A
interdição da ponte sobre o Rio Guaporé, no km 82 da ERS-129,
entre Encantado e Muçum, no Vale do Taquari,
deve se estender por cerca de 30 a 35 dias, segundo estimativa do prefeito de Encantado, Jonas Calvi, após reunião com o governador Eduardo Leite e representantes da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) em Porto Alegre realizada na noite de segunda-feira (27).
A nota técnica divulgada pela EGR no mesmo dia confirmou a manutenção do bloqueio total para veículos, descartou a instalação de uma estrutura provisória sobre a ponte e apontou como alternativas a recuperação emergencial do pilar danificado e, condicionada às condições hidrológicas, a implantação de uma passagem molhada. No entanto, a empresa ainda não informou a data prevista para o início da obra emergencial.
A trinca foi identificada em inspeção técnica realizada na sexta-feira (24), após o nível do Rio Taquari baixar. Segundo a EGR, houve fratura em uma das paredes da estrutura de travamento dos pilares, o que configura comprometimento estrutural. Desde sábado (25), apenas ambulâncias e veículos de urgência e emergência têm autorização para cruzar a ponte. Pedestres também transitam pelo local, mas em pequeno número. A possibilidade de instalar uma estrutura provisória foi afastada porque depende de análise estrutural adicional sobre os pilares remanescentes, o que, segundo a empresa, atrasaria os esforços de recuperação.
Estrutura está interditada desde a última sexta-feira, após avaria em um dos pilares de sustentação
Talissa Lucas/Prefeitura de Encantado/Divulgação/Cidades
Para Calvi, a estimativa de 30 a 35 dias para a execução da obra torna inviável a construção de alternativas temporárias, cujo prazo de implantação seria equivalente ao do próprio reparo. "Qualquer obra alternativa vai levar 15, 20 dias. Então, se ficar nesses 35 dias, não tem a necessidade de fazer nenhuma outra obra", disse o prefeito. Calvi informou que ainda aguarda nova sondagem do pilar pela EGR prevista para esta quinta-feira (31), para confirmar a extensão dos danos e o prazo definitivo.
O prefeito de Muçum, Amarildo Baldasso, ressaltou as dificuldades impostas pelo desvio. A rota alternativa passa pela zona rural da vizinha Roca Sales, cruzando a ponte Brochado da Rocha, e inclui 18 quilômetros de estrada de chão, parte deles em trechos estreitos onde dois veículos pesados não conseguem se cruzar. A EGR assumiu o compromisso de mobilizar equipes para manutenção e melhoria das condições de trafegabilidade nesse trecho, que passa a absorver um volume de tráfego muito superior ao habitual. "Antes passavam 10 carros por dia, agora passam 100, 200. A estrada não aguenta. E com caminhões, pior ainda", afirmou Baldasso.
O impacto econômico já é sentido. Baldasso citou o exemplo de empresas da região que precisam entregar produtos e estão sendo obrigadas a redirecionar os carregamentos pela rota alternativa, com custo e tempo adicionais significativos.
Em nota, o governo do Estado pontuou a alternativa de desvio pela rótula do km 97,27 da ERS-130, no acesso a Roca Sales. A partir desse ponto, os condutores devem seguir pelo centro da cidade e retornar à ERS-129 pela rótula localizada no km 82,40 da rodovia, em Muçum. O mesmo percurso poderá ser utilizado pelos motoristas que trafegam no sentido contrário, de Muçum a Encantado. Ainda segundo a nota, "a orientação é para que os usuários programem seus deslocamentos com antecedência".