Mônica Menguer e Felipe Baierle ganham a vida com vendas de artesanato há quatro anos Mônica Menguer e Felipe Baierle ganham a vida com vendas de artesanato há quatro anos Foto: Fotos arquivo pessoal/Divulgação/JC

Os hippies que fazem R$ 8 mil na alta temporada

Para Felipe e Mônica, nada de amadorismo: os dois fazem fluxo de caixa e aceitam pagamento em cartão

Os namorados Felipe Baierle, 28, e Mônica Menguer, 26, se autodenominam "hippies seminômades", e ganham a vida vendendo o próprio artesanato há quatro anos, sendo que o verão representa números graúdos, pois é na estação que a dupla junta dinheiro para o inverno e para as viagens.
"Neste ano, na praia, na primeira quinzena de janeiro, eu tirei R$ 500,00 por dia", conta Mônica. Ela revela que foi ao Uruguai e voltou com R$ 8 mil, resultado da venda de colares, brincos, pulseiras e outras peças, que custam entre R$ 5,00 e R$ 80,00.
Baierle diz que, no Brasil, a sua maior renda foi de R$ 3 mil em um mês. Em abril, na cidade de São Leopoldo, faturou R$ 1.863,00, trabalhando cinco horas por dia quatro dias por semana. Mas alerta: "Essa é uma média para São Leopoldo, tem lugar que se ganha mais ou menos. Aqui no Sul, no inverno, o pessoal usa manga comprida, roupas escuras, que não combinam com artesanato. O calor tem tudo a ver, e na praia o pessoal está mais disposto a gastar".
Para ele, um dos diferenciais do seu trabalho é a organização. "Eu faço fluxo de caixa, aceito cartão de débito e crédito, invisto muito em limpeza, tento apresentar bem o meu produto e trabalho com as redes sociais para divulgar meus projetos."
Por não se enquadrar 100% no padrão hippie, Baierle comenta que já sofreu represálias de outros colegas. "Apesar de ter cabelo comprido, não tenho dread. Muitos trabalham bêbados ou drogados, nós não. E, pelo fato de aceitarmos cartão, alguns dizem que nós favorecemos o sistema capitalista. Uma vez, um casal quis ser violento, mas resolvemos com conversa", conta.
Mônica crê que há preconceito com os hippies por parte da sociedade. As pessoas, segundo ela, não conseguem perceber o fluxo econômico que este mercado pode gerar. "Movimenta bastante. Quem vê a gente na rua não percebe que temos poder de compra também. Acham que não temos dinheiro para comer. Mas tem quem se organize muito bem. Às vezes, temos tanto poder de compra quanto pessoas comuns, e, possivelmente, uma qualidade de vida melhor."

A história deles começou na universidade

494737 A dupla no primeiro mochilão, quando ela trabalhava com estampas Foto: Arquivo pessoal/Divulgação/JC
O casal Mônica e Baierle se conheceu em fevereiro de 2013, quando ele recém havia se formado em Jornalismo e ela estava decidindo entre terminar a graduação em Serviço Social ou buscar novos horizontes. Ambos se apoiaram um no outro com o desejo de conhecer novos lugares do Brasil. Em junho do mesmo ano, já estavam na estrada, pedindo carona, dormindo em barracas em postos de gasolina e conhecendo mais de nove estados em uma viagem programada para 15 dias que durou quatro meses.
Na época, o que sustentava os dias planejados para a aventura eram os livros de contos literários, produzidos por Baierle, e alguns artesanatos de Mônica. "Para ficar mais, aprendi a fazer artesanato e acabei descobrindo uma forma inteiramente nova de viver", explica ele.
Ela produzia chaveiros em feltro e camisetas estampadas. A partir disso, adquiriu conhecimento de técnicas de Macramê, de tecelagem manual e o Motimassu, a escrita em grão de arroz.

Dóris, o casal e a estrada

494734 Foto: Arquivo pessoal/Divulgação/JC
Logo após o mochilão, Mônica e Baierle resolveram investir R$ 12 mil e adquirir Dóris, a Kombi. Com cerca de R$ 3 mil, ela foi transformada (com o auxílio de tutoriais na internet) em uma casa itinerante quase um motorhome, com direito a cozinha, espaço para guardar alimentos e objetos, frigobar, cama e até um espaço improvisado para tomar banho.
"Na primeira viagem, surgiu a ideia de comprar o veículo. Viajar de carona foi uma experiência incrível, mas, num momento, nos faltou o conforto", confessa Mônica. Ambos, então, juntaram o dinheiro que tinham guardado com o artesanato, foram à praia, trabalharam mais 11 meses e adotaram Dóris. Ao logo desses quatro anos, os seminômades já rodaram cerca de 40 mil quilômetros, sendo 20 mil sobre o veículo de 1998.
Os empreendedores rodam o mundo em uma Kombi com cozinha
Geralmente, são programadas de uma a três viagens por ano. Se a cidade é interessante, Baierle explica, eles ficam até um mês sem se locomover. No final de cada viagem, retornam para São Leopoldo, onde possuem parentes e amigos. Ali, alugam um apartamento, desenvolvem projetos, juntam dinheiro e se programam para as próximas jornadas.
Na última visita ao Uruguai, o faturamento serviu basicamente para sustentar os custos, que foram de cerca de R$ 2,5 mil. A aquisição da Dóris também representou diminuição de gastos e otimização de logística. "Conseguimos levar três vezes mais material. Antes, carregávamos na mochila, e era muito pesado. Também não gastamos com comida na rua, que é o mais caro. A Kombi tem estrutura, tem o fogareiro. E não pagamos hospedagem. O maior gasto hoje é a gasolina", expõe Baierle.
Apesar da ausência de algumas comodidades, Mônica orgulha-se da vida que leva. "São escolhas. Se a gente está tomando banho na parte de trás da Kombi, foi porque escolhemos dormir num lugar lindo. E isso compensa."
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