Instituição oferece amparo social para pessoas com câncer

Associação de Apoio a Pessoas com Câncer opera em 14 unidades em todo Estado

Por Leonardo Machado

Aapecan existe desde 2005 e está voltada ao atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade social
Em 2005, um grupo de voluntários que visitava hospitais e redes de saúde notou a necessidade das pessoas com diagnóstico de câncer de terem acesso a suplemento alimentar medicamentos para os efeitos colaterais da quimioterapia e radioterapia. Em vista disso, foi fundada, em Caxias do Sul, a Associação de Apoio a Pessoas com Câncer (Aapecan) para dar suporte físico e psicológico gratuito a pessoas em tratamento oncológico.
Priorizando pessoas em vulnerabilidade social, que não podem arcar com as despesas e estadia de hospitais por morarem em outros municípios, de segunda a sexta, a Casa de Apoio de Porto Alegre oferece quatro refeições diárias, hospedagem, sala de conveniência, biblioteca e brinquedoteca para o usuário e seu acompanhante. A associação conta 14 unidades espalhadas por todo o estado, sendo 11 delas casas de apoio, atendendo a cidade e municípios próximos.
"O paciente está em casa, debilitado, às vezes ele nem consegue ir até a Associação. Muitas vezes, no primeiro atendimento, é o familiar que vem. Então a gente acaba estendendo para o familiar também para poder auxiliar essa pessoa que muitas vezes não pode vir", relata Lauriana Nardini, assistente social da entidade. Cada unidade conta com sua própria dinâmica de atividades, sendo elas, oficinas de tricô, crochê, costura, ioga e grupo de apoio comandado pelos psicólogos. Desde 2011 tem Porto Alegre como sede e atualmente, desenvolve um projeto musical que foi contemplado pela Sicredi.
Buscando conscientizar as comunidades, a instituição também faz palestras, ressaltando a importância do diagnóstico precoce no tratamento do câncer. Com isso em vista, quando é descoberto que um usuário está em estado paliativo, a instituição trabalha a questão da qualidade de vida dessa pessoa, amenizando as dores do tratamento para que ela tenha acompanhamento nos hospitais. Apesar de alguns usuários chegarem na Aapecan em estado mais avançado da doença, muitos ainda superam a doença e conseguem sobreviver.
Em relação à realidade das unidades de Porto Alegre, a maioria dos usuários chega com diagnóstico de câncer na cabeça, no pescoço, na barriga, estômago e cólon. "Muitas vezes as pessoas estão trabalhando e acabam deixando, mesmo tendo alguns sintomas", compartilha Nardini.
A associação também apoia materialmente pessoas que estão fazendo dieta enteral. Como o Rstado pode levar de 10 a 15 dias para entregar os alimentos, muitos usuários não têm condições de esperar e de comprar esses suplementos, assim acabam optando pela entidade.

Entidade busca recursos para manter seus serviços

Desde que foi fundada, em 2005, a Associação de Apoio a Pessoas com Câncer (Aapecan) já prestou auxílio a 25 mil famílias. Atualmente, nas 14 unidades no Estado, atende 4 mil pessoas. O Serviço de Acolhimento Institucional, que é feito através das casas de apoio, funciona 24h, de segunda a quinta, e até às 17h na sexta, com agendamentos. Para atendimento, a instituição fica disponível das 8h até 17h.
A Casa de Apoio de Porto Alegre, localizada na avenida Ceará, 1.260, bairro São João, trabalha com nove funcionários, entre eles, assistentes sociais, psicólogos, cozinheiros e motorista. Em relação a voluntários, no momento, estão com um grupo de 12 pessoas, que basicamente desenvolvem as oficinas.
Na parte financeira, por sobrevivem de doações, nesses últimos 2 anos eles visualizaram uma queda significativa na arrecadação. Além dos custos com os usuários, precisam lidar com a conta de luz, água e aluguel.
Como não possuem convênios e mantenedores, a Aapecan depende da comunidade para continuar com seus serviços. Para ajudar a associação, entre em contato através do número (51) 3014-9500, caso esteja procurando uma unidade em específico, eles farão direcionamento. Também é possível acessar o site www.aapecan.com.br para doações. A instituição também aceita doações de roupas, principalmente, agora no inverno.
Além disso, a partir de julho, estarão vendendo ingressos para uma feijoada, cujo valor será revertido para instituição. "Precisamos continuar com esse trabalho que é grandioso", pede Lauriana Nardini.