Porto Alegre,

Publicada em 24 de Julho de 2026 às 14:31

Mariana Pimentel aguarda há 34 anos por acesso asfáltico à BR-116

Pequeno município, distante 70 quilômetros de Porto Alegre, espera por nova licitação para obra, prevista para o dia 29 de julho

Pequeno município, distante 70 quilômetros de Porto Alegre, espera por nova licitação para obra, prevista para o dia 29 de julho

Reprodução/Google Street View/Cidades
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Lívia Araújo
Lívia Araújo Repórter
Emancipado de Guaíba em 1992, o município de Mariana Pimentel, a cerca de 70km de Porto Alegre e parte da região Centro-Sul do RS, há 34 anos aguarda o asfaltamento da estrada ERS-711, que faz a ligação da cidade com a rodovia BR-116 e, consequentemente, com a Capital gaúcha e outros municípios. O período de espera equivale a nove mandatos do governo do Estado liderados por oito diferentes governadores gaúchos.
Emancipado de Guaíba em 1992, o município de Mariana Pimentel, a cerca de 70km de Porto Alegre e parte da região Centro-Sul do RS, há 34 anos aguarda o asfaltamento da estrada ERS-711, que faz a ligação da cidade com a rodovia BR-116 e, consequentemente, com a Capital gaúcha e outros municípios. O período de espera equivale a nove mandatos do governo do Estado liderados por oito diferentes governadores gaúchos.
Depois de promessas diversas de diferentes gestões à frente do Piratini, licitações que não resultaram na conclusão de obra ou sequer ao início dela, a cidade finalmente vislumbra o início do fim desta longa história. No começo de julho, foi assinada a autorização para a licitação da pavimentação asfáltica de 16km, que terá um investimento estimado em R$ 71,8 milhões, segundo o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer). A licitação que definirá a empresa responsável pela execução das obras está agendada para 29 de julho e, de acordo com a autarquia, a previsão de início é para o segundo semestre, "com estimativa de conclusão de 12 meses, a contar do início da obra".
Apesar do otimismo, no entanto, a gestão municipal expressa cautela. “A gente não vai descansar enquanto esse projeto não estiver concluído. Agora nós vencemos uma etapa só, que é o processo licitatório da obra. Ainda há mais duas, que são o início da obra e a conclusão”, explica Sandro Elsner, que atua na chefia de gabinete da prefeitura e acompanhou, como marianense, parte da briga do município pela pavimentação ao longo dos anos.
Segundo Elsner, a movimentação pela obra começou em 1998, quando havia cerca de 120 municípios gaúchos sem acesso asfaltado, e foram incluídos em um pacote de licitações. Mariana Pimentel foi uma delas, mas a empresa que venceu o certame não tinha estrutura para executar a obra. "Ela acabou daí", relembrou Elsner. Nos quatro anos da gestão seguinte, o município votou sistematicamente pela obra no Orçamento Participativo, como prioridade número 1, mas os recursos repassados mal chegavam para concluir bueiros. Depois de nenhuma novidade do governo seguinte, a nova gestão do Piratini promoveu um breve lampejo: máquinas chegaram, a obra avançou por cerca de seis meses e alguns trechos de terraplanagem foram concluídos. Depois, as máquinas foram embora uma a uma, e a obra parou novamente.
A razão do novo impasse só veio à tona em outro mandato estadual, iniciado em 2010: uma sindicância revelou que a empresa havia recebido repasses acima do previsto, sem contrapartida equivalente em serviços. Abriu-se um processo judicial que travou qualquer retomada por anos. Enquanto os demais municípios da mesma rodada de licitações tiveram seus projetos resgatados, atualizados e executados, Mariana Pimentel ficou aguardando a resolução do litígio. "A gente ficou esperando isso até 2020, por aí, quando destravou. A empresa foi condenada, mas aí não conseguiram fazer a atualização do projeto e repartilhar a obra para ela recomeçar", explicou Elsner. As movimentações que culminaram na possibilidade real de retomada da obra vieram apenas na atual gestão.
Agora, com a licitação marcada para 29 de julho via concorrência eletrônica na Central de Licitações (Celic), a prefeitura monitora cada passo do processo com a atenção acumulada de décadas de espera. O chefe de gabinete reconhece que a abertura do edital é uma vitória, mas deixa claro que não basta. "A nossa briga vai ser para que eles deem o início de obra ainda nesse governo. Se deixar para depois, a gente já sabe como pode acabar", afirmou.
 

Falta de pavimentação impacta desenvolvimento econômico

Taxa de urbanização da cidade é de 8,9%, enquanto a média estadual é de 85%

Taxa de urbanização da cidade é de 8,9%, enquanto a média estadual é de 85%

Reprodução/Google Street View/Cidades
A consequência pelo período passado à margem dos investimentos em infraestrutura teve reflexo no desenvolvimento econômico de Mariana Pimentel e até mesmo em seu perfil demográfico. Com taxa de urbanização de apenas 8,9% — enquanto a média estadual é de 85% —, o município tem 81,1% de seus domicílios em zona rural, segundo o IBGE.
A taxa de população ocupada em postos formais é de 10,7%, inferior à de todos os municípios vizinhos, com exceção de Barão do Triunfo. O principal empregador do município é a própria prefeitura. "Tem muitas empresas que não entram em estrada de chão. A gente tenta atrair algum investimento e esbarra no acesso", afirma Elsner.
O gasto com manutenção de veículos, segundo o chefe de Gabinete da prefeitura, Sandro Elsner, é ao menos o dobro do que seria com estrada asfaltada. O horizonte econômico, porém, está mais animador do que em qualquer outro momento desde a emancipação.
A instalação de uma nova planta da empresa CMPC em Barra do Ribeiro abre perspectiva de transbordamento para Mariana Pimentel. A prefeitura está em conversas preliminares para a criação de um distrito industrial capaz de absorver parte da demanda.
 

Nove municípios aguardam início de obras de asfaltamento no Rio Grande do Sul

Mais de R$ 1 bilhão foram investidos para melhorias nos acessos

Mais de R$ 1 bilhão foram investidos para melhorias nos acessos

Selt/Divulgação/Cidades
Quando o governo do Estado lançou o programa de acessos asfálticos em 2019, 62 municípios gaúchos ainda não tinham ligação pavimentada com rodovias estaduais ou federais. Sete anos e mais de R$ 1 bilhão em investimentos depois, segundo informações do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), esse número chegou a nove: os últimos trechos cuja licitação foi autorizada pelo governo no início de julho.
Com a nova rodada de autorizações, o órgão afirma que todos os acessos municipais que ainda não estão em obras terão seus processos licitatórios abertos. Ao todo, 31 acessos já foram concluídos e 22 estão atualmente em execução. Os nove restantes agora têm licitação em andamento ou prestes a ser publicada, entre eles a ERS-711, que liga Mariana Pimentel à BR-116.
Os demais trechos autorizados nessa última leva são: ERS-573, em São Valério do Sul; ERS-460, em Monte Alegre dos Campos; ERS-539, em Nova Ramada; ERS-330, em Dois Irmãos das Missões; ERS-143, em Engenho Velho; ERS-456, em Pinhal da Serra; ERS-608, segundo lote entre Pedras Altas e Pinheiro Machado; e ERS-531, em Jacuizinho.

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