GeraçãoE. Pauta (internacionalização de startups. No Tecnopuc  GeraçãoE. Pauta (internacionalização de startups. No Tecnopuc Foto: FREDY VIEIRA/JC

Startups apostam em internacionalização

Chega o momento em que startups começam a se perguntar se as bordas do País já estão pequenas. Conheça histórias de quem foi e dicas para lançar o seu negócio no exterior

Christian Lykawka, 41, está à frente da Rockhead Games, empresa incubada pela Raiar, da Pucrs. Com cinco anos de empresa, hoje voltada ao mercado mobile, em 2015 lançou mundialmente o StarLit Adventures, jogo que já ultrapassa os 5 milhões de downloads no Google Play e na App Store, e tem a China como maior público. "É um produto que naturalmente pode ser voltado para o mundo inteiro", justifica. "O mobile e a distribuição digital deu mais acesso ao mercado internacional", diz.
Disponível em 20 idiomas, o Starlit segue o modelo free to play - onde o usuário baixa gratuitamente e paga se quiser desbloquear recursos ao longo da história. "Cria-se uma afinidade maior com os personagens na língua nativa".
O jogo foi o turning point da empresa, que hoje só trabalha em produtos próprios, mas que começou prestando serviços. Outros games próprios, também, ensinaram a estratégia de lançamento. "Fazer um jogo legal não é difícil. Difícil é fazer um produto de sucesso", afirma.
Para isso, no ramo dos games há 20 anos, Christian sempre tentou participar de feiras internacionais. Numa destas feiras, em São Francisco (EUA) em 2015, a RockHead conheceu um "publicador" - empresa que leva o game para outro país, e que faz a culturalização do jogo para o mercado local. "Na versão ocidental não tem anúncios dentro do game, por exemplo, o que lá é algo que eles já estão acostumados", exemplifica. E particularidades bem específicas também: "Aqui, onde usamos uma moeda, lá é usado um diamante roxo", diverte-se.
Para o mercado mobile, a China tem um número maior de lojas de aplicativos para Android (entre as principais estão 360 Mobile Assistant, MyApp e Baidu), o que torna o trabalho de inserção ainda mais pulverizado. "Por isso é bom ter um parceiro local", recomenda.
O projeto do game, que levou três anos para ser lançado, contempla também a diversificação dos personagens em outros produtos, como revistas em quadrinhos e, a longo prazo, séries animadas para a TV. "Normalmente o que acontece é o contrário, os personagens vêm da ficção e vão para o game".
O investimento total foi de U$ 200 mil.

Ser pequeno para mover-se mais

558983 Fábio toca a Pandorga do Brasil, enquanto seu sócio fica em Londres Foto: Roberta Fofonka/Especial/JC
Uma startup de tecnologia na mão e a vontade de torná-la uma empresa global foi a receita para a internacionalização da Pandorga, desenvolvedora de softwares customizados de Porto Alegre. Desde 2011, a empresa tem sede no Reino Unido, a partir do anseio e disponibilidade do sócio Diego Eick Moreira (foto abaixo), 42 anos, de topar o desafio de viver e empreender em outro país.
O processo, que contemplou idas para afinar o inglês e prospectar possíveis clientes e parceiros que trabalhassem baseados na tecnologia Microsoft, na qual a empresa é especializada, se consolidou através de parcerias com instituições locais.
No Consulado do Reino Unido, a Pandorga encontrou o UK Trade & Investment (UKTI), órgão do governo federal britânico em busca de empresas estrangeiras e que conduziu o processo de soft landing (chegada suave) da empresa. Logo, também iniciou contato com outro programa do país, desta vez da prefeitura de Londres, o London Partners.
"O London Partners nos pegou pela mão e nos mostrou tudo. Inclusive onde pegar trem, onde poderia ser bom de morar e como fazer para abrir uma empresa", conta Fábio Krohn Jr., um dos sócios e fundadores da Pandorga.
Diego Eick Moreira decidiu levar a Pandorga para Londres
Com uma contrapartida, por meio da London Partners é possível que empresas passem por uma experimentação na capital londrina, durante três meses, para então decidirem se querem abrir um CNPJ local. Após este período, o programa ainda oferece nove meses de escritório compartilhado a um preço mais baixo, possibilitando aos recém-chegados operarem com um endereço fixo.
Hoje, são 10 a 15 clientes ativos no Reino Unido, entre eles empresas da China e da França, com atuação das equipes daqui nos projetos.
"Já tivemos casos de sucesso, prejuízo, promessas, bons clientes, maus clientes", exemplifica Fábio. "Temos costume de achar que o que há fora é tudo bom, mas isso não é uma realidade. Lá, ocorre tudo o que ocorre em um mercado normal. Tem pessoas que não estão por um jogo correto", desmistifica.
No Brasil, são cerca de 20 clientes. O faturamento total, neste ano de crise, está equilibrado em 50% de cada operação. Algo de muito positivo e inesperado que a internacionalização trouxe, segundo Fábio, foi o reforço da credibilidade da empresa dentro do Brasil. "Atingimos São Paulo através da mídia espontânea que chegou com a internacionalização", conta.
De estrutura horizontal, o plano da Pandorga é continuar sendo uma empresa pequena com atuação em outros países. Até 2020, eles estimam abrir escritório em outro continente - talvez a América do Norte, deixa escapar Fábio.
"O desafio é aprender em quem confiar", aponta. Esta migração, ele acredita, é menos arriscada de ser feita por uma startup do que por uma grande empresa. Fica a dica.

