Localizada na Serra Gaúcha, a cidade de Gramado é referência de turismo para todo o Brasil. Segundo destino mais procurado do país, perdendo somente para o Rio de Janeiro, o município tem atrações para todos os gostos e épocas do ano, embora os estabelecimentos estejam focados principalmente em receber a alta temporada de inverno e as férias de verão guiadas pelo Natal Luz.
Um local com uma comunidade de pouco mais de 40 mil habitantes recebe 8,2 milhões de visitantes ao ano, segundo Rosa Helena Volk, presidente da Gramadotur, autarquia que realiza os seis eventos públicos da cidade e ex-secretária da pasta de Turismo por mais de uma ocasião. "Gramado já é um fenômeno no cenário turístico nacional", afirma. Para a gestora, o município se planeja, com projetos estruturantes, para um novo ciclo na região. "Temos uma preocupação, que é de preparar Gramado para daqui a quatro anos, quando o aeroporto de Vila Oliva estiver pronto. Da porta do Palácio dos Festivais, o Cine Embaixador, até o aeroporto, serão 34 quilômetros. Isso vai mudar tudo", avalia Rosa.
Diante do crescimento da cidade, a região central de Gramado vem mostrando, há anos, sinais de saturação, sendo uma das principais queixas no último ano a questão do trânsito. Diante desse cenário, a prefeitura divulgou, no ano passado, o projeto de urbanização para uma área de 900 hectares na região Norte do município, que funciona como uma conexão alternativa entre Nova Petrópolis, Canela e até na direção de Caxias do Sul.
"Já passou na Câmara de Vereadores a lei para construir uma Nova Centralidade. É uma nova cidade praticamente que teremos no bairro Mato Queimado, que fica em direção ao aeroporto de Vila Oliva. Será uma cidade nova que iremos construir. Então, Gramado tem sempre um atrativo novo", disse Rosa.
O prefeito Nestor Tissot reforça a ideia de planejamento: "Ali (na nova área) nós temos um projeto do Club Med, que está se instalando numa área de mais de 100 hectares. Aí surgiu a ideia de a gente fazer um bairro planejado, mas nada muda com a cidade atual. Então, é um reestudo do Plano Diretor, com profissionais atualizados, aproveitando a tecnologia. Esse local todo será muito planejado, obedecendo rigorosamente o novo desenho do plano diretor pra essa região", explicou o prefeito.
A reportagem foi conhecer a área reservada para o futuro de Gramado, acompanhada por responsáveis técnicos do Escritório da Nova Centralidade. Mateus Ripol, engenheiro civil e secretário-adjunto de Planejamento, Urbanismo e Parcerias Estratégicas de Gramado, também ainda não tinha visitado o local, e igualmente tirou suas dúvidas com o xará, Matheus Cipolat, arquiteto e urbanista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), que acompanhou todo o estudo e desenvolvimento do projeto. Ripol explica o contexto de criação da iniciativa. "Começou a partir da agenda estratégica, que é de 2019 e já mencionava que a cidade precisava de uma área de expansão específica, além de que a gente precisava trabalhar essa expansão de forma ordenada, organizada e não da forma como ocorre hoje, em que a cidade vai expandindo e a gente vai tentando resolver os problemas. O Plano Diretor foi aprovado em 2022, e as discussões dele já começaram dois ou três anos antes", explica.
Cipolat completa: "Essa agenda estratégica apontou que Gramado precisava ordenar o crescimento, a expansão urbana e do mercado imobiliário. O município, que vem tendo um aumento populacional expressivo em relação ao RS e ao resto do país, precisava planejar como esse crescimento ia acontecer no futuro, nas próximas décadas. Então, em 2022, foram definidos os Projetos Urbanísticos Relevantes (PURs)". Um desses territórios é justamente a Nova Centralidade, cuja lei municipal foi aprovada por unanimidade na Câmara de Vereadores em maio. "Esse estudo foi feito ao longo de mais de dois anos com toda a população. Fomos reunindo os segmentos, empresários do setor, investidores, população de modo geral, unanimemente, aprovou essa ideia", conta o prefeito.
Mateus Ripol explica que, no estudo, existe a Zona de Ocupação Intensiva (ZOI), que é o objeto de trabalho da prefeitura atualmente. "Ficou previsto, nessa lei de 2026, que essa ZOI vai ser objeto de uma Operação Urbana Consorciada, porque a maioria das áreas lá são particulares", detalha Ripol. "A Operação Urbana Consorciada ocorre quando o município tem uma área de interesse para desenvolver e faz um consórcio entre o privado e o público para que isso aconteça. O público, nesse caso, por exemplo, entra com um regramento específico, com uma maior densidade, maiores índices construtivos para esses proprietários e com alguns pré-requisitos urbanísticos específicos, contrapartidas. O privado entra com o investimento e o desenvolvimento dessa área, atendendo tanto aos objetivos do município quanto aos objetivos do interesse próprio", esclarece o assessor técnico.