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Porto Alegre, quinta-feira, 14 de setembro de 2017. Atualizado às 21h18.

Jornal do Comércio

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Notícia da edição impressa de 15/09/2017. Alterada em 14/09 às 15h58min

Grande atração do Porto Alegre em Cena, Angélica Liddell apresenta Génesis 6, 6-7

Diretora espanhola Angélica Liddell encena Génesis 6, 6-7, última parte da Trilogia do Infinito

Diretora espanhola Angélica Liddell encena Génesis 6, 6-7, última parte da Trilogia do Infinito


LUCA DEL PIA/DIVULGAÇÃO/JC
Michele Rolim
A autora, performer e diretora espanhola Angélica Liddell, considerada uma força do teatro mundial, é a grande atração desta edição do festival Porto Alegre em Cena. Inédita na América Latina, a encenação Génesis 6, 6-7, última parte da Trilogia do infinito, estreou este ano na Europa e chega à Capital neste sábado e domingo, às 20h, no Teatro do Sesi (Assis Brasil, 8.787).
As primeiras partes da trilogia - Esta breve tragedia de la carne e Qué haré yo con esta espada? (encenada no Brasil em 2016) - evidenciam as angústias, as dores, a complexidade humana e a desobediência. "Eu falo do que eu conheço, não me sinto capaz de falar sobre a alegria, por exemplo", diz a performer. Tais abordagens tornam, inclusive, sua obra objeto de controvérsia e, por vezes, desconforto - visto, por ela, como uma das virtudes da produção artística.
Nesta montagem, Angélica evoca o Velho Testamento como inspiração de sua criação. O trecho-base diz: "Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração. E disse o Senhor: destruirei o homem que criei de sobre a face da terra, desde o homem até o animal, até o réptil, e até a ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito" (Gênesis 6:6,7). "Essa passagem dialoga com o meu espetáculo no sentido de que eu concordo com a ira de Deus no ponto de encarná-lo em um mito, Medea, que assassina seus próprios filhos por amor. Nós destruímos pelo amor, não pelo ódio", pondera Angélica.
Para ela, as obras artísticas possibilitam colocar frente a frente duas realidades, a do espectador e a do palco. "Este confronto acaba gerando uma identificação, é um paradoxo, a antiga catarse ocorre graças a esse confronto onde a realidade do palco é governada pela lei da poesia", pontua.
Angélica fundou em 1993 a companhia Atra Bilis, junto a Gumersindo Puche, com a qual já montou mais de 20 espetáculos, desvincula-se totalmente do teatro funcional e busca a materialização do símbolo, com o objetivo de devolver ao espectador a intimidade com seus instintos pré-racionais.
Angélica causou polêmica ao colocar no palco um cavalo branco no espetáculo Eu não sou bonita (apresentado no Brasil em 2013), que conta a história real do abuso sexual que ela sofreu na infância. A peça era uma crítica à sociedade pratiarcal e aos papéis que ela impõe às mulheres desde o nascimento. 
No entanto, a artista não se identifica como feminista. "Não estou interessada em trabalhar como mulher, nem o teatro parece-me um lugar de denúncia. O teatro é o lugar do sacrifício. Eu falo da alma humana, não das mulheres", corrige, embora muitas das questões invocadas em suas obras correspondam com a pauta do movimento. 
Um dos principais pilares criativos do trabalho da artista são a morte, o amor, deus e o sexo. Angélica - que não impõe barreiras entre obra e vida pessoal - traz à cena o que há de mais perverso no ser humano: a decadência das instituições e a perda da beleza. Isso é mostrado através de performances que desafiam qualquer categorização de gênero artístico. "Somos compostos de incompatibilidades, que é o conflito do homem consigo mesmo, uma batalha, uma luta entre os opostos", observa a encenadora.
As apresentações da montagem espanhola em Porto Alegre contarão com a participação especial da artista gaúcha Sandra Dani. A atriz, que já foi madrinha do Porto Alegre em Cena, está completando 45 anos de carreira e fará parte desta edição com a presença na grande atração do festival neste ano.
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