Entrevista com casal, Cláudio Pereira Sperling e Sabrina Bertrand Coelho, anfitriões do DogHero - para matéria sobre aplicativos que permitem ganhar dinheiro de casa. Cláudio Pereira Sperling e Sabrina Bertrand Coelho, anfitriões do DogHero Foto: MARCELO G. RIBEIRO/JC

Internet permite que pessoas ganhem dinheiro em suas casas

Apps e plataformas aproximam quem oferece serviços de quem busca preços mais em conta. Há quem cuide de animais, receba hóspedes ou abra os cômodos para empresas

O casal do bairro Glória, em Porto Alegre, Cláudio Pereira Sperling, 45 anos, e Sabrina Bertrand Coelho, 37, faz parte dos aproximadamente 9,5 mil usuários do aplicativo DogHero espalhados em quase 500 cidades brasileiras. Criada em agosto de 2014 pelos colegas Eduardo Baer e Fernando Gadotti, de São Paulo e Rio de Janeiro, respectivamente, a ferramenta conecta pessoas que têm cães a alguém que pode cuidar do animalzinho por um valor, em média, 60% mais barato em comparação aos hotéis para pets.
Desde 2015 servindo como anfitriões, a funcionária pública Sabrina e o educador físico Cláudio sempre receberam mais cães além dos cinco que já têm - todos adotados. De familiares, de amigos e até os de rua que precisavam de um abrigo de passagem, todos os bichinhos tinham espaço.
Como se não bastasse, um conhecido lhes apresentou o DogHero. "O pessoal sabe que a gente gosta muito de cachorro", ressalta Sabrina. "Aí, quando surgiu o aplicativo, fiz o cadastro", emenda Cláudio.
O trabalho de ambos, fora de casa, faz com que não dependam da renda vinda do aplicativo. "Mas ajuda", assegura ele. O casal cobra R$ 44,00 a diária do cão - mas o valor varia conforme o prestador de serviço. Todas as especificações podem ser conferidas diretamente no perfil de cada membro. "Nós temos um pátio enorme, o que permite que vários animais fiquem aqui ao mesmo tempo", coloca o educador. O limite é o conforto mútuo, tanto deles quanto dos animais. A ideia é não perder o prazer de lidar com os amigos caninos.
O casal calcula que cerca de 30 pessoas já trouxeram seus amiguinhos para curtir a, denominada por eles, "cãolonia de férias". A estrutura para receber os hóspedes já estava pronta. Mesmo assim, investiram em mais casas, camas e bebedouros. "Se for comprar uma caminha nova, são R$ 200,00, R$ 300,00. Compro esse valor de panos e reformo as que já tenho", exemplifica Cláudio, sobre as alternativas encontradas para que o trabalho se mantenha prazeroso e não oneroso.
Os contatos feitos através da plataforma permitiram, inclusive, conhecer a vizinhança. "Como o aplicativo sugere por bairro, as pessoas procuram quem está perto", aponta Sabrina. Isso, claro, não impede que gente de outras localidades leve seus caninos. "Recebemos também de bem longe, porque estamos sendo bem recomendados", considera Sabrina, explicando a importância do reconhecimento dos donos de seus hóspedes através da avaliação no aplicativo.
Para conquistar a confiança dos clientes, planejam construir casas rústicas nos fundos, com cama de areia e tudo.
"Eles adoram dormir na areia", salienta a funcionária pública. Os "problemas" que tiveram nesse tempo como anfitriões são bem assimilados. "Coisas normais. Comeram a casa, arrancaram as plantas, mas é coisa de bicho", brinca Cláudio.

Espaço reformulado especialmente para o AirBnB

 Helena adaptou os cômodos de sua casa para recepcionar os hóspedes, que já somam quase 90 em 15 meses Helena adaptou os cômodos de sua casa para recepcionar os hóspedes, que já somam quase 90 em 15 meses Foto: MARCO QUINTANA/JC
Helena Valls Vieira é formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs) e trabalha como designer de interiores. Mas, desde setembro de 2015, encontrou uma maneira diferente de ganhar dinheiro. Nos pouco mais de 15 meses em que se cadastrou como anfitriã no AirBnB, Helena já recebeu quase 90 hóspedes. A ferramenta, definida como um "mercado comunitário", está presente em mais de 65 mil cidades de 191 países. No Brasil desde 2012, o aplicativo conta com mais de 100 mil anúncios de hospedagem.
A anfitriã porto-alegrense mantém disponíveis no aplicativo, num mesmo apartamento de um prédio na rua Jaraguá, bairro Bela Vista, em Porto Alegre, três diferentes espaços: o Quarto das Tulipas (para dois hóspedes, R$ 99,00 por noite), o Chalé do Manacá e o Quarto do Jardim (ambos para um hóspede, a
R$ 80,00 por noite). "É um espaço pequeno, mas é bem aproveitado", assegura Helena.
O primeiro a ganhar "corpo" foi o Chalé do Manacá. "Tinha um amigo meu do Rio de Janeiro que adorava ficar lá (onde hoje é o Chalé)." Esses três espaços eram escritórios. "Eram quatro, um deles ainda uso e os outros transformei", completa. Aos poucos, Helena colocou um sofá novo, uma mobília diferente, enfim, foi moldando conforme a necessidade de quem chegava. "Aconteceu de pessoas terem ido parar em outros locais, não gostarem e perguntarem se poderiam se hospedar em outro espaço daqui. Foi aí que resolvi transformar os outros", ressalta. "É uma casa grande apenas para mim, minha irmã de criação e as cachorras. E eu praticamente não usava nada", constata.
A anfitriã afirma não ter feito nenhum grande investimento para as adaptações. "Investi pouco, em cobertores, edredons, coisas de uso diário. A estrutura eu tinha. Como sou muito organizada, tenho uma coisa em cada lugar. Não foi muito complicado", argumenta. Os maiores gastos acabam cobertos pelas hospedagens. "Agora, estragou o ar-condicionado, mas isso acaba entrando como manutenção."
Helena se preocupa em prestar um atendimento bom. Tanto que, em quatro meses, se tornou superhost - uma modalidade de excelência da plataforma. Para fazer parte desse grupo de "superanfitriões", é necessário: concluir pelo menos 10 viagens por ano em seus anúncios; responder aos hóspedes rapidamente; ter pelo menos 80% dos comentários classificados como 5 estrelas; e honrar as reservas confirmadas.
"Claro que têm lugares muito mais bonitos, muito melhores. Mas acho que é um conjunto de coisas que faz as pessoas terem essa premiação. As minhas cachorras, por exemplo, são parte disso. As pessoas amam elas", resume Helena.

