Rodrigo (esq.) e Heitor hoje são donos da Emikatê, mas o estímulo para criar um negócio próprio surgiu na adolescência, no projeto Miniempresa Rodrigo (esq.) e Heitor hoje são donos da Emikatê, mas o estímulo para criar um negócio próprio surgiu na adolescência, no projeto Miniempresa Foto: FREDY VIEIRA/JC

Quando o empreendedorismo desperta bem cedo

Do colégio aos primeiros anos da faculdade, como é a entrada de muitos jovens no mundo dos negócios

A Emikatê - Fábrica de Experiências é uma agência de marketing universitário. Criada pelos jovens Heitor Rodrigues, 24 anos, Pedro Ghiorzzi, 22, e Rodrigo Medina, 20, todos alunos do curso de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), a agência ganhou forma em agosto de 2016. Mas o espírito empreendedor nasceu ainda nos tempos de colégio - quando Heitor participou do projeto Miniempresa, da Junior Achievement. 
Heitor foi achiever do programa em 2009, durante o Ensino Médio, na Escola Estadual Florinda Tubino Sampaio, em Porto Alegre. "Foi uma experiência incrível, em que pude exercer a liderança e a criatividade durante as 15 jornadas do programa. Fui diretor de Recursos Humanos. Foi cansativo, exaustivo, mas hoje vejo o quanto valeu a pena", lembra. Após sua participação, se associou ao Nexa (grupo de ex-participantes de programas da Junior). Posteriormente, ainda atuou como adviser, sendo voluntário em cinco miniempresas.
2012 reservou a Heitor sua primeira experiência oficial como empresário, aos 19 anos. Montou, junto de amigos, uma produtora de festas temáticas, já voltada ao público estudantil. "Por desconhecimento de mercado, falta de recursos financeiros e planejamento, o negócio não deu certo. Mas, ainda assim, fizemos ações muito legais", assegura ele. Entre os eventos, produziram a festa de formatura do Miniempresas daquele ano. O know-how estabelecido rendeu uma oportunidade, por dois anos e meio, na Oca de Savóia. "Quando assumi o marketing da Oca de Savóia, desenvolvi ações junto ao programa Miniempresa", exemplifica.
Entrevista com Rodrigo Medina e Heitor Rodrigues, da Emikatê (agência de marketing universitário) para matéria sobre jovens empreendedores.
Amigos iniciaram no empreendedorismo bem cedo. Heitor (à dir.) aos 19 anos. Seu sócio Rodrigo, tem 20 | Foto: FREDY VIEIRA/JC
Com a Emikatê, o objetivo é conectar alunos com as marcas através de experiências acadêmicas, de entretenimento, esportivas e culturais, impactando positivamente a vida universitária. Mesmo em pouco tempo, os números mostram que o trabalho está sendo reconhecido. Foram realizados 15 eventos de entretenimento, dois acadêmicos e três esportivos. Atingindo, assim, cerca de 16 mil pessoas. "Queremos estar presentes do início ao fim da graduação", assegura Rodrigo.
Na avaliação do trio, é mais comum que no Sul os alunos utilizem pouco os espaços dados pela faculdade. E é isso que permeou o processo de criação da agência. "O pessoal vai para as aulas, responde à chamada, faz provas, trabalhos e volta para casa. Quando menos percebe, está formado", aponta Heitor.
A atuação nas organizações de alunos contaram muito a favor deles para que obtivessem êxito. Algumas festas levaram, em média, 2 mil pessoas por evento. A Cervejada Liberada é uma das mais conhecidas.
"Colocamos preços de ingresso paritário para homem e mulher, fechamos parcerias com aplicativos de táxi para ações de conscientização na relação bebida e trânsito, e fizemos campanhas de combate ao assédio com mulheres", ressalta Heitor. Além disso, lançaram o Copo Eco, presente em diversos eventos no Rio Grande do Sul a partir dali.
Com novos projetos, a tendência é aumentar ainda mais a equipe. Além dos três sócios, um time de oito acadêmicos, de diferentes universidades, atua no escritório da Emikatê. "A experiência que eles têm aqui, pela autonomia, dificilmente teriam em outra empresa", compara Heitor. Só a equipe de relacionamento e vendas chega a cerca de 200 pessoas. A cada novo evento, pessoas fora do cenário acadêmico também recebem oportunidades, seja em segurança, limpeza, entre outros.
Hoje, a Emikatê é responsável pelo relacionamento universitário do Grupo Austral, empresa de live marketing. Há também uma parceria consolidada com a VOE Ideias, empresa de marketing e eventos do Sul, na produção do maior evento de jogos de praia, o Universipraia.
Em 2017, a Emikatê tem como meta atingir cerca de 48% dos estudantes universitários do Rio Grande do Sul, quarto maior em número de universitários do País (aproximadamente 376 mil). "Queremos impulsionar uma vida universitária mais ativa, mais divertida e dinâmica. Uma vida acadêmica melhor", expressa Heitor, que tem, junto a seus colegas, algo em sintonia com o mercado em que atua: a juventude.

