Viviane Ruskowski de Azevedo escolheu a Lima e Silva para instalar o  Butcher Viviane Ruskowski de Azevedo escolheu a Lima e Silva para instalar o Butcher Foto: /CLAITON DORNELLES /JC

Porto Alegre se transforma: a boemia da Cidade Baixa flui para o Centro

A avenida Loureiro da Silva demarca o fim do bairro Cidade Baixa; mas a diversão avança para além desse limite geográfico e chega ao Centro Histórico, com uma vida noturna que fecha mais cedo e convive com a vizinhança

Com uma cozinha aberta, equipe de seis funcionários e ambientação que se assemelha aos estabelecimentos dos bairros australianos, o Butcher Burger, localizado na rua General Lima e Silva, nº 119, demarca o território da nova rota do entretenimento em Porto Alegre.
Moradoras do bairro Centro Histórico, as proprietárias Viviane Ruskowski, 32 anos, advogada, e a esposa, Bianca Bolzani, 35, pós-graduada em Marketing, oferecem um lugar intimista, longe do grande fluxo de pessoas, característica observada na Austrália, onde residiram por dois anos. "Lá, os melhores lugares ficavam longe do fluxo, onde só quem morava sabia", lembra Vivi.
A escolha do ponto veio da percepção de que o Centro Histórico tem se tornado uma alternativa para quem procura "um bairro com mais cara de bairro", salienta. Segundo a empreendedora, moradores da Cidade Baixa têm se deslocado para o Centro Histórico atrás de um ambiente menos badalado. "Acreditamos que o Butcher tem mais a cara do Centro Histórico, ao mesmo tempo que o Centro está mais com a cara da Cidade Baixa de antigamente", explica.
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 Viviane acredita que a fatia do Centro onde fica o Butcher está se tornando point de entretenimento e lazer | Foto: Claiton Dornelles/JC
Devido à localização, o local também é frequentado por hóspedes de hotéis próximos. Viviane acredita que existe um trecho que está se consolidando como point de entretenimento e lazer. Ela se baseia nos estabelecimentos dos arredores, como Void e Brechó do Futebol (confira abaixo), que ficam na rua Fernando Machado, e em como os serviços se complementam. "O pessoal sempre vem aqui antes ou depois de ir para balada, para não dar PT (perda total)", conta, entre risos.
Dos hambúrgueres à playlist que foge dos hits atuais e aposta no estilo folk e rock oitentista, tudo remete à informalidade que os negócios de bairro oferecem. "A gente imagina o atendimento sempre mais informal, sempre com muita atenção, mas que o pessoal se sinta à vontade", expõe. Esse clima tem atraído moradores de outros cantos da cidade. "Temos recebido clientes de bairros como Moinhos de Vento, Auxiliadora, até da Zona Sul", pontua. A confiança no ponto é tanta que as gurias apostaram alto: o espaço foi reformado com investimento inicial de R$ 70 mil. 
Aberto em junho de 2017, Vivi expõe uma característica comum a outros locais que veremos a seguir: "Temos recebido uma galera dos 18 aos 28 anos bem como o pessoal de 30 para cima. É bem variado", comenta.

Brechó agrega serviços de café e bar para fanáticos por futebol

Seguindo a Lima em direção à rua Coronel Fernando Machado, nº 1.180, o Brechó do Futebol reúne aficionados pelo esporte. Hoje o estoque de mais de 5 mil itens, de bonés a camisetas de diversos clubes e seleções de todo mundo, divide espaço com mesas de café e bar.
Os proprietários André Damiani, André Zimmerman e Carlos Caloghero contam que, em 2002, na abertura, o estabelecimento funcionava apenas como Brechó, no bairro Cidade Baixa. "Meus amigos iam para lá, víamos jogos, e no final ficava uma zona. Era cerveja por tudo que é lado, foi aí que propus montarmos um bar", lembra Carlos. Em 2010, quando abriram no endereço atual, incluíram o bar, que recebe torcedores servindo pizzas, chopps artesanais de cervejarias locais e aglomeração na calçada. Desde março de 2017, após ampliação, os sócios chegaram ao formato atual de negócio, que engloba brechó, bar e cafeteria.
Apesar de o ponto estar consolidado, Carlos revela que chegou ao Centro Histórico por falta de opção. "Sinceramente, não foi uma escolha. Acertamos no ponto por sorte", expõe o empreendedor que nota a diversificação de negócios no bairro. "Depois da nossa chegada muitos lugares bacanas chegaram também, mudou bastante o perfil do comércio local", analisa.