Top 20 lugares para empreender

O Global Startup Ecosystem Ranking 2015 nomeou 20 localidades com os ecossistemas mais fortes para startups, a partir de cinco principais requisitos: desempenho, financiamento, talento, alcance de mercado e experiência de startup. Em ordem, são elas:
1. Vale do Silício (EUA)
2. Nova Iorque (EUA)
3. Los Angeles (EUA)
4. Boston (EUA)
5. Tel Aviv (Israel)
6. Londres (Reino Unido)
7. Chicago (EUA)
8. Seattle (EUA)
9. Berlim (Alemanha)
10. Cingapura (SKN)
11. Paris (FRA)
12. São Paulo (BRA)
13. Moscou (Russia)
14. Austin (EUA)
15. Bangalore (India)
16. Sidney (AUS)
17. Toronto (CAN)
18. Vancouver (CAN)
19. Amsterdam (Holanda)
20. Montreal (CAN)

Cuidado com o jeitinho

558730 GeraçãoE. Pauta (internacionalização de startups. No Tecnopuc Foto: FREDY VIEIRA/JC
"Tentamos sensibilizar nossas empresas neste mindset internacional", diz Simone Torrescasana, responsável pela área de International Business do Tecnopuc, parque tecnológico da Pucrs, onde 30% das empresas, entre startups e multinacionais, são internacionalizadas. Ela explica que normalmente o primeiro passo é a exportação, mas isso não é regra.
"Impulsionamos a consciência de que o produto que estão desenvolvendo não precisa estar voltado só para o mercado local." Ela afirma, ainda, que os países estrangeiros têm receio quanto ao famoso "jeitinho brasileiro", estereótipo que, recomenda, as instituições brasileiras em geral devem quebrar. Para isso, o parque adota a postura de promover trocas com outros países, trazendo empreendedores estrangeiros para conhecer o ecossistema daqui e enviando empreendedores locais para experiências fora. Eles já receberam gente da Polônia, Bélgica e Reino Unido. Têm convênio também com Equador, China, Estados Unidos, Colômbia, Canadá e Rússia. Veja sugestões para ir ao exterior:
Dicas para voar longe
1 >> Reconheça se o produto ou serviço da sua empresa tem aderência no mercado que está prospectando.
2 >> Encontre os potenciais concorrentes para se posicionar da melhor maneira no mercado - e verificar se o local é mesmo o ideal.
3 >> Conheça a cultura do país tanto no aspecto empresarial quanto no pessoal e de adaptação. Em alguns lugares do Canadá, por exemplo, pode haver oportunidades interessantes mas faz também um frio de -40°C.
4 >> Informe-se sobre a documentação. Veja qual é o tipo de visto necessário para migrar e quais as questões regulatórias conforme a empresa.
5 >> Alguns países têm medidas fiscais mais facilitadoras. Identifique os benefícios fiscais nos países que pensa em se instalar.
6 >> Domine o idioma do país no qual você quer se inserir.
7 >> Se possível, faça um intercâmbio de degustação para conhecer de perto a realidade e a cultura do local em caráter temporário, antes de tomar a decisão.
8 >> Identifique órgãos de fomento à pesquisa - semelhantes ao Finep brasileiro por ser bastante útil. Eles podem servir de apoio para a entrada no mercado e desenvolvimento do produto ou serviço.
9 >> Tenha em mente que o cenário é dinâmico. Inovação é correr riscos, o tempo todo.
 
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