Porto Alegre,

Publicada em 04 de Agosto de 2026 às 18:36

Parque da Gare mantém história e cria novas conexões em Passo Fundo

Lançado em 2016, local é um espaço de lazer onde outrora a atividade ferroviária predominava

Lançado em 2016, local é um espaço de lazer onde outrora a atividade ferroviária predominava

Marlusa Marques/DIVULGAÇÃO/CIDADES
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Marlusa Marques
Marlusa Marques
O Parque Gare, em Passo Fundo, conta com cerca de quatro hectares e espaços voltados para esportes, lazer, cultura e convivência através de diversas áreas verdes. O local, que antigamente era a estação ferroviária da cidade, também tem um lago abastecido por nascentes naturais, ciclovia e espaço para caminhadas, além de abrigar a Gare Estação Gastronômica no prédio antigo da estação férrea, a Feira do Produtor e o Prisma Espaço Geek. No entanto, em termos históricos, a Gare mostra como a utilização de um espaço público e de um patrimônio histórico pode ser realizada.
O Parque Gare, em Passo Fundo, conta com cerca de quatro hectares e espaços voltados para esportes, lazer, cultura e convivência através de diversas áreas verdes. O local, que antigamente era a estação ferroviária da cidade, também tem um lago abastecido por nascentes naturais, ciclovia e espaço para caminhadas, além de abrigar a Gare Estação Gastronômica no prédio antigo da estação férrea, a Feira do Produtor e o Prisma Espaço Geek. No entanto, em termos históricos, a Gare mostra como a utilização de um espaço público e de um patrimônio histórico pode ser realizada.
A análise é feita por Djiovan Carvalho, historiador e presidente do Instituto Histórico de Passo Fundo (IHPF). Ele menciona que, apesar do espaço ter sido entregue para a iniciativa privada através de uma concessão, isso indica que patrimônios históricos não precisam ser necessariamente casas de cultura, museus ou prédios tombados. "O parque conta com um prédio tombado e recebe um acompanhamento sobre o que é feito por lá, mas além disso também é um espaço de lazer de que a população pode usufruir. Não tem mais sua função original relacionada à movimentação de trens, cargas e passageiros, mas ainda assim segue extremamente frequentado em virtude dessa característica", explica.
Para o historiador, a forma como o parque se incorpora ao município neste redesenho é uma maneira de preservar um espaço pertencente a um conjunto arquitetônico e com um ressignificado, algo fundamental quando se pensa em preservação de patrimônios. "Estamos diante de um parque que concentra diversas edificações e que, juntas, integram esse conjunto arquitetônico. Desde o muro da antiga estação ferroviária, construído na década de 1920 para delimitar o pátio da Gare, que foi tombado como patrimônio histórico municipal em 1995 e formalizado por decreto em 2022, até o prédio da antiga estação, um dos primeiros edifícios a ser reconhecido como patrimônio em Passo Fundo, em 1990, antes mesmo do muro", conta Carvalho.
Monumentos com a quase centenária caixa d'água seguem preservados | MARLUSA MARQUES/ESPECIAL/CIDADES
Monumentos com a quase centenária caixa d'água seguem preservados MARLUSA MARQUES/ESPECIAL/CIDADES
O Parque da Gare ainda reserva pontos que contam a história ferroviária de Passo Fundo. "Se a gente visitar a Gare, podemos ver alguns elementos de ações de educação patrimonial. Quem conhecer a Galeria Estação da Arte, por exemplo, vai encontrar um painel com uma linha do tempo sobre a história da ferrovia em Passo Fundo, inserindo todos esses elementos materiais em sua própria história. E a existência dessa história contribui com ela mesma, por ser uma das ferramentas que explicam porque tudo isso existe, além de ajudar a explorar um passado que mostra que o desenvolvimento de Passo Fundo deve muito à existência da ferrovia", avalia o historiador. 
Djiovan salienta ainda que a criação do Parque da Gare pode ser considerada uma primeira grande experiência para Passo Fundo. "E por que isso? Porque ele tem uma área significativa. Não é um parque como uma praça, ele tem uma grande área. Então, talvez seja um dos mais antigos da cidade. É único em seu formato, naquilo que ele contempla em termos de patrimônio histórico, espaço de cultura, de lazer, entre outros", enfatiza.
Pedro Almeida, prefeito de Passo Fundo, comenta que antes da revitalização, feita em 2016, o parque estava em uma situação de abandono e que o processo de melhoria foi fundamental para a estrutura que se tem hoje. "O objetivo era devolver o espaço para o uso da comunidade, ao mesmo tempo em que os recursos naturais fossem preservados. O prédio da antiga viação férrea foi modernizado sem perder suas características arquitetônicas originais", afirma.
Entre as projeções para o futuro, o chefe do Executivo salienta o andamento de um projeto focado na ampliação da Feira do Produtor, com aumento da extensão do andar de baixo, alinhando com o pavimento superior e ampliação do espaço interno para o melhor acomodamento dos feirantes e circulação do público consumidor. O projeto ainda prevê a ampliação da área das mesas cobertas, dos caminhos e do gramado, através de um deck em madeira ecológica e de uma estrutura metálica que favorecerá um espaço maior para a distribuição de mais mesas e o descanso dos visitantes.
ampliação da Feira do Produtor, com aumento da extensão do andar de baixo, é um dos projetos para o parque | MARLUSA MARQUES/ESPECIAL/CIDADES
ampliação da Feira do Produtor, com aumento da extensão do andar de baixo, é um dos projetos para o parque MARLUSA MARQUES/ESPECIAL/CIDADES
Ana Paula Wickert, arquiteta, urbanista e secretária de Planejamento entre 2013 e 2020, responsável por conduzir o processo de revitalização do parque entre 2015 e 2016, lembra que o lago presente no parque foi originalmente criado na época da antiga ferrovia para alimentar os trens e manteve-se no novo projeto, assim como o espaço da Feira do Produtor, que passou a ser outro, mas ainda atrelado ao que antes era ocupado pelos feirantes durante a existência da viação férrea.
O projeto de revitalização do espaço faz parte do Programa de Desenvolvimento Integrado de Passo Fundo (Prodin), subsidiado com recursos financeiros do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com contrapartida do município. O parque levou nove meses para ser construído e depois mais nove para ser executado. Contou com um trabalho de despoluição das nascentes, drenagem do solo e diversas melhorias adicionais que foram ao encontro da proposta inicial do parque e colocou Passo Fundo em um novo patamar de lazer. "Se a gente for analisar como era Passo Fundo antes da Gare, percebemos que as pessoas não saíam de casa no domingo, porque não tinham para onde ir. Foi uma ideia ousada que trouxe uma multifuncionalidade ao espaço e a cidade", lembra a arquiteta e urbanista. 

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