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Porto Alegre, segunda-feira, 28 de agosto de 2017. Atualizado às 23h18.

Jornal do Comércio

Expointer 2017

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ovinos

Notícia da edição impressa de 29/08/2017. Alterada em 28/08 às 23h20min

Ovinocultores estão otimistas com negócios

Rebanho gaúcho conta com 3,7 milhões de cabeças e o nacional com 17,5 milhões, somando características de carne e lã

Rebanho gaúcho conta com 3,7 milhões de cabeças e o nacional com 17,5 milhões, somando características de carne e lã


DANIELA BARCELLOS/DANIELA BARCELLOS/PALÁCIO PIRATINI/JC
Ana Esteves
Mesmo em um cenário de crise, os ovinocultores gaúchos estão otimistas quanto à comercialização de animais na Expointer. A expectativa é repetir os valores da edição passada, quando foram negociados R$ 638 mil, com a venda de 132 animais. O presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) e da Câmara Nacional de Caprinos e Ovinos, Paulo Schwab, diz que a 2017 tem sido atípico, pois, mesmo com bons preços dos animais no mercado - R$ 7,00 pelo quilo vivo e R$ 18,00 pela carcaça -, os produtores estão investindo menos. "A Expointer é diferenciada, já que o foco é genética e isso faz com que o criador seja mais cauteloso na hora de investir", explica.
Schwab diz que a feira também servirá como palco de debates sobre as melhores saídas para organizar a cadeia produtiva gaúcha com foco no aumento da produção. "Há uma demanda crescente pela carne ovina, tanto no mercado interno como externo, com pedidos do Paquistão, Japão e Oriente Médio", destaca, justificando que isso exige novas alternativas para fomentar a produção. Entre elas, estão parcerias para liberação de crédito, assistência técnica, programa de certificação e rotas turísticas.
O assessor técnico da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), Edegar Franco, aponta uma parceria com o Sicredi para o lançamento de um projeto de financiamento, atrelado à assistência técnica. "O técnico da Arco vai na propriedade e faz um raio-x da sua realidade: número de animais e abates e quantos ventres irá reter, com o objetivo de identificar se, efetivamente, a verba solicitada trará resultado. Só depois disso é que o produtor poderá contratar crédito", justifica.
Schwab diz que a falta de organização da cadeia produtiva impediu que produtores, mesmo com crédito liberado pelo governo, pudessem direcionar os investimentos e obter resultados. "Tinha dinheiro, mas não havia frigorífico para abate nem de controle das propriedades, de quanto produziam e quanto abatiam. Por isso, a importância de se fazer um acompanhamento técnico a campo."
De janeiro a dezembro de 2016, o abate formal de ovinos no Rio Grande do Sul foi de 189,7 mil cabeças. No mesmo período, em 2015, foi de 193,9 mil cabeças. No entanto, conforme a Arco, mais de 85% dos abates realizados no Estado foram clandestinos. "Os números de abates são muito maiores, mas a maioria é feita na clandestinidade, na própria propriedade, ou como resultado do abigeato. O animal é roubado, abatido e entregue diretamente para o consumidor final", adverte Schwab.
Os produtores gaúchos contam hoje com quatro frigoríficos: Producarne, de Bagé, Carneiro Sul, de Sapiranga, Coxilha Vermelha, de Alegrete e Coqueiro, de São Lourenço do Sul. "Tem um frigorífico se estruturando, em Livramento e outro em Pantano", informa Schwab. Segundo dados da Arco, o rebanho gaúcho conta com 3,7 milhões de cabeças e o nacional com 17,5 milhões, somando animais para carne e lã. O consumo de carne ovina é de 84 mil toneladas ao ano, no Brasil, o que daria em torno de 400 gramas per capita.

Diversificação e investimento genético em alta

Matos destaca bons resultados obtidos a partir do cruzamento de raças
Matos destaca bons resultados obtidos a partir do cruzamento de raças
JONATHAN HECKLER/JONATHAN HECKLER/JC
A diversificação produtiva e a assistência técnica nas propriedades que criam ovinos também têm sido fomentadas através de uma parceria com a Emater, para aumentar ações de extensão especializadas para favorecer a organização da cadeia. "Estamos orientando as propriedades para que não se concentrem em uma atividade só. Já são desenvolvidos projetos para produção de oliveiras, uvas viníferas e convênios com vinícolas, lã naturalmente colorida e rota turística", afirma o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) e da Câmara Nacional de Caprinos e Ovinos, Paulo Schwab.
Foi com base na assistência técnica e no investimento em genética que o ovinocultor Amílcar Jardim Matos, da fazenda Santa Isabel, de Bagé, conseguiu bons resultados na produção de carne. Desde 2013, ele resolveu migrar da produção de lã para a de carne, através de cruzamentos. "Mantive a Corriedale como base do meu rebanho, aproveitando o gene booroola dessa raça, que resulta em um incremento de partos gemelares. Para conferir maior rendimento de carne, cruzei com Suffolk e Dorper ", explica. Os animais são mantidos com pastagem e creep-feeding, uma prática que busca suplementar cordeiros criados a pasto com alimentos concentrados antes do desmame. Matos diz não ter números exatos de produção por ela ainda ser muito recente, mas revela que consegue desmamar mais cedo, aumentar a taxa de prenhez em 120% para conseguir suprir a demanda por carne ovina, cada vez mais crescente.
 

Animais naturalmente coloridos são atração

Cores dos  exemplares expostos variam entre preto, cinza e caramelo
Cores dos exemplares expostos variam entre preto, cinza e caramelo
JONATHAN HECKLER/JONATHAN HECKLER/JC
Na Expointer deste ano, houve um incremento na participação de ovinos, de 702, em 2016, para 718, devido à criação de categorias de animais naturalmente coloridos dentro de seis raças: Corriedale, Romney Marsh, Hampshire Down, Texel, Ile de France e Suffolk. São, ao todo, 62 animais, em cores que variam entre preto, cinza e caramelo.
Na busca por diversificação produtiva, os criadores gaúchos têm investido nesse novo nicho de lã como complemento de renda. Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Ovinos Naturalmente Coloridos, Cleber Vieira, a lã é muito usada em artesanato, para confecção de roupas e pelegos. "Sempre houve muito preconceito com ovinos de pelame preto e eles eram descartados. No entanto, os produtores se deram conta de que o pelego escuro tem alto valor de mercado, pois é o único usado na encilha gaúcha."
Vieira diz que o valor de mercado de um cordeiro chega a R$ 200,00 e que seu pelego pode render outros R$ 200,00 para o produtor. "Hoje, eu vendo a carne e o pelego e recebo em dobro. Mesmo o pelego de Texel tem sido muito procurado." Se comparado com o valor da lã branca suja, que chega a R$ 16,00 o quilo, a lã preta nas mesmas condições não passa de R$ 3,00. Mas, se o produtor tiver condições de tratar essa lã, dentro da propriedade, o valor compensa e pode chegar a
R$ 35,00 o quilo.
O presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) e da Câmara Nacional de Caprinos e Ovinos, Paulo Schwab, disse que esses animais que estão sendo cruzados experimentalmente nas propriedades e que, há dois anos, eles foram todos registrados. Sobre o mercado da lã branca, ele informa que, em 2016 no Estado foram produzidas 11 mil toneladas. "O processamento da lã é feito na Paramount, com sede em Bagé e na Lã no Brasil, de São Paulo."
 
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