Londrinos sugerem que lares vazios durante o dia virem escritórios

Os ingleses Max e Samuel são os cofundadores da ferramenta Hermit Offices Os ingleses Max e Samuel são os cofundadores da ferramenta Hermit Offices Foto: KONICA MINOLTA/Divulgação/
Deixar sua casa ou apartamento lucrativo enquanto você sai para trabalhar. Essa é a ideia do Hermit Offices, criado em Londres por Max Jezierski e Samuel Roberts. E eles garantem que é uma opção segura para ganhar dinheiro e dar eficiência a ambientes vazios.
“A segurança também era uma preocupação que os proprietários de residências tinham inicialmente com o AirBnB. Mas, antes de concordar em receber negócios em casa, você sempre conhecerá as pessoas. E o Hermit fornece identificação completa de todos que frequentarão seu lar. Nós também damos garantias integrais, oferecendo proteção contra roubos e danos”, diz Max, direto da Inglaterra.
O projeto nasceu enquanto a dupla se deslocava pelas ruas londrinas. “As casas ficam vazias pelo menos 50% do tempo, com moradores deixando suas residências e ocupando escritórios caros. É essa ineficiência que criou a oportunidade”, ressalta Max.
O empreendedor afirma que o Hermit é baseado em economia compartilhada. “Não é simplesmente um jeito de fazer dinheiro rápido ou comprar algo que você quer por menos. Isso tem, genuinamente, o potencial de aumentar a eficiência do espaço que temos a nosso dispor. E o Hermit resolve o problema de milhares de pequenos negócios: achar um escritório financeiramente acessível”, coloca. Pelo site www.hermitoffices.com, é possível encontrar locais por 600 libras ao mês.
A alternativa, por enquanto, está disponível apenas na Europa, mas é provável que chegue ao Brasil. A dupla visitou o País há dois anos e percebeu o crescimento do ecossistema de startups no Rio e em São Paulo. “Claramente, há apetite para ideias inovadoras. Acho que um negócio como o Hermit ajudaria a fazer os pequenos negócios e startups crescerem no Brasil”, considera Max.
Entre os benefícios da economia compartilhada, ele acredita que gere melhores preços aos consumidores finais e lucros para quem atua no ramo. “O continuado crescimento do conceito de compartilhamento é inevitável”, prevê.
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Comentários ( 4 )
  1. Sergio

    Realmente est se tornando cada vez mais complicado viver infestado de ces na vizinhana. Urinam no seu porto, urinam toda a grama das caladas, latem at seus tmpanos no aguentarem mais. Assim como som alto no pode, latido tb no pode. questo de respeito!

  2. cenira

    No tenho cachorro, mas j tive passaros acho uma boa ter algum de confiana para cuidar dos nossos bichinhos . PARABNS PELA INICIATIVA. RECOMENDAREI AOS AMIGOS.

  3. celso valdir schultz

    O povo brasileiro o mais livre do mundo, desde que le no tente sair da mesmice e invente algo inovador ou copie algo j existente em outros paises e implante aqui. Meus cumprimentos a quem empreende, e, enfrenta as barreiras burocrticas do nosso pais, dos que se dizem amigos e vizinhos.

  4. Milton Barni oliveira

    ...olha a ideia de ter um negocio em casa bacana, s penso que as pessoas devem se adequar ao direito de vizinhança. O casal em questao que vai colocar caes em um patio, mesmo grande...e ainda em casas com areia...AREIA + CAES = igual a pulgueiro. Conheço amigos que tem esses vizinhos hospedeiros de caes por aplicativo...a vida deles virou um inferno pq os caes latem dia e noite e ninguem tem mais sossego na vizinhança. Sei que hoje todo mundo no pode opinar nada contra caes pq todo mundo pensa que eles desceram do ceu e sao a melhor coisa do mundo: s penso assim, se vc vai abrir um negocio em casa, tem que respeitar o sossego dos vizinhos pq o casal acima por exemplo, j disse que proprietario de 5 caes...e imagino que eles latam (pq o normal)...ainda vao agregar mais caes para latirem tambem...E os vizinhos deles? Ja perguntaram a eles o que eles sentem? Os meus amigos j esto pensando em colocar o apartamento a venda...Acho um absurdo o abuso de direito nesse caso e todo mundo achando otimo e batendo palma...Todo mundo, leia-se, os donos de caes que usam esse serviço pq a vizinhança ninguem quer saber a opiniao. E outro aspecto desses aplicativos que no acho justo, que eles vao concorrer no mercado com hoteis de caes e ser que recolhem impostos municipais? Gostaria que o DOGHERO ou DOGHELL, esclarecesse essa duvida. PENSO QUE O DIREITO DE UM TERMINO ONDE COMEÇA O DOS OUTROS.

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