Leandro Hörlle, prefeito de Igrejinha
Há eventos que mudam a forma como uma cidade se organiza. Para Igrejinha, esse marco foi a enchente histórica de 2024. Não apenas pelos estragos, que foram muitos, mas por algo mais profundo: a maneira como aquele episódio reorganizou nossas prioridades enquanto gestão pública.
O acompanhamento das águas e o combate às enxurradas deixaram de ser apenas uma tarefa sazonal e se tornaram prioridade absoluta na rotina da nossa administração. O clima mudou, os eventos estão mais intensos e mais frequentes, e cidades cortadas por rios, como a nossa, precisam tratar a prevenção como política permanente. Essa mudança de mentalidade foi, talvez, o resultado mais importante de todo esse contexto.
A gestão do risco climático deixou de ser uma pauta isolada da Defesa Civil, e se tornou uma responsabilidade que atravessa Obras, Planejamento, Meio Ambiente e a administração como um todo. A prevenção deixou de ser um item da agenda e passou a ser critério de planejamento.
Na prática, isso significa antecipar. Significa manter estruturas de escoamento, drenagem e limpeza funcionando o ano inteiro. Significa acompanhar previsões climáticas de longo prazo, como as do fenômeno El Niño, e ajustar o cronograma de trabalho antes que a chuva chegue. Entendemos que a prevenção exige constância. Um serviço de limpeza feito de forma isolada não resolve; é o acompanhamento contínuo, trecho por trecho, calha por calha, que efetivamente reduz o risco. E isso vale tanto para as grandes intervenções quanto para o cuidado diário com bueiros e vias, que muitas vezes passa despercebido, mas é decisivo no momento em que a chuva forte chega.
Há ainda um aprendizado sobre responsabilidade técnica: prevenção não pode ser feita a qualquer custo. Cada intervenção segue licenciamentos específicos, é planejada com critério e busca equilíbrio entre proteger a população e respeitar o meio ambiente. Não se trata de intervir no rio, mas de conviver com ele de forma mais inteligente. Esse é um debate que interessa a todo o Rio Grande do Sul, não apenas às cidades diretamente atingidas em 2024.
Estamos todos aprendendo, ao mesmo tempo, a lidar com um clima menos previsível. E talvez o principal aprendizado seja este: prevenção não é despesa, é investimento. Investimento em vidas, em patrimônio público e privado, e na tranquilidade de quem vive perto de um rio. Igrejinha segue esse caminho, cientes de que o trabalho nunca está pronto. A prevenção é um exercício permanente de atenção, técnica e humildade diante da força da natureza.