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Porto Alegre, quinta-feira, 01 de setembro de 2016. Atualizado às 08h29.

Jornal do Comércio

Expointer 2016

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Agroecologia

31/08/2016 - 17h50min. Alterada em 01/09 às 08h30min

Emater ensina a montar hortas urbanas e produzir adubo em casa

Morangos são cultivados em slabs em bancadas com melhor manejo

Morangos são cultivados em slabs em bancadas com melhor manejo


Patrícia Comunello/Especial/JC
Bruna Oliveira e Patrícia Comunello
A Expointer traz soluções para quem quer praticar em casa o cultivo de pequenas produções de hortaliças, frutas e temperos. Com técnicas da chamada agricultura urbana, é possível plantar em áreas de espaço restrito, como um apartamento, e montar hortas de culturas variadas. A Emater-RS montou um circuito em seu estande na Expointer mostrando alternativas de estruturas para aplicar em espaços disponíveis e ainda orienta sobre as práticas mais adequadas.
Um modelo facilmente adaptável é o sistema de produção por slabs. Os "travesseiros" de plástico são preenchidos com terra para receber as mudas, acoplados a um sistema de irrigação por gotejamento. A "engenhoca", construída com materiais simples e também uma solução da "agricultura de bancada", dá mais conforto na lida com a produção por se situar acima do solo.
A produção por slabs já é uma realidade em grande parte do cultivo de morangos no Rio Grande do Sul, segundo o agrônomo Luís Bohn, assistente técnico regional de olericultura da Emater-RS em Porto Alegre. Desde que respeitados os intervalos corretos de irrigação, torna-se uma alternativa prática e barata para quem deseja plantar hortaliças e pequenos frutos em casa, como alface e tomate.
Mais simples de montar, as hortas verticais também são possibilidades da agricultura urbana. Os modelos mais comuns utilizam estruturas de pallets ou cano PVC, e facilmente se encaixam em paredes ociosas e pequenas áreas de casas e apartamentos. Nestes modelos, o produtor deve atentar para o tipo de substrato usado como adubo, responsável por nutrir a planta. Os canos são perfurados para ter o escoamento do excesso da água.
"É importante para não ter apodrecimento das hortaliças. Pode instalar até em apartamento, em uma sacada. Só chamamos a atenção para três coisas que as plantas precisam: água, solo (nutrientes) e sol, é um tripé", explica o extensionista Marcelo Ritter, da unidade da Emater de São Leopoldo. A iluminação pode ser em um período do dia.
A irrigação também exige cuidado, porém, não necessita de uma estrutura montada e pode ser feita, até mesmo, com regador. O principal cuidado é controlar para que não haja excesso ou falta de água. O ideal, durante o inverno, são duas irrigações ao dia. No verão, a frequência pode chegar a sete a oito vezes.
Bohn orienta que o local de plantio precisa ser de fácil acesso, receber boa iluminação solar e ventilação moderada. Também é preciso saber escolher as espécies mais adequadas para cultivo, já que os recipientes precisam ter espaço suficiente para comportar as raízes das plantas. A equipe também montou uma mandala no espaço, situado ao lado do pavilhão da agricultura familiar. Os canteiros exibem hortaliças e flores. 
A ideia reforça a importância de manter o solo coberto, para garantir umidade e que o sol não queime os microorganismos e insetos, parte do habitat. "Queremos mostrar como, em um mesmo espaço, podemos ter várias espécies, uma contribuindo com o desenvolvimento da outra", orienta Ritter. Os canteiros são chamados de hortas vivas. "Podem ser replicados em qualquer espaço e com diversidade, não precisa ser só alface", descontrai o extensionista.

Minhocário doméstico gera biofertilizante para plantas

Minhocário que pode ser montado em casa para produzir nutrientes para horta
Minhocário que pode ser montado em casa para produzir nutrientes para horta
Patrícia Comunello/Especial/JC
Na grande horta do estande da Emater, é possível ainda aprender a fazer um minhocário em casa. A ideia é incentivar a alternativa para aproveitar os resíduos orgânicos domésticos e obter biofertilizante líquido, para reforçar os nutrientes das plantas cultivadas nem casa. Além disso, ele diz que a minhoca é sinônimo do chamado 'solo vivo'.
A ausência de minhoca é sinal de solo com sérios problemas de nutrientes. Os integrantes da unidade destacam que a ideia é promover a minhoca à espécie-bandeira, que são aquelas que se tornam símbolo de preservação do ambiente. "É como o urso panda. Nós temos a minhoca, sei que ela não tem o apelo do uso panda, mas tem um poder de gerar vida impressionante", apontam os integrantes da rede de centros ambientais dos vales do Sinos e Paranhana que têm parceria com a Emater.
A dica para quem quiser montar o minhocário é não colocar carne, leite e derivados dos dois alimentos para não gerar mau odor, além de ser foco de vetores de doenças, como insetos. O correto é usar resíduo de origem vegetal sem sal, óleo e fritura. O sal, por exemplo, atrapalha o ofício das minhocas. Ao compor as camadas, deve-se misturar uma de resíduo com folhas secas e capim para gerar aeração do composto. Até jornal bem picado ajuda a fazer a separação.
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