No mundo dos negócios, só insight e obstinação não bastam. Também é preciso capital No mundo dos negócios, só insight e obstinação não bastam. Também é preciso capital Foto: JOÃO MATTOS/ARQUIVO/JC

Como conseguir dinheiro para criar ou expandir o seu negócio

Do investidor-anjo ao fundo de capital, da incubadora à aceleradora, da família ao banco. Conheça os caminhos de financiamento para empreendedores - e tome a melhor decisão

No mundo dos negócios, criatividade e determinação são fundamentais. Mas é complicado seguir esses princípios quando "o caixa é rei". O termo, que deriva do inglês (cash is king), salienta aquilo que muita gente sabe: recursos financeiros são o oxigênio de qualquer empreendimento. Portanto, só insight e obstinação não bastam. Também é preciso capital.
Há diversas formas de conseguir dinheiro e viabilizar o sonho de abrir um negócio. O ideal, claro, é começar pelas próprias reservas. Assim, o empreendedor não faz dívidas em bancos, tampouco precisa prestar contas a investidores. O porém é que, nesse caso, depende-se de uma poupança - o que nem sempre se tem.
Porém saiba que há muita gente por aí interessada em investir dinheiro em grandes projetos. Atualmente, o Brasil possui um extenso e amadurecido ecossistema disposto a dar apoio financeiro. As fontes são encontradas desde em modelos tradicionais, como familiares ou bancos, até investidores-anjo, incubadoras, aceleradoras e fundos de investimento.
A seguir, o GeraçãoE esmiúça esses caminhos de financiamento e dá dicas de como você deve se preparar para conquistar uma fatia para o seu negócio.

Investidor-anjo

Paulo Beck é investidor-anjo e sócio-fundador da Grow Plus No mundo dos negócios, só insight e obstinação não bastam. Também é preciso capital Foto: JOÃO MATTOS/ARQUIVO/JC
Os anjos são aqueles que geralmente procuram negócios em operação, com um modelo já testado, para incentivar um segundo ciclo de crescimento. O setor de tecnologia e inovação é o que mais recebe este tipo de aporte. "Negócios tradicionais, como abertura de franquia ou ampliação de loja, não geram interesse desse tipo de investidor", adianta Maria Rita Bueno, diretora executiva da Anjos do Brasil, associação composta por 260 investidores. Além das redes de relacionamento (como a Anjos do Brasil), empreendedores podem buscar o aporte junto a pessoas da área. Se o projeto é voltado à saúde, um médico seria um ótimo investidor. Se for para o comércio, o ideal é alguém com experiência no varejo. Nesta categoria, o anjo ganha uma participação minoritária nos lucros, mas não atua em cargo executivo na empresa. Seu trabalho também é o de apoiar o empreendedor como conselheiro e mentor. "O investidor é um anjo que libera mais do que dinheiro. Ele investe em contatos e inteligência de negócios, abre um networking e contribui com conhecimento de mercado", diz Paulo Beck, investidor-anjo e sócio-fundador da Grow Plus.

Incubadora

Eliane Fraga é assessora de capital da incubadora Raiar No mundo dos negócios, só insight e obstinação não bastam. Também é preciso capital Foto: JOÃO MATTOS/ARQUIVO/JC
Tem uma micro e pequena empresa nascente em operação que precisa de pesquisa e desenvolvimento para crescer? As incubadoras podem ajudar. "O objetivo, como um todo, é capacitar o empreendedor em todas as áreas para que ele saia do processo pronto para o mercado", explica Eliane Fraga, assessora de capital da Raiar, incubadora de empresas de base tecnológica da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs). Conforme o último levantamento da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), o Brasil possui 384 incubadoras - 21 no Rio Grande do Sul. Esses locais oferecem espaço, assessoria jurídica, gestão empresarial e dão acesso a verbas de incentivo - sem exigir fatias do negócio. As incubadoras têm perfis distintos, inclusive para quem quer investir na música (como a Nós na Rede, a Circula e a DoSol). Essas auxiliam desde a produção de canções até a capacitação de agentes. Mais de 2,5 mil empreendimentos foram graduados nas incubadoras brasileiras - inclusive empresas que, juntas, faturam mais de R$ 4 bilhões e empregam quase 30 mil pessoas.

