Maristela narra a história da colonização de Gramado no Moinho Cavichion, construído por seu bisavó em 1920: 'dá para entender como era a colônia' Maristela narra a história da colonização de Gramado no Moinho Cavichion, construído por seu bisavó em 1920: 'dá para entender como era a colônia' Foto: /Mauro Belo Schneider/Especial/JC

A Serra continua a mil no verão

Empreendimentos apostam na temática rural para atrair quem não vai à praia

É bem verdade que, no verão, o Litoral desbanca qualquer outro destino turístico. E isso, por vezes, acaba gerando congestionamento nas estradas. Quem é avesso à movimentação intensa tem a Serra como alternativa. Com um detalhe: dá para explorar uma rota diferente, a rural. Bora lá?
Na Linha Bonita de Gramado, longe do Centro e da famosa Rua Coberta, o ganha-pão da família de Maristela Cavichion, 52 anos, desde o tempo de seu bisavô, nascido na Itália, se dá a partir do Moinho Cavichion. O local recebe turistas que viajam através das histórias sobre colonização contadas por ela em uma narrativa cheia de interpretações e mudanças de sotaque.
O imóvel de pedras e madeira, construído em 1920, também abriga uma loja para venda de sucos, biscoitos, geleias e canecas. Por ano, ela calcula que cerca de 10 mil pessoas passem por ali, mediante visitas agendadas com agências de turismo da cidade ou pelo site www.raizescoloniais.com.br. "É renda que na roça não se ganha", compara.
O período de maior fluxo no negócio da família Cavichion é durante a programação do evento Natal Luz e nas férias de julho. Para atender à demanda, a mãe de Maristela, Acélia, 74, ajuda no atendimento.
"A gente passa a história do tempo sem luz elétrica, para que as pessoas entendam como era viver na colônia", descreve Maristela. A empreendedora orgulha-se em saber que alguns visitantes de outros estados voltam várias vezes a Gramado, tamanho o encantamento.
A poucos metros do Moinho, na mesma Linha, fica outro empreendimento histórico para a cultura gaúcha, a Ervateira. Por mais de 20 anos, o local foi uma fábrica artesanal, até que a vigilância sanitária impediu a produção, uma vez que, atualmente, as técnicas manuais que fazem uso do pilão de madeira não atendem aos requisitos estabelecidos.
O ponto, agora, embala erva, serve de atrativo turístico e de loja para as frutas-passas e desidratadas produzidas pela empresa - vendidas com a marca Natural de Gramado. "A de bergamota vai até para o Rio de Janeiro", alegra-se uma das proprietárias, Similda Marcon, 57, enquanto ensina a preparar o chimarrão e tenta convencer a roda de turistas, com brilho nos olhos, que não existe lugar melhor para se estar.

Vinícola Cainelli proporciona imersão na cultura italiana

No segundo andar do negócio, comandado pela família de Roberto Junior, há um museu com 120 peças de imigrantes No segundo andar do negócio, comandado pela família de Roberto Junior, há um museu com 120 peças de imigrantes Foto: Robson Hermes/Especial/JC
Ocorreu, em janeiro, a abertura oficial da Estação Vindima, temporada de colheita das uvas, em Bento Gonçalves. Durante esse período, a comunidade de negócios local se engaja para que o destino receba o máximo de visitantes.
Entre esses negócios está a Vinícola Cainelli, empresa familiar sob o comando da quinta geração. O empreendimento faz parte da rota Fascínios da Vindima e oferece a experiência de imersão na cultura vinícola. Roberto Cainelli, 65 anos, economista; Bernardete Cainelli, 55, professora de matemática; e Roberto Cainelli Junior, 28, enólogo, administram tudo.
Roberto Cainelli é um dos 11 filhos do primeiro proprietário das terras e segue a tradição de tocar o projeto do pai, vindo da Itália em 1985. Roberto Junior se formou técnico em Enologia, em 2008, e Tecnólogo em Viticultura e Enologia, em 2012, pelo Instituto Federal do Rio Grande do Sul, em Bento Gonçalves. Embora tenha buscado essas capacitações, revela que não tinha a intenção de seguir o negócio da família.
"Iniciei minha formação porque gostava da área mesmo. Não foi pensando no nosso negócio. Até porque estávamos engatinhando", afirma.
Os visitantes podem colher uvas e desfrutar do "merendim", uma refeição que os pioneiros realizavam em meio aos parreirais durante a colheita. Nos seis hectares da propriedade, são colhidas aproximadamente 105 toneladas da fruta. Dependendo da safra, a marca fornece a outras vinícolas ou compra de terceiros para a elaboração dos 10 tipos de bebidas próprias, entre vinhos e espumantes. Além dos três proprietários, quatro funcionários atendem os cerca de 7 mil visitantes anuais.
A visitação se iniciou, segundo Roberto Junior, em 2007, quando o turismo na região de Bento Gonçalves começou a ser mais explorado. No mesmo ano, foi montado um museu no segundo andar da loja. O ambiente possui 120 peças que pertenciam às primeiras famílias vindas da Itália. Bernardete ressalta que a maioria das peças presentes no espaço são advindas de doações de pessoas dispostas a se desfazer dos itens. O passeio autoguiado, com degustação, custa R$ 10,00 por pessoa, e dura, aproximadamente, 40 minutos.
O roteiro que inclui a colheita da uva, pisa e merendim sai por R$ 100,00, com 2h30min de programação. Ainda tem opção de passeio de tuc tuc e piquenique.
A Vinícola Cainelli abre o ano inteiro, das 9h30min às 17h30min, e fica no Vale do Rio das Antas.

Um parque que conta a história da imigração

Epopeia Italiana recebe 300 mil visitantes ao ano Epopeia Italiana recebe 300 mil visitantes ao ano Foto: SERGIO AZEVEDO/DIVULGAÇÃO/JC
O parque temático Epopeia Italiana proporciona aos visitantes a experiência de acompanhar o cotidiano dos imigrantes italianos na época de 1875, ano-chave que marcou a chegada dos primeiros italianos ao Brasil. O empreendimento, que fica na rua Visconde de São Gabriel, 507, bairro Cidade Alta, em Bento Gonçalves, passou por uma reformulação no ano passado.
Com, aproximadamente, 300 mil visitantes anuais, nove cenários retratam a vida na Itália, a viagem ao Brasil e a adaptação no novo continente. A volta ao passado é conduzida pelos protagonistas Lázaro e Rosa. O casal faz uma romantização da história. "Queríamos algo novo, com olhar diferenciado, com emoção", conta a diretora da empresa de Turismo Giordani, Susana Tercila Giordani.
Para a revitalização, de cerca de quatro meses, a empresa gaúcha D'arte Multiarte, que trabalha com concepção, criação e execução de espetáculos e cenografias, foi contratada. A implementação do projeto passou por todas as etapas do Epopeia Italiana, desde o atendimento aos visitantes em seu primeiro contato até a criação de novos roteiros.
A visita ao parque tem duração de 45 minutos e está incluída na compra do passeio de trem na Maria Fumaça, da Giordani Turismo, ou pode ser adquirida individualmente por R$ 35,00. Funciona das 8h às 17h45min, de terça-feira a domingo, o ano todo.
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