Caroline e Tiago Nicoloso, da True Colors, fazem peças de crochê e vendem em feiras pelo Rio Grande do Sul. No fim deste ano, abrirão uma loja física colaborativa na Capital Caroline e Tiago Nicoloso, da True Colors, fazem peças de crochê e vendem em feiras pelo Rio Grande do Sul. No fim deste ano, abrirão uma loja física colaborativa na Capital Foto: / JONATHAN HECKLER/JC

Bolsas para todos os gostos

Empreendedores do Rio Grande do Sul investem em cores e materiais diferenciados na produção dos acessórios

A partir de suas produções de crochê, Tiago Oliveira Nicoloso, 39 anos, de Porto Alegre, criou a marca True Colors - Fios, Agulhas e Ideias, em novembro passado. O portfólio conta com carteiras, itens decorativos e bolsas. Deste último produto, são quatro modelos, com valores entre R$ 60,00 e R$ 220,00. Os acessórios chamam atenção pela combinação de cores vibrantes. A irmã dele, Caroline, 35, é parceira na empreitada.
A ideia de virar empreendedor veio depois que Tiago, mestre em Geografia, foi demitido. Ele trabalhava como supervisor de uma corretora de câmbios do aeroporto Salgado Filho, que parou de funcionar devido à crise. Em decorrência do episódio, Tiago começou a pensar em alguma atividade que lhe desse prazer e renda. Foi aí que redescobriu uma paixão adormecida: o crochê. Quando pequeno, ele era uma criança hiperativa e sua tia, artesã, lhe ensinou a lidar com a técnica e com tricô como forma de terapia.
Para deixar para trás a trajetória de funcionário e apostar em algo próprio, foi preciso coragem. Sentimento que Tiago aprende no Budismo. "Quando pensei em trabalhar com isso, a primeira coisa que me passou na cabeça é que não daria certo porque ainda não tinha tudo planejado", lembra o artesão. "No budismo, porém, vi que era preciso ter calma, não colocar todas as minhas expectativas em cima de algo e que tinha de tentar", relata.
O material usado nas bolsas é cordão de polipropileno, um tipo pouco usado por quem trabalha com crochê. "Geralmente, usa-se fio de malha, essas mais tradicionais. Então, de início, esse era o diferencial", explica Tiago. E a escolha da matéria-prima foi logo aceita pela clientela. "Como é sintético, pode sujar e é fácil de lavar, o que vira um ponto positivo, se comparado com outros tecidos. Mais resistente, a manutenção é fácil", descreve.
O exemplo de Tiago no mercado de bolsas prova que saber ouvir o retorno das pessoas é essencial para as vendas. Os primeiros modelos, por exemplo, eram em formato de sacola, mas a demanda era outra. "Os clientes pediam que as peças tivessem forro, fecho e, então, tive de pedir para a Carol me socorrer", lembra ele, sobre a chegada da irmã.
  JONATHAN HECKLER/JC
Caroline, que já trabalhava com patchwork, fica responsável pelos acabamentos. Toda parte de costura de confecção de forros é feita na máquina, mas a aplicação na bolsa, toda manual.
Segundo os irmãos, os meses iniciais, novembro e dezembro, foram determinantes. "Como era perto do Natal, o pessoal pedia muito para dar de presente e tinha muita gente querendo levar as bolsas para a praia também", comenta Tiago. Em seguida, vieram janeiro e fevereiro, e a procura baixou. Ou seja, souberam de cara que existem ciclos de consumo.
A experiência credencia Tiago a compartilhar seus aprendizados. O artesão dá aulas de crochê na casa Hermosa Novelaria, na Zona Sul da Capital. E, para quem está se perguntando, sim, ele já passou por situações incômodas por ser homem e trabalhar numa atividade, normalmente, vinculada a mulheres. "Já fui barrado de feiras por fofoca, por panelinha, pelas pessoas se incomodarem por eu estar nesse meio", expõe. Caroline confirma. "Quando estamos em alguma feira, as pessoas chegam para elogiar o trabalho e vêm até a mim. E eu sempre falo: 'não sou eu que faço, é ele'", diz ela. Mas isso não é impeditivo nenhum. Tanto que no fim do ano a True Colors vai crescer: abrirá uma loja física colaborativa. "A gente está vivendo um momento em que a palavra de ordem é cooperação. Se tu não te alias às pessoas, seja simplesmente para apoiar ou para ajudar, tu não consegues ir para frente", avalia Tiago.

