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Hotéis de Porto Alegre buscam alternativas para elevar a receita durante a crise
Empresas apresentam novos modelos de negócios para reverter perdas sofridas na pandemia
Operando praticamente sem clientes, e com as contas batendo na porta após sete meses fechados, os hotéis familiares da Capital entraram no processo de se reinventar para sobreviver durante a pandemia. Com taxa de ocupação média em torno de 22% (e trabalhando com metade da capacidade, por conta dos decretos de distanciamento social), as empresas que reabriram as portas estão migrando para um novo modelo de negócio, que visa atender ao hóspede-morador.
Neste sentido, a notícia mais recente vem da Rede Master, que passou a oferecer um plano de moradia, que pode ser temporária ou permanente. Em Porto Alegre, duas unidades adotaram a novidade: o Master Express Cidade Baixa e Master Express Moinhos de Vento. O modelo também foi adotado pelo Master Curitiba, na capital paranaense. "Todas estão em bairros estratégicos", pontua a diretora da Rede Master, Lívia Trois, destacando que a estrutura de apoio vem pronta "para chegar e morar".
"Com a pandemia, a vida e os compromissos das pessoas mudaram", destaca Lívia. "Como nosso público principal é executivo - e a maioria das viagens foram canceladas neste período -, vimos a oportunidade de adaptar o negócio para este outro cenário". Na opinião da empresária, conforto, praticidade, preço e localização estão entre os atrativos do novo produto para hóspedes-moradores. O serviço envolve pacotes especiais para 30 dias e até três meses, com viabilidade de renovação.
O plano de moradia da Rede Master se assemelha ao de outras empresas do ramo que recentemente aderiram ao modelo, caso do Ritter Hotéis, localizado em frente à rodoviária da Capital. Em ambos os casos, o valor cobrado pela estadia permanente é equivalente ao preço médio do aluguel de um apartamento com um dormitório. O pacote não inclui café da manhã nem os outros serviços - que devem ser adquiridos separadamente. "A iniciativa tem sido uma alternativa de receita para enfrentar a queda de hóspedes em meio à pandemia, principalmente pela suspensão de eventos", comenta o diretor do Ritter Hotéis, José Reinaldo Ritter.
No caso do Ritter, são 130 apartamentos que passam a compor a nova estratégia. O hotel, fundado em 1974, possui duas torres. "Escolhemos a torre dos fundos para hospedagem permanente, para garantir maior privacidade e independência aos moradores", afirma o diretor da empresa. Ele destaca que entre as vantagens da moradia, está a dispensa fiador. "Não há burocracias. O hóspede pode optar por um contrato de um mês ou três, podendo renovar quantas vezes quiser." Outro diferencial do modelo é que a conta já inclui aluguel, condomínio, energia, água, internet, TV a cabo, frigobar, e segurança 24 horas. No caso do Ritter, ainda está inclusa uma limpeza semanal.
Na Rede Master, o formato de adesão à estadia também foi adaptado. "Tivemos que pensar em um nível de entrega satisfatório, mantendo distanciamento e segurança, neste sentido, o hóspede agora pode fazer sua própria reserva e check-in com reconhecimento facial", comenta Lívia. O novo produto leva o nome de Moradia Descomplicada. "Não tem burocracia, e disponibiliza tudo que o hóspede precisa para viver", reforça Lívia. Segundo ela, a ideia é buscar não somente clientes de fora da cidade, mas também fisgar moradores da cidade que queiram testar "outras formas de vida".
"É uma maneira que se tem de monetizar o hotel, e poder investir para modernizar a estrutura", avalia o presidente do Sindicato de Hotéis de Porto Alegre (SHPOA), Carlos Henrique Schmidt. "Nada impede que quando acabar a pandemia estas empresas voltem ao modelo original, até porque estão cobrando valores bem abaixo do mercado." O dirigente destaca que a ideia "é boa", uma vez que impulsiona a ocupação hoteleira na Capital. "Porto Alegre está com menos de 100 hotéis, muitas empresas estão fechando as portas." Schmidt observa que
Atendimento é uma das vantagens frente ao aluguel por temporada
Lançado em setembro, o plano de Moradia Descomplicada da Rede Master já despertou curiosidade de algumas pessoas e conquistou alguns adeptos. "Atualmente, temos dois moradores e o formato tem tido bastante consulta", comenta o gerente comercial Felipe Apolônio.
O modelo não precisou de muito investimento pelo grupo. "Fizemos o suficiente para adequar os protocolos, treinar a equipe e inserir tecnologia, pois desde março os resultados estão muito ruins em todos os hotéis", explica a diretora da empresa, Lívia Trois.
Contando com nove operações na Capital, uma em Curitiba e duas em Gramado, a rede chegou a fechar a maioria das unidades durante alguns meses. "Teve um momento onde somente três unidades estavam abertas, por uma questão social, para atender os hóspedes de segmentos da indústria médica e de transportes", recorda a diretora. Ela observa que a ideia de alugar quartos por mais tempo surgiu antes da pandemia.
"No ano passado lançamos este produto em um dos nossos empreendimentos em Gramado, focando no aluguel de temporada mais prolongada e moradia temporária para pessoas que chegam de fora para trabalhar, e ainda estão se adaptando à cidade e não querem se comprometer com um contrato de aluguel e serviços de internet, entre outros", comenta Lívia. "Com o isolamento social, decidimos expandir a ideia e otimizar alguns apartamentos de Porto Alegre e Curitiba." Por enquanto, quem tem utilizado o produto são pessoas de outras cidades, que chegam para algum projeto específico em Porto Alegre, afirma o gerente comercial da empresa.
"Achei mais vantajoso e mais em conta que o Airbnb, que não tem a mesma comodidade e segurança de um hotel", comenta o advogado trabalhista Victor Bresolin. Morador de Tenente Portela, ele precisou passar 30 dias na Capital, por conta das complicações no trabalho de parto da esposa, que estava internada no Hospital de Clínicas. "Além dos preços estarem atrativos, ficar em um hotel é menos burocrático do que alugar apartamento por temporada." Bresolin afirma que pagou em torno de R$ 89,00 as diárias. "O total foi de R$ 2,6 mil somados a um ou outro serviço adicional", informa.
O advogado, que passou por momentos delicados por conta da saúde da esposa e da filha, afirma que foi "uma surpresa positiva" encontrar moradia temporária na rede hoteleira. "Fiquei no Master Cidade Baixa, onde a qualidade do mobiliário e da internet é muito boa. Saí muito satisfeito. Pelo fato de me tornar praticamente um morador do local, acabei fazendo amizade com os funcionários", comenta. "Aliás um dos pontos altos foi justamente a cordialidade dos atendentes, no período em que estive lá."