Fernanda Borba é sócia de uma franquia da escola Quatrum em Porto Alegre desde fevereiro de 2012. A unidade tem cerca de 600 alunos e o faturamento chega a R$ 150 mil por mês Fernanda Borba é sócia de uma franquia da escola Quatrum em Porto Alegre desde fevereiro de 2012. A unidade tem cerca de 600 alunos e o faturamento chega a R$ 150 mil por mês Foto: Marcelo G. Ribeiro/JC

Franquias, let's go

Como o franchising, que hoje movimenta R$ 128 bilhões na economia brasileira, se tornou um modelo que atrai cada vez mais empreendedores

Quando cursava o segundo semestre da faculdade de Letras-Inglês, a porto-alegrense Fernanda Borba recebeu uma ligação de um amigo, dono de uma escola de idiomas. Ele precisava de professor e havia pensado nela para o posto. A partir daquele dia, começou uma trajetória profissional que a levou a ser dona de uma franquia da Quatrum no bairro Tristeza, em Porto Alegre. A unidade conta com mais de 600 alunos, número acima da média se comparado com as outras 16 da rede, que somam, juntas, 7 mil estudantes.
Desde o início – tinha 18 anos quando recebeu o convite do amigo –, Fernanda não queria apenas compartilhar conhecimento como profissão, mas como filosofia de vida. Até hoje, aos 34 anos, ela mantém esta ideologia – embora só faça as vezes de professora quando algum teacher falta ao trabalho.
Fernanda comanda a operação, junto com a sócia Luana Braga, desde fevereiro de 2012. “Eu queria abrir um negócio próprio, mas sabia que começar do zero era arriscado”, lembra.
O temor de Fernanda é compreensível. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de cada 100 empresas abertas no Brasil, 48 fecham em menos de três anos, principalmente pela falta de planejamento e descontrole na gestão. Justamente por isso, dizem os especialistas, optar por uma franquia é naturalmente mais atraente.
“A franqueadora possui um estudo aprofundado sobre o negócio, diferente de quem decide abrir de forma independente, que precisa ir atrás de uma série de informações”, explica a diretora da Regional Sul da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Fabiana Estrela.
Nenhum negócio é 100% seguro, mas a franquia seguramente reduz os riscos”, enfatiza.
No dia em que a proposta de compra surgiu, Fernanda reconheceu as vantagens do investimento. Não só se identificava com o negócio, como ainda daria o start com recursos e operações já organizadas. Fechou o contrato por R$ 1 milhão. “Eu tinha o background pedagógico e a Luana o administrativo, duas áreas ‘supernecessárias’ para levar o negócio adiante”, explica ela. Atualmente, o faturamento mensal da Quatrum Tristeza é de R$ 150 mil.
Empreendedora, Fernanda não quer parar por aqui. As metas incluem aprender sobre todas as áreas da empresa – “até a jurídica” – e desenvolver novos serviços que mantenham a unidade em voo de cruzeiro, apesar da crise.
Outro detalhe é que Fernanda planeja voltar em breve à sala de aula. Primeiro como aluna: fará o curso Delta, diploma concedido pela Cambridge English Language Assessment, que capacita professores experientes ao mais alto escalão no ensino de inglês. Depois, quer voltar à classe novamente como professora, trazendo para o Rio Grande Sul o Certificate in Teaching English to Speakers of Other Languages (Celta), que atualmente não é oferecido no Estado. “É um mercado que está só esperando alguém atender”.

