Liza e Flávio estrearam no mundo das baladas com a Casa do Lado Liza e Flávio estrearam no mundo das baladas com a Casa do Lado Foto: MARCELO G. RIBEIRO/JC

Os empreendedores que investem na noite gaúcha

O que motiva o início de uma casa noturna e como é atuar neste mercado

O casal Liza Bento, 43 anos, e Flávio Veloso, 45, empreendeu bem longe das áreas de atuação de suas formações. Ela é graduada em Automação Industrial. Ele, em Arquitetura. Desde 2009, os proprietários da Casa do Lado, na Rua da República, fazem parte do mercado da noite porto-alegrense.
A história começou com a realização de uma festa de final de ano do escritório de arquitetura de Flávio. Na época, decidiram utilizar o local onde hoje funciona a balada, do qual já eram donos e que estava fechado há pelo menos três anos.
Por causa do tempo sem uso, o espaço precisou contar com toda a criatividade dos arquitetos e designers que trabalhavam com Flávio para receber a festa. A confraternização de final de ano obteve tanto êxito que chamou atenção de um conhecido de Liza com experiência na noite. "Ele disse: 'Vamos fazer festa nesse lugar, está pronto'", lembra. A primeira festa oficial ocorreu em 4 de abril de 2009.
Foi locado equipamento de som e feita a divulgação para uma festa de música eletrônica. "Mas não existia isolamento acústico, não existia elétrica, bares, não existia nada. Só o espaço", conta Flávio.
E não é que a dupla gostou do retorno? A partir disso, investiram no que faltava e no ar-condicionado. Resultado: começou a bombar. Aos poucos, foi-se desenhando e redesenhando o espaço, sempre conforme as demandas que surgiam.
Para ambos, aquele era um mundo completamente novo. Suas últimas experiências com casas noturnas eram, digamos, pouco recentes. "Somos de uma geração que tinha comida na balada. A gente saía e jantava", avisa Flávio, acrescentando que, na época, entravam às 19h e saiam, no máximo, às 23h30min. Hoje, a festa começa às 23h, sem necessariamente ter hora para acabar.
Os donos da Casa do Lado são exemplos avessos à maioria dos investidores, uma vez que entraram num negócio novo e tiveram de se adaptar em pleno funcionamento. Durante um ano e meio, não obtiveram lucro, apenas reinvestiram o dinheiro. Foi nesse período que Flávio fechou a empresa de arquitetura para se dedicar integralmente à Casa do Lado. "Todo dia é um desafio", reconhece Liza.
Organizados conforme suas experimentações, trabalham com poucos produtores. Também criaram uma produtora própria, o que garante maior lucratividade. Sem contar que os empreendedores terceirizam pouco e conservam parcerias de longa data.
Eles mantêm uma média de 60% de produções internas e de 40% externas. E um detalhe: o casal não abre mão de estar presente nas festas - pelo menos um deles sempre comparece. Agora, aqueles dois que voltavam para casa cedo no passado compartilham opiniões sobre combinações de drinques e novas concepções de festas.
"Nessa vida noturna tu tens de estar sempre buscando alguma coisa nova. Não consegue parar, estagnar num modelo. O público está sempre procurando algo que surpreenda", explica Flávio. Atenta às tendências musicais pelo mundo, Liza conta que aprende com o público. "Com a fantasia deles e a nossa experiência, conseguimos tirar coisas do papel."

