Carlos Mira, CEO do TruckPad: inspiração surgiu nos Estados Unidos Carlos Mira, CEO do TruckPad: inspiração surgiu nos Estados Unidos Foto: TRUCKPAD/DIVULGAÇÃO/JC

App TruckPad conecta caminhoneiros e empresas

Aplicativo criado por Carlos Mira ganhou o apelido de Uber dos caminhões e já movimenta R$ 1,5 bilhão em frete por mês

Foi durante uma palestra no Vale do Silício, meca das inovações científicas e tecnológicas, que o economista Carlos Mira, 47 anos, decidiu se reinventar. Mal sabia ele que, um ano depois, essa reinvenção estaria entre as mais promissoras do mundo. Mira é o CEO e fundador do TruckPad, o aplicativo que conecta caminhoneiros autônomos a empresas de forma direta, sem a necessidade dos agentes de carga. Para se ter ideia do sucesso, no final do ano passado a empresa contava com 10 mil usuários ativos. Hoje, são mais de 300 mil – 50 mil só no Rio Grande do Sul. E essa adesão não deve parar de crescer tão cedo.
Tudo começou com uma inquietação, em 2011. Então presidente na tradicional transportadora de sua família, em São Paulo, o executivo visitava os Estados Unidos em busca de inovação. “Eu não queria ficar parado, queria modernizar a empresa”, conta. Depois de ouvir sobre o futuro dos smatphones e a internet das coisas, pensou em criar um aplicativo que revolucionasse o mercado de cargas no Brasil. O único problema é que seu sócio (e irmão) desacreditou na ideia. Inquieto, Mira pediu demissão, vendeu sua parte na empresa da família e apostou de vez no negócio que acreditava. “Reconheço que tinha um bom trabalho e ganhava bem, mas meu desejo era fazer mais.”
Cercado por profissionais da TI, Mira desenvolveu o app no ano seguinte. Como quase nenhum motorista usava smartphone, Mira foi até o terminal de carga da Fernão Dias com 20 dispositivos só para apresentar a tecnologia aos caminhoneiros. “Mexe aí, eu dizia a eles.” Enquanto ensinava o uso, Mira aproveitava para fazer uma pesquisa com os motoristas – “o que vocês precisam para melhorar o trabalho de vocês?”, perguntava, entre outras coisas. A maioria das respostas indicavam o problema: a demora para encontrar um novo serviço. Um motorista gaúcho que fretasse de Porto Alegre a São Paulo, por exemplo, gastava – às vezes – horas garimpando um carregamento na capital paulista que evitasse o retorno ao Estado com o caminhão vazio. Foi ali que ele chancelou o TruckPad, lançado oficialmente em setembro de 2013.
O aplicativo é baseado no marketplace. Funciona assim: as empresas contratantes publicam as oportunidades de frete na plataforma e os caminhoneiros se candidatam às entregas. Tudo gratuitamente. O app, assim, atua de forma disruptiva possibilitando ao caminhoneiro programar seu próximo frete sem precisar de um agente de carga. “Os motoristas não precisam mais pagar a comissão para os atravessadores”, explica o empreendedor, acrescentando que o faturamento pode ser até 50% superior se o itinerário for fechado pelo app.
À medida que os smartphones foram se popularizando, o TruckPad também ia ficando conhecido. E não só entre o público-alvo, mas também no mercado. Tanto que apelidaram o serviço de “Uber dos caminhões”. No último ano, a empresa recebeu diversos aportes, como da automobilística Volkswagen e da LBS/Movile, dona do site Apontador e do aplicativo de compras online iFood. A meta desses investidores, por hora, é chegar ao milhão de usuários sem cobrar taxa de serviço. “A cada marca que a gente alcançada eu comemoro feito criança”, diz Mira.
Hoje, o sistema disponibiliza, por mês, mais de 400 mil cargas e R$ 1,5 bilhão em frete. Além de facilitar os fretes, a empresa fornece análise de dados para empresas do setor como Firestone e Shell e projeta expandir o serviço para países como México, Índia e Filipinas. Recentemente, também lançou o TruckBooking – um serviço de carretos e mudanças online.
Por essa rápida capacidade de inovação é que aplicativo vem conquistando tantos os prêmios, como das entidades Endeavor e Lide Futuro. A startup, inclusive, foi eleita uma das mais promissoras do mundo na Winter Expo – evento promovido pela aceleradora Plug and Play Technology Center, no Silício. Para Mira, mais um sinal de que o empreendimento está no caminho certo. “É como se um brasileiro ganhasse um campeonato de beisebol na casa dos gringos. Pô, isso não é para qualquer um.”

Você sabia?

De acordo com a Fundação Dom Cabral, o prejuízo causado pela ineficiência do sistema logístico brasileiro – entradas, portos, ferrovias e aeroportos – está na casa dos US$ 80 bilhões. Uma perda e tanto, já que 11% da receita das empresas é destina os custos com transporte. #otimize
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