O bar Paraphernalia está sob nova direção
Na foto: Lico Silveira O bar Paraphernalia está sob nova direção, com Ricardo e Lico Foto: MARIANA CARLESSO/JC

O que fizeram empreendedores que assumiram negócios de outras pessoas

Os desafios e as vantagens de assumir uma empresa em andamento

Algumas teorias de Marketing indicam a necessidade de dar uma repaginada no negócio de tempos em tempos, seja para acompanhar uma tendência de mercado ou para recriar o produto para atrair novos clientes. Só que alguns gestores dizem chegar no limite da criatividade, então o jeito é passar a empresa adiante, processo pelo qual passou o bar Paraphernalia, do bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre.
O dono Estevan Salazar, 48 anos, decidiu, de forma estratégica, entregá-lo às mãos de Ricardo Gagliardi, 32, e Lico Silveira, 45 - embora continue como sócio. O desafio dos novos administradores era oxigenar o estabelecimento e manter a sua essência.
Desde dezembro de 2017, o local, que, há 15 anos, compõe o acervo de opções da noite da Capital, teve suas principais mudanças na iluminação, no layout e na ampliação do palco, tudo para garantir que todas as noites tivesse um show programado. "Um dos efeitos que precisávamos causar era o impacto visual", analisa Ricardo. "Afinal, qual é a principal atração de um bar que toca música ao vivo?"
A dupla entende que as mudanças são necessárias para acompanhar os hábitos de consumo. "Antigamente, as pessoas viam uma porta de bar aberta e entravam. Hoje, temos quase que buscá-las em casa", analisa Ricardo, que possui uma empresa de consultoria de vendas e atendimento focada em academias. "Se as mudanças não acontecessem, a casa poderia fechar", reflete ele.
Lico, que é músico, cantor e compositor, ficou responsável pela agenda de shows. Ele realiza projetos de música autoral há nove anos. Agora, na direção do bar, lançou o Território Autoral, iniciativa que abre espaço para artistas independentes apresentarem suas composições. "É um modo de manter movimentada a cena autoral vigente na cidade, que está muito criativa", afirma. E garante: "Não tem preconceito de gênero musical. A música só tem que ser boa".
Inicialmente, foram investidos cerca de R$ 22 mil pelos novos proprietários, e, até a implementação de todas as alterações, os sócios pretendem aportar mais R$ 15 mil. Mas nem todo o valor foi para onde os refletores apontam.
Tão importante quanto o palco, o backstage exigiu investimento. Treinamentos de operação da mesa de iluminação e de sonorização entraram na roda, afinal, a experiência completa faz parte do show. Outra parte da verba foi para a Comunicação. Segundo Ricardo, "não adianta fazermos todas essas mudanças sem ter gente para ver e falar para as outras pessoas". No cardápio, foi incorporada a fórmula "menos pratos, mais qualidade". "De 29 opções, fomos para 12. Isso facilita até para os clientes não caírem na indecisão", entende Ricardo.

Mudar o relacionamento com o cliente é preciso

Entrevista sócios da Soliv Ferragens Entrevista sócios da Soliv Ferragens Foto: /FREDY VIEIRA/JC
Tão necessário quanto oferecer um produto ou um serviço de qualidade, as marcas tendem a trabalhar cada vez mais o relacionamento com os clientes. Assim entende a nova direção da Soliv Ferragens, formada por Alex Santos da Silva, 38 anos, e Rodrigo Facioli Oliva e Rogério da Silva Oliveira, ambos de 42.
E a certeza de que as energias estão direcionadas para o ponto certo vem através dos números. "Triplicamos a venda do antigo estabelecimento", garante Alex.
No mesmo ponto da empresa, que fica na rua Santana, nº 759, funcionou, durante quatro anos, outra ferragem.
Os sócios decidiram manter-se no segmento e continuar abocanhando a demanda criada pela direção anterior.
A troca de gestão ocorreu em setembro de 2015, e, desde então, o trio vem trabalhando em melhorias. "Trabalhamos a sinalização do estacionamento, pois isso é um diferencial", entende Rodrigo. "Também mudamos a fachada para que ficasse com uma identidade nossa", completa.
Houve, ainda, a otimização das vitrines e a disposição dos produtos por segmento. E o projeto de dar cara nova não acabou.
Há trabalho a ser feito. Se colocar em uma lista, não chega à metade do que planejaram. Mesmo assim, calculam que já foram investidos, aproximadamente, R$ 100 mil em reformas. "Mas sempre respeitando o fluxo de caixa", adverte Alex.
Para acompanhar as soluções impostas pela tecnologia, os empreendedores desenharam estratégias para o pós-venda e para redes sociais. "Contratamos uma funcionária específica para trabalhar no relacionamento das redes", conta Rodrigo.
Para diferenciar a experiência do que os clientes encontravam no passado, em meio às prateleiras distribuídas no salão de 88 metros quadrados, há um frigobar com cervejas artesanais. Segundo eles, essa é uma forma de estreitar a relação.
E, para abranger um público mais variado, o leque de opções de produtos foi ampliado. "Antes, (eram vendidos) apenas elementos para o pesado da obra. Agora, temos ofertado itens para acabamentos de reformas também", conta Alex.

Hair Home Bar

O jornalista Daniel Bittencourt comprou bar que frequentava na Capital O jornalista Daniel Bittencourt comprou bar que frequentava na Capital Foto: /fotos FREDY VIEIRA/JC
O Hair Home Bar funciona há quatro anos na Kaza Zamper, no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre. Idealizado pelo empresário Leo Zamper, agora, está sob a maestria de Daniel Bittencourt e Diana Perim. 
Após entrar em recesso no fim do ano, no dia 9 de janeiro, reabriu sob nova direção. Daniel é jornalista e viu na empreitada uma oportunidade para trilhar novos rumos. E com a sensação de estar em casa, uma vez que era cliente do local e amigo do ex-dono.
"Ele estava com outros projetos e planos, resolveu mudar de negócio, colocou à venda e ofereceu para mim e para a Diana", detalha.
Da mudança de direção, vieram alterações no cardápio e no ambiente. Foram adicionados mais drinks, tornando o empreendimento um "bar drink". Foi criado até um espaço exclusivo para a produção das bebidas.
"Chamamos uma bartender, a Pamela Leseux, que fica responsável só por essa parte", comenta Daniel, destacando os sabores autorais.
"Estamos dentro de um salão de cabelos, e o nome do bar é Hair, então montamos uma carta de drinks com nomes de cortes, como Chanel, Black Power e Pigmaleão. Há também os com marcas de tinturas", diverte-se o empreendedor.
"A gente deu um up meio geral. Demos uma ajeitada no pátio, na decoração e no sistema de iluminação", comenta Daniel. O resultado dessas mudanças foi a partir de um investimento de R$ 30 mil.
Os novos sócios apostaram, ainda, em eventos próprios ou fechados, como despedidas de solteiro, chá de casamento, aniversários e formaturas. Segundo Daniel, as ações estão surtindo efeito: o movimento aumentou nos últimos meses.
"Estamos recebendo um público que nunca frequentou a casa e que passou a vir aqui recentemente. Então, a resposta é positiva", considera.
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