadas tivemos várias propostas, ao redor de dez fornecedores, mas o problema sempre foi que ninguém conseguia garantir a entrega da molécula (gás) fora a Petrobras. O problema não é que não tem gente querendo vender, é que não tem quem consiga entregar gás aqui no Rio Grande do Sul fora a Petrobras, por causa dessa situação deles controlarem os gasodutos. Nós fizemos uma petição, junto com a Abegás (Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado), para o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) em parte reclamando disso.
E&N - Há alguma forma de mudar esse cenário?
Cólon - Enquanto a Petrobras tiver o monopólio da capacidade de transporte (de gás natural), ela tem um monopólio virtual, porque não tem como comprar de um terceiro. Não escolhemos a Petrobras porque a proposta dela, na molécula, era mais interessante que a dos outros, escolhemos porque era única que nos fornecia e não podemos deixar de atender aos nossos clientes.