Um rolê para continuar se reinventando

559291 Rafael foi produtor e DJ no Anexo B e no Beco 203 até abrir seu próprio negócio, o Obra Club - que virou Rolê Foto: MARCELO G. RIBEIRO/JC
DJ e empresário, o porto-alegrense Rafael Schutz, 36 anos, trabalha com casas noturnas há mais de uma década. Dono do recém-lançado Rolê, ele acredita que "conceito, conhecimento e direção artística" são algumas das características fundamentais para que uma operação como esta se mantenha no mercado. Não adianta apenas querer aproveitar a onda, é preciso antecipar.
"No imediatismo das casas noturnas, elas acabam surfando o 'modismo'. Quando a onda está descendo é que elas estão entrando", exemplifica.
A primeira experiência aconteceu por acaso. "Foi um acidente que acabou dando certo", afirma. Rafael trabalhava numa agência de design e cursava Economia na Pucrs. Em 2005, um cliente da agência não pôde pagar por um serviço e ofereceu o bar do qual era proprietário para que Rafael e os colegas de trabalho produzissem uma festa. A falta de experiência não o intimidou. "Vou me aventurar e tentar fazer essa parada", reproduz. Gostou da primeira experiência. De qualquer forma, acreditava que aquela situação seria momentânea e logo voltaria suas atenções à graduação e à agência. As festas, no entanto, aumentaram - em quantidade e número de participantes. Chegou o momento em que precisou escolher: mantinha-se na agência e no curso ou arriscava-se com a produção de eventos. Já sabemos o que ele escolheu.
A trajetória de Rafael é marcada por festas de renome, como as do Beco 203 e do Anexo B, em Porto Alegre e São Paulo. "Foi uma bagagem extensa de aprendizados", afirma ele, explicando que, após um ano e meio em São Paulo com a parceria de Vitor Lucas e Gabriel Machuca, voltou à capital gaúcha para operar sozinho o Beco 203, na avenida Independência. Em 2015, onde antes era o Anexo B, lançou o Obra Club. "O Obra foi meu primeiro projeto solo", salienta. Foram cinco meses experimentando.
Serviu para entender como a noite está funcionando e o que seria necessário trazer como novidade. Ao fim da experiência com o Obra, lançou o Rolê. Inaugurado no dia 19 de agosto deste ano, a casa é definida por seu idealizador como uma "proposta democrática", que pode circular por diversos públicos. "Aqui vai ser o amadurecimento de toda essa nossa experiência de Obra", assegura. Baseado no conceito de "tempo livre o tempo todo", o Rolê poderá abrir as portas em dias e horários variados, para atrações e eventos incomuns. Tudo depende da viabilidade daquilo que é proposto. "O investimento é muito baixo, porque o trabalho é baseado em criatividade e em captação de artistas do alternativo", ressalta. O porto-alegrense quer atrair cada vez mais atrações e recolocar a capital gaúcha no mapa do entretenimento. "Temos nos nossos círculos a galera que faz acontecer em São Paulo. Queremos fazer esse networking de atrações, somar com produtores do Brasil", arremata.
 

O ponto próprio pela primeira vez

559295 Vinicius, Eduardo e Gustavo, do Grupo Austral, terão espaço de 'coolture' Foto: FREDY VIEIRA/JC
O Grupo Austral agitou Gramado durante a programação do Festival de Cinema com seu badalado roteiro de festas Red Carpet, no Hotel Master Premium. A dupla à frente da iniciativa, que trabalha com live marketing no Brasil e no exterior há pelo menos 12 anos, deve abrir, em breve, uma casa noturna própria em Porto Alegre - nas redondezas do bairro Moinhos de Vento.
Vinicius Garcia, 44 anos, e Eduardo Corte, 37, sócios no negócio, dizem que as 234 suítes disponíveis no Master para a atividade na Serra esgotaram antes de o evento começar. A Red Carpet, promovida pelo terceiro ano, concentrou no local sete festas e levou mais de 20 DJs à região.
O envolvimento com o mercado de entretenimento e as experiências que promovem começou no ano 2000, quando os empresários tinham uma loja on-line de surfe. Ao perceberem que os eventos do e-commerce bombavam, resolveram apostar na área. A partir disso, a empresa ganhou forma. "Sempre foram demandas dos patrocinadores", revela Eduardo, explicando o motivo de a operação nunca ter trabalhado com uma casa noturna própria.
O primeiro cliente no ramo foi a Ambev, que desafiou Vinicius e Eduardo a criarem uma experiência de verão para a Skol, em 2009. O projeto incluía casa de praia, garagem, música e sunset. "Foi um divisor de águas, com investimento de mais de R$ 10 milhões. Envolveu 20 praias pelo Brasil", lembra Vinicius.
Recentemente, o Grupo Austral fechou uma parceria com a agência Mak, de São Paulo, para gerir plataformas nacionais através da AuMak. Além das sedes gaúcha e paulista, há unidades no Paraná, Rio de Janeiro e em Miami. Um dos braços da operação, o Austral Entertainment, conta também com sociedade de Gustavo Garcia e Ricardo Basso.
Para a casa própria que deve ser aberta em breve em Porto Alegre, a intenção dos empreendedores é criar um espaço de "coolture". Ou seja, aliar alma de club com geração de conteúdo para marcas. É a consolidação do trabalho no ramo das baladas para o escritório gaúcho, que atualmente emprega 30 pessoas.
 

Rosário há quatro anos

Os empresários Elaine e Tiago Leite completaram quatro anos de seu Rosário Resto Lounge, na avenida 24 de Outubro. "Sempre tivemos vontade e curiosidade de trabalhar com a noite. O público gaúcho é muito exigente, está sempre em busca de novidades, o que tornou não só o lançamento, mas a consolidação da casa um grande desafio", dizem. 
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