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Ovinocultores estão otimistas com negócios
Mesmo em um cenário de crise, os ovinocultores gaúchos estão otimistas quanto à comercialização de animais na Expointer
Mesmo em um cenário de crise, os ovinocultores gaúchos estão otimistas quanto à comercialização de animais na Expointer. A expectativa é repetir os valores da edição passada, quando foram negociados R$ 638 mil, com a venda de 132 animais. O presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) e da Câmara Nacional de Caprinos e Ovinos, Paulo Schwab, diz que a 2017 tem sido atípico, pois, mesmo com bons preços dos animais no mercado - R$ 7,00 pelo quilo vivo e R$ 18,00 pela carcaça -, os produtores estão investindo menos. "A Expointer é diferenciada, já que o foco é genética e isso faz com que o criador seja mais cauteloso na hora de investir", explica.
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Diversificação e investimento genético em alta
A diversificação produtiva e a assistência técnica nas propriedades que criam ovinos também têm sido fomentadas através de uma parceria com a Emater, para aumentar ações de extensão especializadas para favorecer a organização da cadeia. "Estamos orientando as propriedades para que não se concentrem em uma atividade só. Já são desenvolvidos projetos para produção de oliveiras, uvas viníferas e convênios com vinícolas, lã naturalmente colorida e rota turística", afirma o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) e da Câmara Nacional de Caprinos e Ovinos, Paulo Schwab.
Foi com base na assistência técnica e no investimento em genética que o ovinocultor Amílcar Jardim Matos, da fazenda Santa Isabel, de Bagé, conseguiu bons resultados na produção de carne. Desde 2013, ele resolveu migrar da produção de lã para a de carne, através de cruzamentos. "Mantive a Corriedale como base do meu rebanho, aproveitando o gene booroola dessa raça, que resulta em um incremento de partos gemelares. Para conferir maior rendimento de carne, cruzei com Suffolk e Dorper ", explica. Os animais são mantidos com pastagem e creep-feeding, uma prática que busca suplementar cordeiros criados a pasto com alimentos concentrados antes do desmame. Matos diz não ter números exatos de produção por ela ainda ser muito recente, mas revela que consegue desmamar mais cedo, aumentar a taxa de prenhez em 120% para conseguir suprir a demanda por carne ovina, cada vez mais crescente.
Animais naturalmente coloridos são atração
Na Expointer deste ano, houve um incremento na participação de ovinos, de 702, em 2016, para 718, devido à criação de categorias de animais naturalmente coloridos dentro de seis raças: Corriedale, Romney Marsh, Hampshire Down, Texel, Ile de France e Suffolk. São, ao todo, 62 animais, em cores que variam entre preto, cinza e caramelo.
Na busca por diversificação produtiva, os criadores gaúchos têm investido nesse novo nicho de lã como complemento de renda. Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Ovinos Naturalmente Coloridos, Cleber Vieira, a lã é muito usada em artesanato, para confecção de roupas e pelegos. "Sempre houve muito preconceito com ovinos de pelame preto e eles eram descartados. No entanto, os produtores se deram conta de que o pelego escuro tem alto valor de mercado, pois é o único usado na encilha gaúcha."
Vieira diz que o valor de mercado de um cordeiro chega a R$ 200,00 e que seu pelego pode render outros R$ 200,00 para o produtor. "Hoje, eu vendo a carne e o pelego e recebo em dobro. Mesmo o pelego de Texel tem sido muito procurado." Se comparado com o valor da lã branca suja, que chega a R$ 16,00 o quilo, a lã preta nas mesmas condições não passa de R$ 3,00. Mas, se o produtor tiver condições de tratar essa lã, dentro da propriedade, o valor compensa e pode chegar a
R$ 35,00 o quilo.
O presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) e da Câmara Nacional de Caprinos e Ovinos, Paulo Schwab, disse que esses animais que estão sendo cruzados experimentalmente nas propriedades e que, há dois anos, eles foram todos registrados. Sobre o mercado da lã branca, ele informa que, em 2016 no Estado foram produzidas 11 mil toneladas. "O processamento da lã é feito na Paramount, com sede em Bagé e na Lã no Brasil, de São Paulo."