Organização para Empresas Juniores destaca aprendizado

Henrique faz parte da Fejers, em Porto Alegre Henrique é presidente do conselho da Fejers Foto: CLAITON DORNELLES/JC
Iniciativas para que jovens empreendam têm ganho, a cada ano, mais espaço e credibilidade. Algumas buscam auxiliar os estudantes que já estão dentro das faculdades. Um exemplo é a Federação de Empresas Juniores do Rio Grande do Sul (Fejers). Henrique Roman, 21 anos, estudante do curso de Administração na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), é presidente do conselho da iniciativa. 
Ele explica que a Fejers é o braço estadual da Brasil Júnior (Confederação Brasileira de Empresas Juniores). Junto dos núcleos municipais, elas fazem parte do Movimento Empresa Júnior (MEJ), que tem como propósito a busca por um Brasil mais empreendedor, através da formação de pessoas comprometidas e com vontade de transformar o País por meio da realização e de projetos mais eficazes. "O MEJ nada mais é do que o empreendedorismo na sua essência", avalia Henrique.
O alvo desse movimento, que surgiu em 1967 na França e chegou ao Brasil em 1988, são as Empresas Juniores (EJS). Para que fique claro, as EJS prestam consultoria e assessoria dentro de suas áreas e são formadas apenas por alunos universitários. Elas não têm fins lucrativos, uma vez que os ganhos são direcionados a investimentos na infraestrutura e qualificação de seus membros.
"Moral da história é que a gente não recebe para trabalhar, mas é a lógica da abundância, porque a gente não paga para aprender", justifica Henrique. Ele ainda destaca que o aprendizado é o motivo pelo qual o movimento surgiu. O aluno pode, através das Empresas Juniores, colocar em prática muitos dos ensinamentos teóricos recebidos na academia.
Geralmente, explica Liara Bender, 21 anos, estudante do curso de Engenharia de Produção da Ufrgs e Presidente do Conselho do Núcleo de EJS de Porto Alegre, os jovens acadêmicos entram na Empresa Júnior como trainee ou consultor de projetos.
"Conforme teu desempenho dentro da empresa, tu consegues atingir outros cargos, como gerente de projetos, e, no final, podes assumir uma diretoria", aponta Liara. "Então, (dentro de uma EJ) tu já tens toda essa noção de negociar com pessoas que têm anos de mercado, tentando vender um produto, um projeto", ilustra.
Atualmente, apenas em Porto Alegre, são 36 Empresas Juniores. A maioria (27) está vinculada à Ufrgs, mas ESPM, Fundação Saúde e UniRitter também contam com propostas do tipo.
Em todo o Estado, a Fejers calcula que, entre empresas federadas e não federadas, existam cerca de 128 iniciativas.
Porto Alegre e Santa Maria concentram a maior parte das ações, embora cidades como Caxias do Sul e Rio Grande tenham perspectivas de aumento nesse segmento.
Considerando apenas a rede federada do Rio Grande do Sul, observa Henrique, o faturamento das EJS no último ano foi de mais de R$ 1 milhão. "A meta para esse ano é dobrar, chegar a R$ 2 milhões", arrisca.

Dos projetos escolares à rede de cursos de inglês

Experiências em sala de aula incentivaram rumos que Felipe tomou Experiências em sala de aula incentivaram rumos que Felipe tomou Foto: ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC
Felipe Diesel, 33, despertou para o empreendedorismo enquanto jovem. Aos 14 anos, ainda estudante do Ensino Médio, na cidade de Santa Rosa, também participou do Miniempresa. Agora, ele é diretor e sócio-fundador da escola de inglês Hey Peppers, criada em 2013.
Na experiência escolar, foi diretor de produção de uma fábrica de pizzas e, na sequência, presidente de uma empresa que utilizava material reciclável para produzir utensílios domésticos. "Foi o start da minha vida empreendedora. Mesmo que eu tenha optado por um segmento bem diferente, certamente essas experiências colaboraram muito para aprender sobre captação de recursos, criatividade e planejamento", aponta.
Na Hey Peppers, Felipe salienta a busca por diferentes métodos de ensino. A crise não tem afetado a empresa, tendo em vista que o número de alunos cresce 70% ao ano desde a sua criação. São mais de 2,5 mil alunos em suas 14 sedes espalhadas pelo Rio Grande do Sul. O faturamento anual fica na casa dos R$ 6 milhões.
Antes da marca própria, Felipe fez parte de uma franquia de ensino de línguas. Empreendedor desde jovem, viu no fechamento da rede uma nova oportunidade. "Decidimos criar uma escola em cima de alguns valores, como colaboração, humanidade. Com um aprendizado mais democrático", assegura. Em 2012, realizou visitas internacionais para conhecer instituições de idiomas pelo mundo. "Queríamos criar algo mais dinâmico."
O dinamismo citado por Felipe está explicitado nos métodos implantados pela Hey Peppers. "Cada sala tem cor, cheiro e música ambiente diferentes. De 10 em 10 minutos, ao invés de deixar os alunos presos ao material didático, realizamos atividades para movimentá-los. Quanto mais experiências sensoriais temos, mais somos estimulados a novos conhecimentos", diz.
Neste ano, conteúdos como programação, empreendedorismo, robótica, criatividade e educação financeira passaram a fazer parte da grade de conteúdo. Tudo em inglês, of course. Para o diretor da Hey Peppers, essa é uma forma de preparar seus alunos para a vida. "As escolas convencionais te preparam para empregos que estão acabando ou irão acabar", aponta.
"Se olharmos para o jovem, o mercado exige dele essas habilidades." Ou seja, na Hey Peppers eles aprendem habilidades que fazem toda a diferença no dia a dia enquanto se tornam fluentes. O próximo objetivo é chegar à Capital em breve.
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