Porto Alegre,

Publicada em 03 de Agosto de 2026 às 13:45

Limpeza de resíduos da cheia em Guaíba pode levar até dois meses

Mais de 200 toneladas de galhos e madeiras já foram recolhidas desde quinta-feira, volume equivalente a 41 caminhões

Mais de 200 toneladas de galhos e madeiras já foram recolhidas desde quinta-feira, volume equivalente a 41 caminhões

Prefeitura de Guaíba/Divulgação/Cidades
Compartilhe:
Lívia Araújo
Lívia Araújo Repórter
A limpeza dos resíduos acumulados na orla do Rio Guaíba, no município de Guaíba, pode levar até dois meses, segundo uma estimativa inicial da Defesa Civil do município. O volume de galhos, troncos e madeiras que chegou às margens após as chuvas intensas desta semana é expressivo: entre quinta-feira (30) e domingo (2), 41 caminhões foram removidos, somando mais de 200 toneladas de material.
A limpeza dos resíduos acumulados na orla do Rio Guaíba, no município de Guaíba, pode levar até dois meses, segundo uma estimativa inicial da Defesa Civil do município. O volume de galhos, troncos e madeiras que chegou às margens após as chuvas intensas desta semana é expressivo: entre quinta-feira (30) e domingo (2), 41 caminhões foram removidos, somando mais de 200 toneladas de material.
O assessor técnico da Defesa Civil, Vitor Paixão, afirmou que o prazo pode ser reduzido com a chegada de maquinário pesado disponibilizado pelo Estado em regime de cooperação, mas depende também das condições climáticas. "Tem previsão de chuva para quarta-feira. Se prejudicar as máquinas na orla, vai levar mais tempo", disse. No fim da semana retrasada, outro mutirão já havia retirado detritos da Praia da Alegria e do Centro de Guaíba.
Os detritos têm origem nos rios Taquari, Jacuí, Sinos e Caí, que desaguam no Guaíba após percorrerem municípios atingidos pelas cheias desta semana. O acúmulo nas margens do rio na cidade de Guaíba foi agravado por um fator específico: a ação de ventos que represaram o material ao longo da extensão da cidade. Paixão explicou que na enchente de 2024, mesmo com volume muito maior de água, os resíduos acompanharam o refluxo natural dos rios em direção à Lagoa dos Patos, não se concentrando na orla local. "O vento represou os resíduos aqui. Por isso tanto trabalho agora", disse.
O trabalho de coleta é feito com máquinas diretamente na orla. O maioria do material recolhido é descartada em locais adequados para essa finalidade, mas uma parte dos resíduos têm sido selecionada por populares, explica Paixão. Madeiras em bom estado podem ser reaproveitadas em obras e mobiliário urbano — como brinquedos de praça, caminhos sensoriais ou cercas. Os materiais que não têm condições de reaproveitamento seguem para descarte por empresa especializada, conforme modelo adotado nas enchentes de 2024. 
A travessia do Catamarã, suspensa na quinta-feira (30) em razão do acúmulo de material flutuante, foi retomada nesta segunda-feira (3). Paixão informou que, nas últimas 24 horas, não houve aumento no volume de resíduos chegando ao município, o que indica que os rios afluentes do Guaíba estão retornando à normalidade.
O assessor também pontuou que equipes da Defesa Civil estão em plantão de 24 horas na orla, orientando a população a não acessar o local sem equipamentos de proteção individual, como capacete e botas, e a evitar contato com o material sem que a origem seja conhecida. Quando o maquinário pesado estiver operando, a área é reservada exclusivamente aos trabalhadores.
A prefeitura lançou o programa Prepara Guaíba, que prevê, entre outras medidas, a instalação de barreiras de contenção ao longo da orla para reter resíduos em eventos futuros, permitindo a passagem da água sem que os detritos invadam a área. "A ideia é fazer uma barreira para que os resíduos fiquem represados e somente a água passe. A gente sabe que não consegue mandar no clima, mas pode se preparar para dar uma resposta mais rápida", afirmou Paixão.

Notícias relacionadas