Modelos com resíduos de madeira e couro

Antônio Crestani faz as peças de forma manual e vende no e-commerce da Sta. Spalla, de Canoas Antônio Crestani faz as peças de forma manual e vende no e-commerce da Sta. Spalla, de Canoas Foto: /MARIANA VIEGAS/DIVULGAÇÃO/JC
Após Antônio Crestani, estudante de Design da Ulbra, e Pâmela Oliveira, jornalista, criarem um negócio que consistia em produzir mochilas universitárias com couro excedente da indústria automobilística, a aposta agora é investir em outro material. A Sta. Spalla, de Canoas, lançou recentemente modelos de bolsa que incluem também madeira de reflorestamento na sua concepção. O nome da linha é Raízes, e os preços variam entre R$ 200,00 e R$ 400,00.
A nova proposta da coleção é composta por três modelos: Tice, Dora e Viga. E o ciclo de sustentabilidade não termina no produto que chega às mãos dos consumidores.
Os resíduos de madeira das peças viram colares, vendidos por R$ 70,00. O conceito que está se firmando na empresa é uma conquista pessoal para os sócios. Eles sempre tiveram a ideia de ter um negócio que não trabalhasse com um único produto.
"O couro e a madeira têm por trás o background social, sustentável, consciente. No futuro, de repente, estaremos trabalhando com outro tipo de material", projeta Pâmela.
A fabricação das bolsas fica por conta de Antônio, que, por incentivo do pai, gosta de trabalhar com marcenaria. O processo de lixa, costura e corte do couro foi lapidado na prática.
As bolsas levam entre 7 e 12 horas para serem produzidas, dependendo do modelo. Pâmela é responsável pela divulgação da marca, redes sociais, imprensa, entre outros serviços.
Os feedbacks, segundo a dupla, estão sendo positivos. "Há mensagens de pessoas que pensam pelo lado social e sustentável, que têm essa preocupação com o que estão consumindo, e das pessoas que não se importam com isso e acham o produto bonito por si só", diz Pâmela.
Os clientes da Sta. Palla, constantemente, comparam a estética do produto com os que vêem na Europa. E o nome da marca já chegou por lá, inclusive. "A gente teve feedbacks de pessoas de fora. Moradores de Londres entraram em contato para representar a marca lá, e a gente está analisando", pondera ele.
Como a Sta. Spalla tem em sua missão o comprometimento com o meio ambiente, as bolsas têm uma porcentagem do valor de venda destinada para a Organização Não-Governamental (ONG) Iniciativa Verde, focada na recomposição florestal de áreas nativas que foram degradadas.
"A madeira que a gente replanta, destinada ao reflorestamento, é muito maior em quantidade do que a que gente usa na bolsa. Plantamos uma árvore inteira e não usamos nem metade", salienta a sócia. O casal acredita que pensar na questão sustentável não é um diferencial, mas sim obrigação atualmente. Pâmela salienta que "as pessoas, as empresas, as marcas e a indústria têm de começar a atentar para estas discussões, porque isso é uma necessidade".
Há, ainda, uma preocupação dos sócios em valorizar os pequenos produtores. As embalagens, por exemplo, são feitas por costureiras do bairro onde moram.
"Em vez de a gente levar para uma grande linha de produção, que até o custo seria menor, procuramos valorizar essa mão de obra local", ressalta o designer.
A coleção Raízes, conforme descrição do site, "celebra o encontro de duas matérias-primas tão antigas quanto a humanidade em uma conversa sempre contemporânea sobre o reinventar. A si e ao entorno".
Como o desenho dos veios nunca se repete, não há duas bolsas iguais. Cada peça é única. "Assim como o couro, a madeira é criteriosamente selecionada. Usamos apenas as que possuem autorização de uso e são fornecidas por estabelecimentos fiscalizados pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)", salientam.
A empresa tem Certificação de Sustentabilidade do Couro Brasileiro (CSCB) e Selo da Leather Working Group (LWG).

Opções daqui, mas com a cara do Peru

Tecidos são trazidos do país sul-americano e adaptados pela Moki na Capital Tecidos são trazidos do país sul-americano e adaptados pela Moki na Capital Foto: /moki/DIVULGAÇÃO/JC
Iniciaram as pré-vendas da Moki, marca de bolsas criada por Muriell Custódio Krolikowski, formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs), e Grabriela Ehlers Mota, formada em Moda pela Feevale. A aposta é o estilo peruano em todos os aspectos.
A primeira coleção leva o nome de Essência Peruana. As bolsas são feitas de modo artesanal, com tecido trazido do país sul-americano por Muriell e com uma camada impermeabilizante. O acessório é comercializado pelo site www.modamoki.com.br. Há entrega para todo o País.
A Moki foca em moda feminina e pretende transmitir a cultura dos outros países vistos pelos olhos das sócias. As peças, inclusive, são produzidas por elas mesmas.
O material foi descoberto após Muriell viajar para o destino e se encantar pelos tecidos coloridos. De volta a o Brasil, ela trouxe quantidade de matéria-prima suficiente para lançar as primeiras bolsas.
Por terem poucas unidades, os acessórios são exclusivos.
O tecido, tradicional do país andino, é feito da pelagem de três animais: lhamas, ovelhas e alpacas. O preço é de R$ 150,00 a unidade.
 
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