Rolezinho no alto da Borges

Mauren conta que os clientes gostam de ficar  na rua,  curtindo a vista do viaduto Mauren conta que os clientes gostam de ficar na rua, curtindo a vista do viaduto Foto: GILMAR LUÍS/JC
O viaduto Otávio Rocha, localizado na avenida Borges de Medeiros, no Centro de Porto Alegre, é um dos pontos arquitetônicos emblemáticos da Capital. As milhares de pessoas que passam dia a dia na movimentada avenida talvez não percebam o quanto a escadaria tem para oferecer. Renato Pereira Junior, 46 anos, que mora em um edifício localizado no viaduto, sempre teve um carinho pelo local, e preza pela revitalização do Centro de Porto Alegre.
Ele é proprietário do Armazém Porto Alegre que, em dezembro último, completou cinco anos. É o primeiro negócio de Renato, que dirige o bar com a ajuda dos irmãos Mauren Pereira, 42 anos, e Ronan Pereira, 29 anos. "O centro tem essa necessidade de ter um bar, uma vida mais noturna para o pessoal poder circular mais seguro. Ele quis trazer uma vida para cá", comenta Mauren. O Armazém funciona das 18h às 23h de segunda à sábado e promove aos porto-alegrenses habitar as mesinhas e contemplar a visão ampla nos altos do viaduto.
MARIANA CARLESSO/JC
Clientes do Armazém ocupam o Viaduto Otávio Rocha à noite | Foto: Mariana Carlesso/JC
Mauren é responsável pela cozinha, onde todos os pratos oferecidos não são industrializados: as massas de pizza são feitas à mão, assim como os panninis e o caldo de feijão, todos produzido no pelas mãos dela. Esporadicamente o Armazém tem algumas atrações, como música ao vivo, exposição de fotos, feirinha, entre outros. "A gente tem dois espaços internos que comportam entre 30 e 40 pessoas, mas o pessoal prefere ficar na rua mesmo", afirma Mauren.
No entanto, segundo Ronan, "falta um corredor de negócios aqui, estamos meios que isolados", reflete ele. Os dias de mais movimento no bar são terças, quintas e sextas-feiras, em função dos happy hours dos trabalhadores do Centro. Além disso, o Armazém é frequentado por turistas em visita à Capital. "Os hotéis na volta contribuem, o pessoal passa por aqui e acha interessante", afirma Ronan.

Justo: a novidade das escadarias

Não tão longe do Armazém (matéria acima) mais precisamente do outro lado do viaduto Otávio Rocha, está o Justo. O espaço gastronômico e de convivência é uma mistura de bar, padaria e espaço para coworking, que abriu suas portas em dezembro do ano passado. Além do balcão repleto de tortas e bolos, o cardápio ilustrado nos quadros-negros espalhados pela casa oferece sanduíches, pães caseiros, pizzas, porções e doces. Também cervejas artesanais, sucos naturais e uma carta de drinks compõem o menu. Das 17h30min às 23h, os ambientes permitem o público realizar atividades distintas, comportando 130 pessoas sentadas e até 300 em eventos. O Justo tem aulas de marcenaria, e frequentemente divulga em sua página no Facebook os cursos que serão realizados no local. Se quiser escolher um lugarzinho especial chegue cedo, pois o espaço lota rapidamente, ou se pode realizar reserva pelo site justo741.com.br.

Estabelecimento combina bar, lanchonete e loja de roupas

Dobrando a esquina, na rua Fernando Machado, nº 1.166, está a Void Store, estabelecimento que combina bar, lanchonete e loja de roupas. Com 10 unidades instaladas em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, recebe o público todos os dias, das 10h à 1h. Na Capital, a Void também possui uma sede no bairro Moinhos de Vento.

Cadeiras de praia na General Auto

As gurias da cerveja Macuco são fãs da vizinhança As gurias da cerveja Macuco são fãs da vizinhança Foto: LUIZA PRADO/JC
Michelle de Lara Ferraz e Fernanda Nascimento, da Cervejaria Macuco, começaram vendendo cervejas artesanais em feiras e com um tuk-tuk itinerante. Há cinco meses, no entanto, escolheram o Centro Histórico como endereço fixo para a marca, com a Sede Macuco, que fica na rua General Auto, nº 267. No coração da camada residencial do Centro. "Depois das 21h não passa uma alma viva por aqui", brinca Michelle. A não ser pelo burburinho das cadeiras de praia espalhadas na beira da rua, em frente à porta do bar - que não tem nem placa ainda. Aberta de terça-feira à sábado, a partir das 16h33min, tem dias que a sede chega a receber 60 pessoas e cumpre o teto de 50 hambúrgueres vendidos por dia. A maioria dos frequentadores são moradores do bairro. Ou melhor, da quadra entre as ruas Bento Martins e a Espírito Santo.
"A gente já conhece a maioria das pessoas pelo nome. Vem um público misto, jovens, famílias, bastante gente mais velha", conta Fernanda. Como o bar é pequeno e os clientes habitam a rua, não é raro vizinhos fazerem amizade a partir da aproximação das cadeiras. Com essa proximidade toda, o critério do horário de encerrar também é bastante rígido. "Às 22h45min passamos a saideira e às 23h fecha o bar", explica Michele. "Inclusive para manter nossa boa relação", Fernanda completa. O Centro acaba abarcando as pessoas que têm o estilo de sair cedo da noite, até as 23h ou, no máximo, 1h da manhã.
O local foi encontrado em caminhos oníricos: Michelle sonhou com uma placa com o nome da rua Sebastião Leão, que fica na Cidade Baixa. A busca pelo endereço levou ao cartaz da imobiliária onde encontraram a oferta da General Auto.
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Comentários ( 3 )
  1. tailer teilor schuzman

    que man @!$%$@ burger, general lima e silva o que bomba o bom e velho MM lanches. Se forem l sbado a noite comprovaro.

  2. Lucas

    Entre o Butch e o Brech tem o famoso MM's.

  3. Bruno

    Faltou falar do devaneio do velhaco

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