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Porto Alegre, sexta-feira, 08 de setembro de 2017. Atualizado às 16h44.

Jornal do Comércio

Expointer 2017

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Pecuária

Notícia da edição impressa de 04/09/2017. Alterada em 03/09 às 20h15min

Carne gaúcha tem o desafio da preservação

Elen e Marcelo, que atuam em etapas cruciais da cadeia produtiva, participaram do programa de webvídeo Leite com Café

Elen e Marcelo, que atuam em etapas cruciais da cadeia produtiva, participaram do programa de webvídeo Leite com Café


MARCELO G. RIBEIRO/MARCELO G. RIBEIRO/JC
Patrícia Comunello
Os desafios da pecuária gaúcha envolvem desde a produção - como aliar atributos de alimentação natural do pasto nativo e a demanda por carne -, à pesquisa e desenvolvimento de sistemas de produção que possam levar ao mercado um produto diferenciado. Estas condições foram avaliadas por dois especialistas no setor que atuam em etapas cruciais da cadeia produtiva e que participaram de um bate-papo no programa de webvídeo da Casa JC, na Expointer, Leite com Café.
O coordenador da Alianza del Pastizal - que levou este ano o troféu O Futuro da Terra, promovido pelo Jornal do Comércio - o agrônomo Marcelo Fett Pinto, e Elen Nalério, pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul, destacaram as características que marcam a produção gaúcha, que combina cada vez mais raças e busca por equilíbrio entre o uso de recursos naturais e processos produtivos.
A Alianza reúne mais de 100 produtores de gado de corte e resgata a conservação do campo nativo e uso da pastagem natural. Pelo programa que também é seguido em outros países do Mercosul, adota-se como regras o suprimento das necessidades alimentares dos animais em pelo menos 50% de pasto nativo. Não é admitido uso de confinamento em qualquer etapa da produção.
"O pré-requisito é estar no Bioma Pampa, mantenha metade da área natural e ausência de confinamento", explica o agrônomo, justificando que não adotar confinamento atende a requisitos de qualidade da carne. "Já manter o gado em áreas nativas é reforçar o vínculo direto com a conservação da natureza que forjou a cultura do gaúcho", ressalta Pinto. Hoje, a carne dos animais abatidos no projeto estão na rede Carrefour, com a parceria com a Marfrig, que tem o abate exclusivo a partir de acordo com a rede da Pastizal. "A carne está em lojas padrão AA em São Paulo", comemora o agrônomo.   
A pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul em Bagé observa que o impacto do sistema produtivo é amplo. Por exemplo, a criação a pasto gera uma condição mais natural e próxima do que os animais querem estar. "O animal criado a pasto está em melhor condição de bem-estar, mas, claro, que é preciso ter a disponibilidade de comida". Para complementar a alimentação, pode-se ter oferta de pastagem cultivada e até suplementação a campo, diz.
Os diferentes sistemas produtivos e as pastagens imprimem características na carne, desde teor de gordura como o perfil de ácidos graxos, esclarece Elen, lembrando que, na Embrapa, em Bagé, existe laboratório que faz a degustação da carne, como se faz como café e vinho.
A pesquisadora comenta que uma iniciativa na edição deste ano na Expointer foi unir a empresa de pesquisa no Salão do Empreendedor, com outros organismos - como Sebrae, Senar e Sistema Senac - para mostrar tecnologias e as diferenciações da carne gaúcha, como ocorre também com outros rebanhos e que atendem a paladares próprios em cada cultura. "A carne que as pessoas mais gostam é aquela produzida próxima de onde elas vivem." 
Os dois convidados rechaçaram ainda a ideia de que o Rio Grande do Sul tem a melhor carne do mundo, conceito que já foi slogan de um programa estadual que uniu governo e setores produtivos para tentar promover e abrir mercado ao produto no exterior e que acabou não vingando. "É um termo de certa forma errôneo, ela (a carne) é diferente", reage Elen. "Ninguém é melhor do que ninguém, todos são diferentes", arremata o agrônomo. Pinto diz que o produtor "é um herói e oferece um produto de alta qualidade e ainda conserva o meio ambiente". 
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