Porto Alegre,

Publicada em 24 de Julho de 2026 às 14:24

Leite visita Vale do Taquari e admite falha na comunicação de alertas

Leite (e) visitou Lajeado na manhã de sexta-feira (24), acompanhando pelo diretor da Defesa Civil estadual

Leite (e) visitou Lajeado na manhã de sexta-feira (24), acompanhando pelo diretor da Defesa Civil estadual

Laura Malmann/Prefeitura de Lajeado/Divulgação/Cidades
Compartilhe:
Lívia Araújo
Lívia Araújo Repórter
O governador Eduardo Leite visitou nesta sexta-feira (24) quatro municípios do Vale do Taquari: Lajeado, Estrela, Encantado e Santa Tereza, afetados pela primeira enchente do Rio Grande do Sul em 2026, a primeira ocorrência de cheia acima da cota de inundação desde as enchentes de 2024. Em Lajeado, acompanhado do coordenador da Defesa Civil, Luciano Boeira, Leite se reuniu com o prefeito em exercício Guilherme Cé e admitiu que houve um desalinhamento entre as previsões divulgadas antes do evento e o que de fato ocorreu, anunciando medidas para corrigir a comunicação de alertas.
O governador Eduardo Leite visitou nesta sexta-feira (24) quatro municípios do Vale do Taquari: Lajeado, Estrela, Encantado e Santa Tereza, afetados pela primeira enchente do Rio Grande do Sul em 2026, a primeira ocorrência de cheia acima da cota de inundação desde as enchentes de 2024. Em Lajeado, acompanhado do coordenador da Defesa Civil, Luciano Boeira, Leite se reuniu com o prefeito em exercício Guilherme Cé e admitiu que houve um desalinhamento entre as previsões divulgadas antes do evento e o que de fato ocorreu, anunciando medidas para corrigir a comunicação de alertas.
Na noite de terça-feira (21), documentos elaborados conjuntamente pela Defesa Civil do Estado, o Serviço Geológico Brasileiro e o Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) indicavam que o Rio Taquari não atingiria a cota de inundação. A projeção se provou equivocada à medida que a chuva avançou. Segundo o governador, a ressalva de que os dados poderiam se alterar já estava presente nas informações divulgadas, mas reconheceu que a comunicação precisava ser mais clara e mais frequente. "Temos que ter maior clareza de que os dados fornecidos podem se alterar por conta das variáveis envolvidas. E além disso, estamos pedindo ao IPH e ao SGB que possam ter maior recorrência de atualização das suas informações", afirmou, em entrevista coletiva realizada após a reunião.
Na quarta-feira (22), a prefeita de Lajeado, Gláucia Schumacher, declarou que a imprecisão nas informações atrasou o acionamento do plano de contingência do município. Leite sustentou, no entanto, que as remoções foram realizadas a tempo assim que os dados foram atualizados. "As pessoas foram retiradas e ninguém precisou ser resgatado em situação de dificuldade, porque imediatamente que se identificaram os novos dados, foram tomadas as providências", disse.
O governador também abordou o cenário para a semana seguinte, com previsão de novos volumes de chuva da ordem de 100 a 120 milímetros. Reconheceu que os modelos ainda não são convergentes e reforçou que previsões meteorológicas se alteram conforme se aproxima o evento. Alertou ainda para a possibilidade de elevação do Guaíba, com impacto esperado especialmente nas ilhas de Porto Alegre, áreas sem proteção estrutural. "É remoção dessas pessoas, proteção dessas pessoas. A preparação envolve termos a clareza do prognóstico e fazer a remoção naquele momento extraordinário", disse.
Leite rejeitou a ideia de que seria possível evitar completamente os impactos de um evento com 200 a 250 milímetros de chuva em curto espaço de tempo. "Não há um cenário em que seja feito algo pelo governo que simplesmente blinde para que nada aconteça. Isso não acontece em lugar nenhum do mundo. Vender essa ideia à população é vender uma ilusão", afirmou, citando eventos recentes no Chile, Uruguai e nos Estados Unidos. O governador ressaltou que o papel do Estado é trabalhar com projeções, proteger as pessoas e restabelecer condições rapidamente, e que o El Niño pode trazer recorrência maior desses episódios nos próximos meses.
Em relação ao médio e longo prazo, Leite sinalizou que o governo estadual, o Ministério Público e as prefeituras do Vale do Taquari discutem projetos para realocação definitiva de moradores de áreas de risco ainda vulneráveis, pontuando que a solução definitiva envolve vínculos culturais e históricos que tornam o processo mais lento do que apenas construir novas moradias.

Notícias relacionadas