Sai os computadores, entram os sanduíches

Ex-executivo de TI, Brach abriu Subway no Zaffari Cavalhada Fernanda Borba é sócia de uma franquia da escola Quatrum em Porto Alegre desde fevereiro de 2012. A unidade tem cerca de 600 alunos e o faturamento chega a R$ 150 mil por mês Foto: Marcelo G. Ribeiro/JC
Em 2005, a rede de fast-food americana Subway tinha apenas 25 lojas no Brasil. Hoje, dez anos depois, são mais de 1.900 unidades – do segmento, é a marca que mais possui franquias no País. Ex-executivo de empresas de tecnologia como Dell e HP, Eduardo Brach, 41, planejava abrir o negócio próprio quando se deparou com esses números. “Eu já tinha escolhido a franquia como modelo de negócio – depois de analisar o risco entre capital investido e sucesso. E quando olhei que os números da Alimentação, e sobretudo da Subway, despontavam, não tive escolha”, explica ele, que inaugurou um restaurante no último dia 4, no Zaffari da avenida Cavalhada, na Capital.
Além dos índices, Brach considerou outros dois fatores na escolha pela rede. Primeiro a identificação com a marca. “Eu sempre comi na Subway e via nessa alimentação mais saudável uma tendência”, diz. Outro ponto determinante foi a opinião dos franqueados: o empresário entrevistou vários deles, percebendo uma unânime satisfação com o negócio. Decisão tomada, demonstrou seu interesse para a rede – que avaliou tanto o perfil quanto o capital do empresário, antes de dar sinal verde para o empreendimento.
Os dados da ABF mostram que o franchising está em plena expansão no Brasil. Desde 2005, o crescimento no número de marcas operando o sistema foi superior a 300% – saltou de 971 para 3.029. Só no primeiro semestre de 2015, a alta foi de 11,2% em comparação com o mesmo período do ano passado. Isso significa mais de 131 mil lojas no País e 1,1 milhão dos empregos diretos. Um volume que tende a crescer, mesmo em tempos turbulentos na economia. “Nesses momentos de crise, o consumidor se apega às marcas que ele conhece porque não há tanta ‘bala’ para gastar”, analisa Fabiana Estrela, da ABF.
Quando a Subway aceitou o investimento de Brach, o novo franqueado passou por uma bateria de treinamentos e consultorias. Chegou a ficar duas semanas na sede da Subway, em Curitiba, aprendendo desde gestão de pessoas a cortar cebola no tamanho certo. “Tem que entender todo o processo porque não é o restaurante do Eduardo que está em jogo, é a Subway”, elucida ele, que estima ter investido R$ 380 mil no ponto.
De acordo com especialistas ouvidos pela reportagem do GeraçãoE, o capricho com seus parceiros é um dos pilares que sustem o crescimento médio de 30% ao ano da Subway no Brasil. Até o final de 2015, a projeção da companhia é ter mais de 2 mil restaurantes em funcionamento no País – e 8 mil até 2025. Desse montante, o Eduardo Brach quer responder por pelo menos três unidades até 2017. “Se eu acertar a mão, vou expandir muito mais”, promete.

Quando o negócio é bom para ambas partes

Rubia dos Santos (à esq.) será a primeira franqueada da Amamãe, de Marina Wierczorek Rubia dos Santos (à esq.) será a primeira franqueada da Amamãe, de Marina Wierczorek Foto: Fredy Vieira/JC
Com especialidade em saúde, bem-estar e informação para mulheres nas fases de gestação e pós-parto, a Amamãe Vivências Maternas, criada em 2013, é um exemplo de como o franchising se mostra sedutor para empreendedores e, de quebra, contribui para a expansão de um negócio.
Localizada no bairro Três Figueiras, na zona norte de Porto Alegre, a empresa se consolidou ao oferecer tratamentos corporais, atividades físicas e embelezamento de forma inovadora. “Somos a única do segmento que concede esses serviços, com a diferença que as mulheres podem levar seus filhos para serem cuidados pelas baby-sitters, enquanto elas se embelezam, sem custo extra”, explica Marina Wierczorek, 31, idealizadora da Amamãe.
O padrão fez da empresa um modelo de sucesso. Tanto que após um ano e meio, a empresária abriu uma filial da Amamãe em Atlântida, no Litoral Norte. Querendo expandir ainda mais, Marina reorganizou o plano de negócios e entrou no sistema de crescimento por franchising.
Cliente da clínica e admiradora da ideia, a advogada Rubia Erthal dos Santos, 35, se interessou pelo projeto. Depois de estudar a viabilidade do negócio e de longas conversas com Marina, fechou contrato. A loja deve ficar pronta até o fim do ano e atenderá o bairro Menino Deus – uma região que, segundo Rubia, carece desse tipo de serviço. “Com o Amamãe terei maior contato com crianças, o que sempre quis, aliado ao desejo de crescer financeiramente”, justifica a nova empresária, que planeja investir R$ R$ 350 mil para abrir a franquia.

Você sabia?

Se você tem interesse em abrir uma franquia de idiomas, saiba que o ramo tem se mostrado estável e atrativo. Segundo o Sindicato das Escolas de Idiomas do Rio Grande do Sul (Sidiomas-RS), o Estado possui 210 mil alunos matriculados e movimenta, a cada ano, R$ 756 milhões. Redes de ensino como a Number One chegam a ter investimento inicial de R$ 16 mil, chegando até R$ 348 mil. No caso da Cultura Inglesa, o investimento varia de R$ 395 mil a R$ 585 mil. Os valores são da ABF.
Compartilhe
Comentários ( 0 )

Publicidade
Mostre seu Negócio