Carlos Rodolfo Schneider
Há duas décadas, o gasto público total do País representava 25% do PIB. Hoje, chega aos 40%. Só a despesa de custeio, isto é, a manutenção da máquina, já se aproxima de um quarto do PIB. Esta gastança crescente consumiu uma reserva fiscal construída com sacrifício e vem pressionando constantemente o crescimento da carga tributária.
Como afirma o economista Paulo Rabello de Castro, um dos fundadores e coordenador do Movimento Brasil Eficiente (MBE), "recordes de arrecadação são comemorados como algo positivo. O Estado gasta demais, a sociedade paga a conta do grande nó que amarra o desenvolvimento do País. No declínio da economia, a única estrutura que explode em crescimento é o próprio governo".
Segundo o ex-ministro Delfim Netto, o Estado brasileiro não cabe no nosso PIB. E agora, à luz de manifestações populares, afirmou que o aumento da insatisfação pela má qualidade dos serviços públicos essenciais deveria ser visto com naturalidade, por ser menos um problema de falta de recursos, e mais consequência da má gestão do governo. O cenário tem impacto na poupança das famílias e nos lucros das empresas que deixam de estar disponíveis para os investimentos que precisamos fazer.
No Brasil, gasta-se muito e mal. E mais, esta ineficiência gera uma pressão constante pelo aumento das despesas. Para mudarmos este cenário, não basta vontade de um ou de poucos.
Precisamos de uma grande mobilização, envolvendo as principais entidades da sociedade civil organizada, o Congresso, o Executivo e o Judiciário, com capacidade para motivar a população em torno de propostas coerentes e consistentes. Estaríamos todos reunidos em torno de um pacto pelo Brasil.
Empresário e coordenador
do Movimento Brasil Eficiente
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