Entre os 744 moradores ouvidos, 68% disseram ter interesse em se voluntariar na entidade. Porém, 61% afirmam não ter tempo disponível, e aqueles que o possuem, em geral, dispõem de, no máximo, quatro horas por semana. O estudo também mostra que o desejo de ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade é o que mais mobiliza os moradores a apoiar causas sociais, estando à frente do reconhecimento social, que aparece em último lugar.
A amostra foi dividida em dois grupos: Novo Hamburgo, com 405 moradores; e demais cidades, com 339 moradores (São Leopoldo, Campo Bom, Sapiranga, Estância Velha, Dois Irmãos, Ivoti, Portão e Araricá, analisados em conjunto). Cada grupo atingiu o tamanho mínimo calculado para uma margem de erro de 5 pontos percentuais e um nível de confiança de 90%. Nenhum dado de identificação foi solicitado aos participantes.
O voluntariado é uma experiência comum, mas não contínua. Sete em cada 10 entrevistados já foram voluntários em algum momento. Hoje, porém, menos de três em cada 10 fazem trabalho voluntário (28,9% e 28,3%). A prática cresce com a idade: entre os moradores das demais cidades com 66 anos ou mais, chega a 55%.
Conforme a pesquisa, a AMO Criança é muito conhecida na cidade-sede, e menos conhecida fora dela. Em Novo Hamburgo, 92,1% dos moradores conhecem a instituição, ao menos pelo nome. Nas demais cidades, esse índice cai para 63,7%, sendo que 36,3% nunca ouviram falar dela. Entre os que conhecem a instituição, o acolhimento às famílias é o serviço mais lembrado (64,1% em Novo Hamburgo e 53,2% nas demais cidades). O apoio jurídico é o menos conhecido nas duas regiões (18,5% e 14,8%). O Instagram é a principal rede social por onde os moradores acompanham a AMO Criança.
Para a equipe responsável pela pesquisa, os resultados indicam espaço para formatos de voluntariado pontuais e de curta duração, além da necessidade de haver maior comunicação nas cidades vizinhas. “A pesquisa mostra que a população da região quer ajudar. O desafio não é a falta de disposição, mas a falta de tempo e de informação. Formatos de voluntariado mais curtos e flexíveis podem transformar esse interesse em participação”, avalia a professora Moema Pereira Nunes, responsável pela assessoria estatística e pela análise de mercado do estudo.
Os resultados também revelaram aspectos relevantes que servirão de base para o aprimoramento de processos internos e para o desenvolvimento de novas estratégias de comunicação e relacionamento com a comunidade. “A realização de uma pesquisa como essa em parceria com a AMO Criança mostra o potencial da Feevale para gerar conhecimento para as organizações da nossa região, contribuindo com o desenvolvimento regional”, completa Débora Maria Engeroff, supervisora do Núcleo de Parcerias e Captação de Recursos da Universidade.