Rotas temáticas ajudam a reter visitantes no Rio Grande do Sul

Rio Grande do Sul já possui 19 associações de municípios que integram roteiros turísticos com atrativos em comum

Por Adriana Lampert

Árvore-símbolo da rota, plátano faz parte do cenário da região
Para satisfazer as exigências da procura turística na conquista de novas experiências, diversos municípios e regiões têm investido na criação de rotas temáticas, buscando reter os visitantes por mais tempo. Práticas cada vez mais frequentes, as rotas já respondem por 19 projetos no Estado e têm o incentivo do Ministério do Turismo (MTur), com orientação da Organização Municipal do Turismo (OMT). "Ao mesmo tempo que oferecem ao visitante temáticas de interesse em comum, facilitam o acesso a outras atrações e locais", explica o coordenador-geral de Produtos Turísticos do MTur, Cristiano Borges.
Ao oferecer a acessibilidade de deslocamento e a gestão de recursos, otimizando o tempo de estadia, para que os visitantes possam desfrutar dos momentos de lazer, as rotas também facilitam a venda dos destinos, destaca o gestor do MTur. "Ter uma definição de um tema para que sirva de objeto de atração para o turista é estratégico", explica. Ele recorda que, entre 2004 e 2013, ocorreu estímulo do governo para a criação de roteiros e associação dos municípios em regiões turísticas.
Nesse embalo, o Rio Grande do Sul aumentou o número de rotas temáticas e, hoje, conta com, pelo menos, 19. Asfaltadas, com sinalização turística, empreendimentos equipados com infraestrutura completa, as mais famosas incluem roteiros dedicados à degustação de vinhos, cerveja, salames e produtos coloniais. Há, também, a Rota Romântica, uma das mais antigas e que inclui 14 municípios (em um corredor que vai de São Leopoldo a Gramado), cujo principal atrativo são as belezas naturais.
"O benefício que as rotas proporcionam é o aumento das vendas no comércio e a divulgação dos nomes das cidades, que se unem e suprem em infraestrutura o que uma ou outra não tem", resume a vice-presidente da Associação da Rota Romântica, Terezinha Hass. Ela destaca que, ao escolher uma rota, as pessoas não têm ideia do limite dos territórios. "A vantagem é que não ficam limitadas a um ou outro município. E, no caminho, vão consumindo inclusive de pequenos vendedores situados na estrada, a exemplo de colonos que vendem pães e cucas."
Para estabelecer uma rota, existe uma série de critérios e questões - como os tipos de produtos turísticos, a possibilidade de acesso e os preços de hotéis e serviços oferecidos de forma organizada, destaca Borges.

Caminhos da Neve precisa de asfalto em trecho

Proprietário de uma loja de vestuário localizada na RS-110 entre Bom Jesus e o rio Pelotas, o comerciante Jaziel de Aguiar Pereira sonha com o dia em que parte da estrada localizada na divisa com Santa Catarina será asfaltada. "Vai dobrar o movimento de carros", justifica Pereira, à frente da coordenação do Grupo da Rota Caminhos da Neve, sancionada em abril pelo governador do Estado, José Ivo Sartori.
O caminho interliga a BR-285, no Rio Grande do Sul, com a BR-282, em Santa Catarina, unindo 15 cidades das serras gaúcha e catarinense, e é defendido pelo grupo como um importante atalho logístico para o escoamento de produtos como a maçã - e agora também como rota turística. "Somente na frente da minha loja, passarão mais de 2,5 mil carros por dia. A rota irá fomentar o comércio, os meios de hospedagem, os serviços de alimentação, os postos de combustíveis e os profissionais do trade.
Reivindicação do setor desde 1993, o objetivo da Rota Caminhos da Neve é interligar Gramado a Florianópolis pelo trajeto mais curto, com pouco mais de 400 km. No local, já existe uma série de atrativos, como parques, museus, cachoeiras, trilhas, cânions (dos Aparados da Serra), hotéis, pontos de vendas de artesanato e diversos tipos de comércio, a exemplo de postos de combustíveis. "Empreendimentos dos dois estados já faturam com produtos e serviços relacionados ao frio", comenta Pereira. Mas, segundo ele, o turismo só acontece, de fato, quando tem infraestrutura - precisamos de asfalto para ligar Bom Jesus (RS) e São Joaquim (SC). No caminho, o turista passa, também, por Nova Petrópolis, Gramado, Canela, São Francisco de Paula (RS), Urubici e outros municípios do estado vizinho.
O grupo tem trabalhado para federalizar a Rota Caminhos da Neve, unindo as estradas. O projeto foi vetado no mês passado pelo presidente Michel Temer. O valor necessário para asfaltar o trecho sem pavimentação, segundo Pereira, é de R$ 100 milhões. "Quando se fala em uma rota turística, a ferramenta principal é o asfalto. Quem tem isso tem quase tudo", justifica.