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Vinícola Aurora lidera o mercado nacional
Maior produtora nacional de suco de uva integral, a Cooperativa Vinícola Aurora, de Bento Gonçalves, investiu em torno de R$ 50 milhões em uma nova unidade fabril, no Vale dos Vinhedos, onde concentra a produção da bebida, atualmente responsável por 50% do seu negócio. Os sucos de uva integral produzidos pela marca representam cerca de 40% do seu faturamento. A unidade tem capacidade para até 100 milhões de litros ao ano dos diferentes produtos do portfólio. O suco tinto é o mais representativo dentre as várias categorias, com 92%. Branco e rosê, no entanto, têm mostrado potencial de crescimento ano após ano.
Em 2021, a Aurora alcançou a soma de 42 milhões de litros de sucos, com expectativa de crescer mais 5% neste ano. Em 2010, o volume era de R$ 5 milhões. Hermínio Fica na, diretor-presidente da companhia, avalia que o momento é de certa estagnação, com o consumidor mais cauteloso em função da realidade econômica por conta da inflação alta, taxa de juros crescente, oferta de empregos instável e câmbio volátil, o que interfere diretamente no consumo. "O cenário de momento nos leva a pensar em recessão no segundo semestre", projeta o dirigente.
Para ele, embora considerado um produto saudável, o suco de uva ainda não é considerado de primeira necessidade, fator que está sendo determinante na decisão de compra do cliente. Para o primeiro quadrimestre, estima empate técnico com mesmo período de 2021.
Aliada ao cenário econômico, também preocupa a situação do fornecimento de embalagens para o mercado vinícola. De acordo com Fica na, a cooperativa tem deixado de vender porque está sem produto para entregar por falta de embalagens e outros insumos. Por entender que uma solução não virá no curto prazo, a Aurora estuda, desde 2020, outras opções. Dentre elas, o uso do tetra pak, presente no leite. "É comum o consumidor associar o tetra pak ao suco diluído em água. Mas ele precisa entender que o suco integral oferecido será o mesmo das embalagens de vidro", assinala.
Em relação às embalagens de vidro, o dirigente só acredita em normalização no prazo de 18 a 24 meses, quando deve ter início a operação de novos fornos anunciado pelas fabricantes. "Tanto no Brasil quanto no exterior a oferta é baixa para atender o mercado. Mesmo operando 24 horas, todos os dias do ano", revelou.
Outra opção em uso é a embalagem em lata de 269ml para o suco gaseificado. "É uma tendência de mercado. Os consumidores estão buscando alternativas para as diversas ocasiões. As latas são leves e de descarte fácil, facilitando e ampliando o leque de locais em que pode ser consumido", observa o gerente de marketing Rodrigo Valerio. Única versão no Brasil em lata, a bebida era vendida desde 2019 somente em garrafa de vidro
O dirigente define como grande desafio a manutenção do consumo que se estabeleceu com a pandemia da covid-19. Para fazer frente a esta situação, a cooperativa abastece o mercado com três linhas de sucos de uva: Aurora integral, o de maior volume; Aurora orgânico e Casa de Bento integral. O mais recente, o orgânico, ainda tem volumes pequenos, mas com tendência de expansão. "Existe público para este produto. Neste sentido, estamos nos preparando na área industrial e, principalmente, junto ao produtor com orientação técnica", ressalta.
A bebida tem selo do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica, que certifica a composição do produto e é vendido em embalagem de um litro. Toda a linha da Aurora traz selo da Sociedade Brasileira Vegana, que confere segurança de que os sucos da marca não usam nenhum produto de origem animal e garante também que não são testados em animais.
O suco de uva também é o principal produto nas exportações da Aurora, que tem 2,5% a 3% da receita com origem no exterior. Do total exportado, 40% são do suco, tendo o continente asiático como maior destino. Dentre os entraves para a expansão estão, no momento, a falta de contêineres e navios, que elevam o custo de logística e inviabilizam operações. O cálculo é de que o frete para o exterior aumentou de cinco a vezes sobre o que era pago há 12 meses. "Esta situação tira a competitividade do produto", lamenta Ficagna, que tem a meta de, nos próximos anos, ter nas exportações de 5% a 10% da receita da companhia. A Aurora tem 1,1 mil associados e gera 540 empregos diretos. Em 2021, consolidou faturamento de R$ 746 milhões e tem como meta, para 2025, atingir R$ 1 bilhão.