Os espectadores que Franciele conquista na internet solicitam seus serviços em um salão de Canoas Os espectadores que Franciele conquista na internet solicitam seus serviços em um salão de Canoas Foto: /JÚLIA FERNANDES/ESPECIAL/JC

Dos likes do universo on-line ao contato físico que gera renda

Mesmo no início Franciele já é reconhecida pelo seu trabalho.

"O dia todo." É o tempo que a maquiadora e microinfluenciadora, Franciele Duarte, 21 anos, precisa para produção e gravação de vídeos para o seu canal no YouTube e Instagram. Arruma cabelo, se maquia, ajeita o cenário, grava. Erra, grava de novo. Uma pausa para se alimentar. Mais cinco horas de edição. Essa é a realidade de Franciele e provavelmente de outras pessoas que usam as suas redes sociais como instrumento de trabalho.
A carreira começou em 2015, quando a garota terminou o Ensino Médio e começou a pensar na faculdade. "Sentia na obrigação de fazer uma, porque todo mundo fazia. Cheguei até fazer cursinho, mas não era o que realmente queria. E sim o que os meus pais desejavam", lembra. A vontade de fazer um curso profissionalizante de maquiagem tomou a cabeça. Ela resolveu sair do curso pré-vestibular e arranjar um emprego para pagar as aulas que lhe tornariam uma profissional. Após formada, largou o trabalho. "Dei a cara à tapa. É agora, eu vou ser maquiadora, sem experiência nenhuma de mercado", dizia para si própria.
Nos primeiros momentos, treinava sozinha em casa, assistia vídeos e, às vezes, convidava algumas amigas para serem modelos.
"Fazia por um preço superbarato, mais para adquirir experiência e trabalhar mesmo", conta.
Em 2015, quando começou, já existiam vídeos de maquiagens espalhados pelo YouTube, mas nada como agora. Franciele percebe que, em dois anos, houve uma grande profissionalização no conteúdo. Além disso, percebe a quantidade de pessoas que usavam somente o recurso do Instagram e que passaram a usar o YouTube. "Acho que os dois se complementam. Tu não acabas aprendendo no Instagram, tu admiras. No YouTube tu aprendes", explica.
Os donos do salão Armazém, onde trabalha em Canoas, encontraram Franciele, justamente, na internet. "Eu mandei meu portfólio e no mesmo dia me chamaram para entrar aqui", comenta a maquiadora, que cobra entre R$ 120,00 e R$ 180,00 pelos seus serviços.
A maioria das clientes que ela atende no salão chega por causa do Instagram. Além disso, não foram poucas as vezes que seguidoras do YouTube apareceram como cliente. "Elas chegam aqui e logo falam 'Eu vejo teus vídeos', 'Eu te conheço do Instagram'. Cada vez mais sinto esse reconhecimento", admite.
A maquiadora acredita que hoje há uma certa banalização da profissão. Segundo ela, isso é consequência de muitas pessoas que se intitulam maquiadoras na internet apenas por realizar trabalhos em si mesmas, e isso desvaloriza os demais profissionais.
Apesar de ser nova no ramo, Franciele está satisfeita com os resultados. "Me esforço muito, estou sempre fazendo alguma coisa. Às vezes, vou até de madrugada fazendo isso tudo sozinha e estou tendo reconhecimento, como quando uma marca superfamosa me repostou", orgulha-se.
Até hoje, um dos momentos mais importantes na trajetória da profissional foi quando ela foi convidada a ser maquiadora do Festival de Cinema de Gramado. Ela diz nunca ter se imaginado aparecendo em um jornal. "E esse momento (entrevista ao GeraçãoE). Eu nunca na vida achei que, com meu trabalho, ia estar dando uma entrevista. Fico realizada com isso", diverte-se a @franduartemakeup.
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