GE Arquivo Pessoal Milene Magnus GE Arquivo Pessoal Milene Magnus Foto: /MILENE MAGNUS/DIVULGAÇÃO/JC

Marca vegana inova em meio à indústria gaúcha do couro e do calçado

Criação de e-commerce foi uma alternativa sustentável para inserção no mercado da moda

Adotar o estilo de vida vegana é descartar qualquer exploração animal do dia a dia. Deixar de comer carne não é a única renúncia. A moda também requer um consumo responsável. Por nisso, Cecília Weiler, 21 anos, de Campo Bom, abriu a Urban Flowers, e-commerce de calçados e roupas.

A Urban Flowers

Quando iniciou sua trajetória em vendas pela internet, Cecília, com 16 anos, revendia diversas marcas em seu site, com influência do pai - que trabalha no ramo de venda de roupas. Mas, depois de entender como funcionava a produção de todas as roupas que ela revendia, a empresária buscou uma alternativa para o estilo de vida que levava.
Em meio à garagem de casa, Cecília colocou em prática os planos que tinha. Começou produzindo calçados simples. Com o crescimento da marca e o nascimento da Urban Flowers, em 2016, precisou contratar auxílio.
No berço calçadista do Estado, convencer produtores locais de que o mercado vegano é crescente e lucrativo foi difícil para a empresa.
"Imagina uma guria de 16 anos explicar para um produtor de mais de 30 anos de experiência profissional, confeccionando com couro há muitos anos, que ela quer tudo aquilo que ele não faz e que isso é rentável. Essa foi a parte mais difícil do negócio: ter que convencer pessoas mais conservadoras da região", explica Patrick Lenz, namorado e sócio de Cecília.
A busca por ateliers que atendessem suas necessidades e passassem credibilidade à direção da empresa fez com que as cidades de Sapiranga, Campo Bom, Estância Velha e Novo Hamburgo estejam juntas produzindo para a empresa.
 

Desconstruir o estereótipo

A ideia de que o estilo de vida vegano é caro tem se alastrado. "O foco da empresa é trazer produtos veganos com custo acessível, desconstruindo a ideia de que esse mercado tem alto custo", conta Patrick. Os calçados podem ser adquiridos, em média, entre R$ 89,00 e R$ 129,00. Já as roupas não ultrapassam os R$ 100,00. As camisetas estampadas da marca podem ser compradas por
R$ 49,90, no site. Muitas são as pessoas que se surpreendem com os preços oferecidos pela empresa, segundo o sócio de Cecília. Ainda assim, a qualidade do produto também é uma preocupação da empresa.
Produzidos no atelier de Marcos dos Santos, 51 anos, em Sapiranga, os calçados femininos são confeccionados por quatro funcionários. Corte de tecido, molde do solado, desenho do sapato e a finalização do calçado são os processos do atelier, nos fundos da casa de Marcos - que tem mais de 30 anos de experiência com produção de calçados. Celonir Castro, 67 anos, e Aristeu Pereira, 58, são funcionários de Marcos desde o início da parceria com a Urban Flowers. Cláudio Oliveira, 63, há um ano também atua na fabricação das peças sustentáveis. Ambos trabalhavam com calçados antes de ingressar no atelier. "A gente percebe que ajuda a reciclar os tecidos. Muita coisa que iria fora, estragaria dentro de grandes empresas, nós conseguimos produzir os calçados. E o pessoal está se preocupando mais, né? Tu vê vários potinhos de ração para cachorro espalhados pelas ruas. Eu acho legal", conta Marcos dos Santos, proprietário do atelier de produção dos calçados da Urban Flowers.

Expansão da marca

A ampliação da marca já é uma expectativa da direção da empresa. Bolsas, mochilas, carteiras e afins são produtos estudados para serem lançados nas próximas temporadas. A produção das bolsas, entretanto, já começou com pretensão de lançamento breve. "Nós queremos fazer um teste com os clientes para ver como seria a venda de outros produtos", revela Patrick.
Cerca de 30% dos clientes da empresa estão ativos na plataforma online, espalhados por todo País.
Ainda com a expansão da marca, a Urban Flowers também tem a responsabilidade de auxiliar e investir em pequenos produtores, segundo Eduardo Weiler, pai de Cecília.
"Nossa preocupação é de, mesmo com o crescimento da marca, não buscar uma produção excessiva."
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