Ao empreender em um ramo diferente de sua área de formação, Nicole concilia as duas funções GE Créditos Paola Guimarães Foto: /PAOLA GUIMARÃES/DIVULGAÇÃO/JC

Paixão pelos animais leva estudante de Arquitetura a abrir pet shop em São Leopoldo

Quando a identificação com um ideal dá origem a negócios que se tornam a vida das pessoas. Conheça histórias do Vale dos Sinos com esse enredo

Nicole Guedes Pinheiro, 29 anos, de São Leopoldo, sempre quis trabalhar com animais. Sua ideia era ser veterinária. A paixão pelos bichos, no entanto, ficou um pouco distante quando foi conhecer mais sobre a profissão e também a faculdade de Medicina Veterinária, com todo o conteúdo e valores. Por um tempo, Nicole deixou de lado essa vontade, e foi então que se deparou com uma segunda paixão, a Arquitetura. Hoje, ela está no 7º semestre do curso e trabalha como freelancer, fazendo projetos para arquitetos conhecidos.
Mas não é só isso. Em dezembro de 2016, a oportunidade de ficar com os cães de uma colega de trabalho, devido a uma viagem de final de ano, despertou o desejo de empreender. "Ela procurava um lugar ou alguém de confiança que pudesse ficar com seus dois cachorros, e eu me ofereci", lembra. A estudante de Arquitetura conta que não foi preciso adaptação para os bichinhos se sentirem bem.
"Tenho cinco cachorros, dois porquinhos-da-índia e uma calopsita. Para a nossa surpresa, foi paixão à primeira vista. Não tivemos nem opção de escolha, era para ser. Eles ficaram amigos desde aquele dia", relata. E isso tomou proporções ainda maiores.
Foto: Paola Guimarães/Divulgação/JC
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O início de um sonho

A partir daquela data, Nicole começou a se organizar financeiramente para que pudesse dar o passo seguinte: fazer um curso de banho e tosa. Continuou trabalhando no comércio de São Leopoldo por mais quatro meses e fazendo a graduação à noite.
"Quando quitei minhas contas, conversei com a minha família novamente sobre o assunto da pet, e então eles se ofereceram para me ajudar e me deram de presente o curso de banho e tosa", lembra, emocionada.
Quando começou o curso, a jovem ficou impressionada com as possibilidades do mundo pet, incluindo feiras, competições, maquinários, produtos e técnicas. "Com o passar das aulas, fui desenvolvendo as técnicas e aprimorando as coisas que eu já fazia em casa. Quando dava banho nos meus, sempre quis deixar eles bonitinhos e bem arrumados, como se estivessem ido a uma pet mesmo", relata.
Após 45 dias de curso e muito aprendizado, Nicole começou a atender alguns clientes. Os primeiros foram os cachorros da ex-colega de serviço, a mesma que a havia incentivado a dar o pontapé inicial.
Apesar de saber das dificuldades que todo o negócio próprio possui, em outubro de 2017 ela começou seu projeto com o nome de Pet Shop da Tia Nick. Ela realizou seu sonho, e continua cada vez mais apaixonada pelo que está fazendo.
"Trabalhar com animais é, sem dúvida, extremamente gratificante", afirma.
Seus primeiros clientes surgiram com os animais de estimação de conhecidos e amigos, que foram passando adiante a novidade da abertura da pet shop.

Divisão de tarefas

Nicole começou a atender os clientes de quatro patas em um espaço com cerca de 15m² na sua residência. De lá para cá, relata que vêm surgindo mais clientes a cada dia. Entre os serviços feitos por Nicole estão o banho e tosa e a hospedagem de animais domésticos. Ela relata que esse trabalho é lento e desafiador, pois entende que conseguir a confiança de pessoas que têm os animais como membros da família, e não como meros bichos de estimação, é complicado.
"Mas eu acredito que esse meu amor pelos animais transpareça desde o primeiro encontro com eles, e os donos sentem isso. A gente transmite amor e confiança à primeira vista", diz.
Na pet shop, Nicole conta com o auxílio do irmão, que cuida do administrativo, e da mãe, que apoia na estruturação da empresa. Em fevereiro, Nicole começou a divulgação por meio das redes sociais, mas são poucas as ações, pois ainda não conseguiu investir tempo integral na empresa, que também precisa de fluxo de clientes.
"São apenas seis meses de negócio, e ainda não consigo me sustentar somente com esse trabalho", reforça. No entanto, a Arquitetura segue sendo uma das paixões. "Enquanto eu conseguir me dividir entre essas duas, vou fazer", revela a empreendedora, ao mesmo tempo, sem esconder a vontade de que o negócio próprio prospere. "O retorno financeiro e emocional é mais rápido e muito gratificante para mim", explica ela, que hoje reparte a rotina para cuidar das duas áreas: pela manhã, dedica-se aos trabalhos como freelancer dos arquitetos com quem tem parceria; à tarde e aos fins de semana, atua na pet shop.

Projetar o próprio espaço

A empreendedora aproveitou os conhecimentos da Arquitetura para projetar o ambiente da empresa. Ela deve ampliar o espaço que tem hoje em outras três baias para animais de pequeno e médio porte e duas para os de grande porte. Isso vai proporcionar o atendimento de mais clientes - futuramente, a ideia é contratar outra pessoa para auxiliá-la com a demanda. "Já fiz a busca de cursos no Sebrae para o desenvolvimento da empresa e espero que dentro de um ano e meio eu já esteja trabalhando somente com a pet e vivendo disso", projeta.
 
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