O ex-tenista é o embaixador da Neoway O ex-tenista é o embaixador da Neoway Foto: /NEOWAY/DIVULGAÇÃO/JC

'O ordinário constrói o extraordinário', diz Guga

Ex-tenista palestrou em evento de tecnologia na sua cidade natal

*De Florianópolis
Gustavo Kuerten (Guga), 41 anos, considerado o maior tenista do Brasil, com três conquistas do Roland-Garros, virou embaixador da empresa catarinense Neoway, que trabalha com inteligência de dados. Na semana passada, ele deu uma palestra durante a conferência anual da companhia, no hotel Costão do Santinho. Em sua fala, lembrou do papel do pai em sua vida e de sua morte inesperada, quando Guga tinha apenas oito anos. Seu Aldo construiu uma quadra de tênis em casa para o filho num período em que poucos brasileiros davam atenção ao esporte.
Há até pouco tempo, Guga acreditava que o pai era um sonhador, mas hoje percebe que foi, na verdade, um visionário. "O pai não pensava que eu ia ser campeão, me via campeão", entende, fazendo uma comparação com o foco que se deve ter na hora de empreender. Segundo ele, o cenário - no caso, a quadra - foi armado para que ele desenvolvesse sua performance. Guga ressaltou, ainda, que não se conquista nada da noite para o dia. "O ordinário constrói o extraordinário", salientou à plateia de empresários.
Nesta entrevista, Guga faz mais comparações entre os desafios de quem tem um negócio e o que é preciso enfrentar nos campeonatos esportivos.
GeraçãoE - Como tua experiência de atleta pode inspirar empreendedores?
Gustavo Kuerten - No tênis, somos incumbidos de uma simples questão: resolver problemas, encontrar soluções, é isso que a gente se dedica a fazer. É como se fosse uma empresa. Pelo menos, durante aquele tempo, de duas a três horas por dia, por muitos anos, ela depende das decisões daquele agente. E tem que se fazer coisas tranquilas, normais e corriqueiras, de direita e esquerda. Mas, além disso, é preciso pensar "e agora, o que invento?", "meu adversário está começando a fazer diferente, jogo mais rápido, devagar?", "estou cansado, faço de conta que estou bem?". É todo um movimento e gerenciamento de dados que fica constantemente na cabeça para tomar uma decisão precisa. 
GE - Ao passar dos anos, isso vai ficando mais fácil?
Guga - Com o tempo, a gente aprende com a experiência, e até com a sofrência, a ver o que funciona melhor. 
GE - Que evolução o tênis passou nos últimos anos?
Guga - Hoje, o tenista navega com oito a 10 pessoas a seu entorno para poder ter uma informação muito grande e uma quantidade gigantesca de dados seus. Isso faria total diferença na minha carreira, pois é muito mais fácil evitar uma lesão, dar longevidade. 
GE - Falando em pessoas, qual a importância das equipes?
Guga - Oito a 10 profissionais dissecam tudo que existe. Fisiologia, nutrição, fisioterapia, preparação física, técnica, psicologia. Eles discutem para entregar ao jogador. Aí, sim, ele navega aquela informação toda dentro da quadra. A gente depende de outras pessoas, mesmo que tomando a maioria das decisões de uma forma mais individual. Parece que estamos sozinhos dentro de quadra, mas a ideia é trazer mais gente para lá, inclusive a torcida, para ganhar capacidade. 
GE - Em quanto tempo é possível se tornar um campeão?
Guga - Em toda trajetória de sucesso, o caminho é similar. Não tem como ultrapassar etapas e fazer atalhos mirabolantes. São 15 ou 20 anos de dedicação para começar a saborear o sucesso, a ter grandes conquistas. Apesar de que é possível viver isso aos poucos, a encontrar o gosto e satisfação nos pequenos passos também. Isso dá fôlego para conseguir chegar lá na frente e levantar um grande troféu.  
NEOWAY/DIVULGAÇÃO/JC
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