Aceleradora

Andre Ghignatti, diretor executivo da Wow Aceleradora No mundo dos negócios, só insight e obstinação não bastam. Também é preciso capital Foto: JOÃO MATTOS/ARQUIVO/JC
As aceleradoras miram modelos de negócios já testados. O objetivo é dar velocidade aos empreendedores (daí o nome), especialmente no que tange à atração de investidores. Diferentemente das incubadoras, que se debruçam mais em oferecer infraestrutura e espaço físico, as aceleradoras focam em gestão, networking e mentoring dos profissionais. "Assim, uma empresa que levaria dois anos para conquistar espaço no mercado pode conseguir em meses", exemplifica Andre Ghignatti, diretor executivo da Wow Aceleradora. Quando ocorrem, os aportes financeiros ficam entre R$ 50 mil e R$ 200 mil. É o caso da Aegro, plataforma de gerenciamento para produções agrícolas. Selecionada recentemente pela Wow, a startup receberá um aporte de R$ 150 mil. Entretanto, é a relação estratégica que mais interessa para a empresa. “Claro que o capital é importante, mas o que a gente espera é aquele capital intangível, um suporte maior de conhecimento”, diz Pedro Martins Dusso, sócio fundador da Aegro. Os programas de aceleração podem variar - tanto na duração quanto nos aportes. Em troca de investimento, as aceleradoras ficam com uma participação acionária do negócio. O Rio Grande do Sul conta com três aceleradoras: Wow, Ventiur e Estarte.me.

Bancos

Marcus Rizzo, especialista em franquias e consultor da Rizzo Franchsing No mundo dos negócios, só insight e obstinação não bastam. Também é preciso capital Foto: JOÃO MATTOS/ARQUIVO/JC
Não são poucos os empreendedores que acabam indo à boca do caixa pedir empréstimo bancário para viabilizar abertura ou expansão de um negócio. Se for esse o caso, é preciso considerar os riscos. Bancos têm taxas altas, sobretudo no Brasil, que enfrenta uma recessão econômica há meses. Instituições privadas, que costumam fornecer capital para crescimento da produção, reformas e compra de maquinário, são as mais salgadas em termos de crédito. Bancos públicos geralmente têm juros mais baixos e prazos mais longos. Empreendimentos ligados ao universo das franquias contam com linhas especiais. É o caso do Bradesco e do Santander, que recentemente anunciaram novas cartas de financiamentos por meio do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas, da Associação Brasileira de Franchising (ABF) e do Sebrae. Especialistas ouvidos pela reportagem, porém, alertam aos que erguem uma empresa somente a partir dos bancos – ou seja, só com dívidas. "Qualquer crédito bancário, mesmo com subsídio, tende a ser extremamente oneroso", resume Marcus Rizzo, consultor da Rizzo Franchsing.

Fundo de Investimento

Clovis Meurer, conselheiro da Abvcap Clovis Meurer, conselheiro da Abvcap Foto: arte de luis felipe corullón/EVARISTO SA/AFP/JC
Captar recursos na bolsa de valores é comum entre grandes empresas. Para as pequenas e médias, uma boa alternativa para conseguir dinheiro são os fundos de investimento privado - como private equity, venture capital e seed. Os aportes são mais altos em comparação com as aceleradoras e incubadoras - podem chegar aos milhões. A cada uma delas, o empreendedor dilui sua participação no negócio. O foco é empresas com enorme potencial de escala. "Os negócios que mais atraem esses fundos estão na área de energia, saúde, serviços, agronegócio e tecnologia", diz Clovis Meurer, membro do conselho da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap). Por envolver investimentos robustos – “começa a partir de R$ 500 mil e vai até R$ 500 milhões, quem sabe na casa do bilhão” –, as cobranças também são maiores. Os fundos de capital de risco são indicados para quem suporta pressão e tem apetite por crescimento. 

Família

Claudia Bittencourt é consultora do Grupo Bittencourt Claudia Bittencourt é consultora do Grupo Bittencourt Foto: arte de luis felipe corullón/EVARISTO SA/AFP/JC
A motivação do investidor familiar está atrelada ao interesse de ajudar um parente. Para o tomador do empréstimo, a vantagem é que, quase sempre, o recurso é emprestado a juro mínimo - ou, quando estabelecida uma taxa maior, há flexibilidade para eventuais atrasos no pagamento em comparação às instituições financeiras. Contudo, a proximidade entre as partes pode ser arriscada. Claudia Bittencourt, consultora do Grupo Bittencourt, diz que essa relação pode ter uma carga emocional muito forte, o que é nocivo para o negócio. "O investidor precisa de garantias", aconselha. "Acompanhar o plano de negócios, requerer uma parte da empresa ou, se não tem intimidade com gestão, pedir ajuda especializada." Apesar das dicas, são poucos os empréstimos familiares que acontecem desse jeito. Empreendedor e investidor devem atentar a isso e estabelecerem, juntos, um cronograma para honrar o empréstimo. Tudo deve ser planejado para não gerar um mal-estar no relacionamento familiar, caso o projeto dê errado.
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Comentários ( 2 )
  1. djalma moraes

    estamos iniciando industria inovadora para producao de carvao e defensivo agricola ecologico (extrato pirolhenhoso) apartir de eucalipito e casca de coco estamos no municipio de pilar al. a 35 km maceio aqui na nossa regiao temos grande volume de casca de coco com uma area de 4000 m² as margem da br 316 preciso de investidores.

  2. Helena Sucupira

    Todas as dicas que fujam dos bancos são excelentes para alavancar um negócio. Os bancos, além de ter juros exorbitantes, não proporcionam muito ao empreendedor, e ainda o deixam mais endividado.

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